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Clubes e torcedores europeus se mobilizam pelos refugiados

Como na política, alemães lideram ações em favor dos imigrantes

O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2015 | 09h00

O grande fluxo de refugiados vindos do Oriente Médio em direção à Europa tem ditado os debates políticos e sociais nos últimos meses. Enquanto alguns países tomam medidas xenófobas, a Alemanha toma a dianteira na acolhida aos imigrantes. Até o final do ano, o governo de Angela Merkel pretende gastar US$ 6,6 bilhões (R$ 25,08 bilhões) para acolher 800 mil refugiados. 

Se os alemães lideram no campo diplomático, o mesmo acontece no futebol, já que as primeiras manifestações em favor dos emigrantes foram vistas entre os atuais campeões mundiais. Em 27 de agosto, o Borussia Dortmund convidou 220 sírios para assistirem à partida de playoff da Liga Europa contra o Odds Ballklubb, da Noruega. Nas semanas seguintes, várias torcidas estenderam faixas dizendo "Welcome Refugees" ("Bem-vindos Refugiados") nas partidas do Campeonato Alemão.

O Bayern de Munique anunciou, em 3 de setembro, que auxiliaria os novos residentes com 1 milhão de euros (R$ 4,2 milhões). O atual tricampeão nacional construirá um centro de treinamento para crianças e adolescentes que chegaram das áreas de conflito. Mais que equipamentos esportivos, esses jovens também terão acesso a aulas de alemão e refeições. Em um comunicado, o clube afirmou que "decidiu tomar parte neste desafio e, trabalhando junto à cidade de Munique e ao Estado da Bavária, vai contribuir financeiramente, materialmente e com ajuda prática".

Já na Grã-Bretanha, o escocês Celtic destinou à causa parte do dinheiro arrecadado no amistoso festivo realizado no último domingo. O chefe executivo, Peter Lawwell, declarou foi o "clube foi fundado para ajudar pessoas em necessidade e esse ethos continua como parte fundamental da organização após quase 130 anos. Nenhum de nós pode entender os verdadeiros horrores dessa situação, mas nós queremos mostrar suporte aos afetados", completou o diretor.  

Seguindo a onda de mobilizações, o Real Madrid colocou 1 milhão de euros à disposição dos que buscaram abrigo na Espanha. O presidente merengue, Florentino Perez, conversou com o presidente do governo local para informar sobre esta e outras medidas que o clube colocará em ação para auxiliar a recepção dessas pessoas. 

Bem mais modesto que o Real, o St. Pauli, da segunda divisão alemã, convidou os quase mil refugiados instalados na região de Hamburgo para comparecem ao amistoso contra o Borussia Dortmund, realizado na última terça, 8. O clube, que em seu estatuto se declara "antinazista, antirracista e anti-homofóbico", buscou integrar moradores locais com imigrantes, "para mostrar a eles que suas experiências e sua cultura são bem-vindas".

No mesmo dia, o Porto oficializou a iniciativa "Vamos jogas pelos Refugiados!". A ação consiste em ajudar os refugiados com 1 euro (R$ 4,20) de cada ingresso vendido para jogo contra o Chelsea, pela Liga dos Campeões, em 29 de setembro. Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do clube, enviou uma carta à Uefa sugerindo que os outros 31 participantes do torneio adotassem a iniciativa. 

Michel Platini, presidente da entidade, respondeu a correspondência elogiando o português e sugerindo que os outros clubes aderissem. Mas quem realmente apoiou Pinto da Costa foi a Associação dos Clubes Europeus (ECA) que, quatro dias depois, decidiu que todos os inscritos na Liga dos Campeões e na Liga Europa farão como o Porto na primeira partida em casa. Segundo o presidente ECA, Karl-Heinz Rummenigge, a iniciativa atingirá 80 clubes e pode arrecadar até 3 milhões de euros (R$ 12,73 milhões).

Vice-presidente da ECA, o diretor do Milan Umberto Gandini afirmou a sugestão se estende também aos clube que não jogarão esses dois torneios. "A oportunidade de participar nesse programa também foi dada a outros times que decidam realizar ao mesmo sistema ou criar outras maneiras de doar alguma quantia".

A ação mais recente foi a do Paris Saint-Germain, na quarta-feira. O clube do bilionário catari Nasser Al-Khelaifi dividirá 1 milhão de euros entre a agência da ONU para refugiados, a ACNUR, e a Secours Populaire Français para ajudar a "criação de projetos de solidariedade concretos na França e internacionalmente". O anúncio aconteceu no mesmo dia em que o presidente François Hollande decidiu dar abrigo a 24 mil refugiados até o ano que vem.

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