Karim Haddouche/Divulgação<br>
Karim Haddouche/Divulgação<br>

CLUBES EUROPEUS APOSTAM EM COADJUVANTES DO FUTEBOL BRASILEIRO

Douglas, Dória, Cleber e Guilherme foram as principais vendas de times brasileiros para o mercado do velho continente na janela de transferências

Felippe Scozzafave, Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 09h08

Acostumado a revelar grandes jogadores ao futebol mundial, o Brasil apresentou uma grande baixa nessa janela. Se em outros mercados de transferências jogadores como Neymar, Lucas e Oscar estrelavam a lista de principais contratações, atualmente os atletas que atuam em times nacionais não estiveram em evidência e as poucas vendas de clubes brasileiros para a Europa se resumiram em valores baixos e em atletas sem renome.

Por mais que a venda do zagueiro Dória ao Olympique de Marselha tenha sido a mais alta (R$ 30 milhões), a negociação que mais chamou a atenção foi a saída do lateral Douglas rumo ao Barcelona. O jogador, que foi contratado por R$12 milhões, rendeu mais comentários irônicos por conta da bronca dos torcedores são-paulinos com o seu futebol apresentado do que elogios ao clube catalão.

Empresário de atletas como Jucilei e William José, Nick Arcuri acredita que os clubes da Europa passaram a olhar mais para o seu próprio continente. "Existe muita oferta dentro do próprio mercado europeu. Os clubes preferem correr menos risco. Hoje no Brasil são poucas as oportunidades de contratar jogadores e eles também priorizam o mercado europeu por causa da adaptação e dentro do Brasil também não está barato. O preço dos jogadores inflacionou muito nos últimos anos".

Já o também agente Fernando Garcia acredita que o problema está na formação dos atletas. "As bases são menosprezadas. Os clubes gastam milhões investindo em categorias de base, mas não lançam jogador. O treinador no Brasil tem medo de escalar o jovem e prefere apostar em jogadores mais velhos, que não tem mercado. Tem que mudar a mentalidade", disse. 

O fraco nível do futebol nacional apresentado nos últimos anos fez com que os grandes clubes deixassem de olhar com mais atenção para o cenário nacional. Além dos já citados, contratações mais modestas como Anderson Talisca, que saiu do Bahia rumo ao Benfica, Guilherme, que foi à Udinese após acertar sua saída do Corinthians e o jovem lateral Wendell, que após seis meses de destaque no Grêmio, foi vendido ao Bayer Leverkusen, foram as principais na conexão Brasil-Europa nesta janela.

Titular absoluto do Corinthians após a saída de Paulo André, Cleber se destacou e foi vendido ao Hamburgo, da Alemanha, por 2 milhões de euros (R$ 6 milhões). Para Fernando Garcia que é agente do zagueiro, além de se destacar em campo, o jogador que pretende ir para o velho continente deve apresentar bons números. "O que importa para os clubes da Europa na hora de contratar é o scout do jogador. Se ele acerta passes, faz desarmes, é isso que é mais importante. O próprio Cleber. Com ele em campo, o Corinthians jogou 18 vezes e tomou 7 gols. Sem ele, foram 6 em 4 jogos."

Mesmo assim, o último dia da janela de transferências ainda proporcionou algumas emoções a clubes brasileiros. Após perder Falcao García e James Rodríguez na mesma janela, o Monaco consultou o Cruzeiro e fez propostas por Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro, principais destaques do líder do Brasileirão no torneio. Após as recusas, Garcia elogiou o diretor da equipe mineira, Alexandre Mattos. "O Alexandre sabe a hora certa de vender. Ele não pode se livrar de um jogador antes dele valorizar. Se o jogador dele vale 15, não pode vender por 5. Ele trabalha com responsabilidade."

FUTURO

Para que a situação do futebol melhore, e por consequência os clubes europeus passem a olhar o futebol brasileiro como fonte de bons jogadores novamente, é preciso trabalhar com as categorias de base. Após a decepcionante campanha na Copa do Mundo, a CBF, em conjunto com o técnico Alexandre Gallo, vem trabalhando na formação de novos atletas que possam se tornar referências no mundo futebolístico.

Mesmo entendendo que a nova safra de atletas tenha futuro, Arcuri mantém os pés no chão e espera que os jogadores evoluam da melhor maneira possível. "O Brasil sempre foi um grande revelador de jogadores e os europeus sempre se voltaram ao mercado brasileiro. Estamos passando por período de entressafra.  Cada vez se revela menos porque o mercado europeu aprendeu a se antecipar, contratar os brasileiros cada vez mais cedo, já que é mais barato tirá-los daqui ainda quando jovens".

Confira os jogadores que saíram do Brasil rumo à Europa no começo das últimas temporadas:

14/15

Dória - Botafogo - Olympique de Marselha

Douglas - São Paulo - Barcelona

Cleber - Corinthians - Hamburgo

Abner - Coritiba - Real Madrid Castilla

Victor Andrade - Santos - Benfica

Bruno Peres - Santos - Torino

Wendell - Grêmio - Bayer Leverkusen

Guilherme - Corinthians - Udinese

Talisca - Bahia - Benfica

William Matheus - Palmeiras - Toulouse

Octávio - Botafogo - Fiorentina

Lee - Atlético-MG - Académica

Caio Rangel - Flamengo - Cagliari

Otávio - Internacional - Porto

Lucas Evangelista - São Paulo - Udinese

Alef - Ponte Preta - Olympique de Marselha

Cesar - Ponte Preta - Benfica

13/14

Neymar - Santos - Barcelona

Bernard - Atlético-MG - Shakhtar Donetsk

Paulinho - Corinthians - Tottenham

Fred - Internacional - Shakhtar Donetsk

Fernando - Grêmio - Shakhtar Donetsk

Wellington Nem - Fluminense - Shakhtar Donetsk

Vitinho - Botafogo - CSKA

Felipe Anderson - Santos - Lazio

Diego Souza - Cruzeiro - Metalist Kharkiv

Alex Telles - Grêmio - Galatasaray

Rodrigo Moledo - Internacional - Metalist Kharkiv

Rafael - Santos - Napoli

Douglas Santos - Náutico - Granada

Jadson - Botafogo - Udinese

Rafael Marques - Atlético-MG - Hellas Verona

Cicinho - Sport - Sivasspor

Gabriel Paulista - Vitória - Villarreal

12/13

Oscar - Internacional - Chelsea

Mario Fernandes - Grêmio - CSKA

Romulo - Vasco - Spartak Moscou

Vagner Love - Flamengo - CSKA

Marquinhos - Corinthians - Roma

Leandro Castán - Corinthians - Roma

Dodô - Corinthians - Roma

Wallace - Fluminense - Chelsea

Lucas Mendes - Coritiba - Olympique de Marselha

Gabriel - Cruzeiro - Milan

Bruno Uvini - São Paulo - Napoli

Allan - Vasco - Udinese

Cicinho - Palmeiras - Sevilla

Fagner - Vasco - Wolfsburg

11/12

Lucas Piazon - São Paulo - Chelsea

Danilo - Santos - Porto

Bruno Cesar - Corinthians - Benfica

Jonathan - Santos - Inter de Milão

Dudu - Cruzeiro - Dynamo de Kiev

Alex Sandro - Santos - Porto

Zé Love - Santos - Genoa

Romulo - Cruzeiro - Fiorentina

Danilo Larangeira - Palmeiras - Udinese

Alan Patrick - Santos - Shakhtar Donetsk

Neuton - Grêmio - Udinese

10/11

Hernanes - São Paulo - Lazio

Sandro - Internacional - Tottenham

André - Santos - Dynamo Kiev

Wesley - Santos - Werder Bremen

Walter - Internacional - Porto

Diego Tardelli - Atlético-MG - Anzhi

Taison - Internacional - Metalist

Coutinho - Vasco - Inter de Milão

Cleiton Xavier - Palmeiras - Metalist

Souza - Vasco - Porto

09/10

Nilmar - Internacional - Villarreal

Ramires - Cruzeiro - Benfica

Cristian - Corinthians - Fenerbahçe

André Santos - Corinthians - Fenerbahçe

Wagner - Cruzeiro - Lokomotiv Moscou

Leandro Almeida - Atlético-MG - Dynamo de Kiev

Maicon - Fluminense - Lokomotiv Moscou

Danilo Silva - Internacional - Dynamo de Kiev

André Dias - São Paulo - Lazio

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Craques brasileiros deixam de ser estrelas no mercado europeu

Outrora os atletas mais valiosos nas listas de transferência nos grandes clubes da Europa, brasileiros não são mais protagonistas

Felippe Scozzafave e Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 06h55

O jogador brasileiro sempre fez muito sucesso no futebol europeu e são muitos os casos em que esses atletas foram negociados, seja indo do Brasil para a Europa ou mesmo dentro do próprio "velho" continente por cifras muito altas. Porém, na janela de transferências que se encerrou nesta segunda-feira, foram poucos os atletas nascidos no Brasil vendidos por valores astronômicos e que chamassem atenção.

Antes do início da Copa do Mundo, uma transferência em especial foi destaque no futebol europeu, quando o zagueiro David Luiz trocou o Chelsea pelo Paris Saint-Germain por R$ 186 milhões e se transformou no defensor mais caro da história do futebol. Porém, após o Mundial, quando o mercado realmente esquentou, também por causa da má impressão deixada pela seleção brasileira na competição, o único atleta nascido no país e que foi comprado por uma grande quantia foi o "espanhol" Diego Costa, contratado pelo Chelsea por R$ 114,5 milhões após conduzir o Atlético de Madrid ao título do Campeonato Espanhol e à final da Liga dos Campeões.

Entre as outras negociações envolvendo atletas brasileiros, destaques para Filipe Luís, que fez o mesmo caminho de Diego Costa, o lateral Guilherme Siqueira, que chegou ao Atlético para substituir Filipe, o volante Rômulo, contratado pela Juventus e Fernando, que foi para o Manchester City. Além deles, alguns atletas chegaram a novos clubes por empréstimo, como é o caso de Casemiro, que deixou a reserva do Real Madrid para defender o Porto.

A movimentação é muito pequena, se comparada aos últimos anos, quando tivemos, em 2012, transferências como as de Thiago Silva, Hulk e Lucas que envolveram quase R$ 400 milhões e em 2013 nomes como Willian e Fernandinho, isso sem falar de Neymar, que trocou o Santos pelo Barcelona por R$ 163,5 milhões, a segunda maior transação envolvendo um jogador brasileiro em todos os tempos, superada apenas pela compra de Kaká pelo Real Madrid, em 2009, que rendeu R$ 188,5 milhões aos cofres do Milan.

DA COPA, SÓ JÚLIO CÉSAR TROCOU DE TIME

Entre os 23 convocados pelo técnico Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo, apenas o goleiro Júlio César foi negociado dentro do futebol europeu. Porém, apesar de ter feito uma boa Copa, o atleta de 34 anos passou longe de ser uma negociação milionária e trocou o Queens Park Rangers pelo Benfica a custo zero. O goleiro, que passou os últimos meses emprestado ao Toronto FC, do Canadá, não seria utilizado no clube inglês e, por isso, foi colocado no mercado.

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