Robson Fernandjes/Estadão - 16/6/2012
Robson Fernandjes/Estadão - 16/6/2012

Clubes endividados e jogadores sem receber: entenda por que o Campeonato Argentino está paralisado

Impasse que já dura duas semanas pode terminar nesta quarta-feira após decisão com o Ministério do Trabalho

O Estado de S.Paulo *

08 de março de 2017 | 07h00

Na noite da última segunda-feira (6/3), a Associação de Futebol Argentino (AFA), como faz qualquer federação de futebol local, confirmou os dias e os horários da 15ª rodada do Campeonato Argentino. No entanto, não há certeza de que as 15 partidas marcadas para a partir desta quinta-feira irão, de fato, ocorrer. Há duas semanas, o torneio do esporte mais popular do país está interrompido. O motivo: greve dos jogadores.

Liderados pelo sindicato dos atletas, o Futebolistas Argentinos Agremiados, os jogadores decidiram não retomar a competição, interrompida no dia 20 de dezembro para as férias. Por detrás deste imbróglio, está o dinheiro de direitos de transmissão de TV em um cenário de crise econômica e clubes endividados.

Os jogadores reivindicam o pagamento de dívidas e decidiram não entrar em campo, apesar da pressão que vêm sofrendo por parte dos dirigentes. O sindicato anunciou na sexta-feira (3/3) que os atletas não se apresentariam para partidas até que os clubes saldassem dívida com jogadores.

O dinheiro usado para quitar os débitos virá da rescisão do contrato do Fútbol para Todos, programa que garantia a exibição de partidas do campeonato local em canais abertos. Esse convênio, criado  durante o Governo de Cristina Kirchner, foi interrompido após o novo presidente (Maurício Macri) assumir a presidência.

Na manhã da última quinta-feira (2/3), o governo argentino oficializou o pagamento de 350 milhões de pesos (R$ 71,3 milhões) à AFA pela rescisão do contrato do programa, pelo qual os jogos eram transmitidos desde 2009 através de canais de televisão abertos. Agora, as TVs privadas voltarão a comprar os direitos de transmissão dos jogos do campeonato local.

O problema é que o dinheiro não quita toda a dívida, segundo presidente do sindicato dos jogadores, Sergio Marchi, que se reuniu diversas vezes com os jogadores.

“O dinheiro é insuficiente. Não se cancela a dívida. Necessitamos cumprir com as necessidades dos atletas, e caso isso não ocorra, as atividades continuarão paradas. Sempre quando há um conflito, há pressão. Temos de trabalhar, resistir sabendo que o pleito é totalmente justo”, afirmou.

Segundo o jornal Clarín, os valores do programa Fútbol para Todos foram transferidos da conta AFA para 144 equipes de todas as divisões. Os clubes já teriam começado a realizar os pagamentos. A reclamação do sindicato é que o dinheiro não deveria ser depositado na conta dos clubes porque a maioria está endividada (e pode não saldar os salários).

“Sabemos que há pouco dinheiro e queremos seja bem utilizado. Se a AFA dar o dinheiro aos clubes que têm dívidas, estaremos com problemas", afirmou Marchi ao Clarín. “Nosso sindicato não quer dinheiro. Quer o dinheiro para os jogadores. Essa sempre foi nossa reivindicação. Se não pagam, não começa o futebol. E não sei se começa no próximo fim de semana.”

Uma solução, na visão dos dirigentes, é escalar jogadores da base para recomeçar o campeonato. Os clubes devem ainda levar o caso ao Ministério do Trabalho, pedindo que a greve seja encerrada após o pagamento de salários atrasados. O desfecho desse impasse pode acontecer nesta quarta-feira. A partida que abre a rodada entre Vélez Sarsfield e Estudiantes está marcada para às 21h desta quinta-feira. Os outros 14 jogos estão agendados para sexta, sábado, domingo e segunda.

*Com informações da EFE

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