Clubes inovam e lucram ao criarem as próprias marcas de uniforme

Pioneiro na iniciativa, Paysandu consegue lucrar R$ 1,5 milhão em sete meses

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2016 | 17h00

O Paysandu faturou R$ 1,5 milhão nos sete primeiros meses do ano com a mesma estratégia que o Fortaleza vai copiar e o Juventude já pôs em prática. A receita desses clubes foi fugir do convencional, ao explorar um ramo incomum. O trio rompeu com as tradicionais fornecedoras de material esportivo para criar e gerenciar as marcas dos próprios uniformes.

O pioneiro da iniciativa no Brasil, o Paysandu, se cansou no fim do ano passado de fazer acordos pouco vantajosos com grandes marcas e desde janeiro aposta na própria grife. A atitude virou exemplo para os demais, pois a marca Lobo conquistou a torcida em Belém com a venda de 45 mil camisas oficiais até 31 de julho e a ampliação da linha até para camisas gola polo, chinelos, mochilas, mais modas praia e casual.

"É uma sacada para clubes que não despertam tanto o interesse de grandes marcas. Flamengo e Corinthians, por exemplo, recebem milhões de material esportivo. No nosso caso, só tiram dinheiro da gente. Foi assim que avaliamos o mercado", explica ao Estado o presidente do Paysandu, Alberto Maia. O preço da nova camisa é 20% menor do que a anterior.

Até ano passado, segundo exemplo do dirigente, cada camisa oficial fabricada por outra marca e vendida a R$ 200 só tinha R$ 11 revertidos ao clube. A estimativa agora é de que o lucro com a comercialização de toda a linha de produtos oficiais pode aumentar até seis vezes. 

Maia contou que cada artigo do clube à venda para a torcida vem de um fornecedor diferente, com a administração centralizada pelo próprio Paysandu. Duas lojas fixas em Belém, mais a ampliação para comércio virtual, fazem o presidente garantir que, além de ter conseguido repor o investimento para implantar o sistema, os torcedores aprovaram a novidade. 

O presidente conta que o lucro com a marca ajudou a pagar dívidas, a reformar o estádio, a construir um hotel para o elenco usar como concentração e atrair novo patrocínio master.

SEGUIDORES

Dois times da Série C do Campeonato Brasileiro tiveram a mesma ideia. Em comum, essas equipes têm a torcida concentrada em uma cidade, o que facilita a distribuição dos produtos oficiais.

O Fortaleza vai apresentar nesta semana a marca própria, inspirada no projeto do time paraense. "Conversamos com o Paysandu para aprender com eles. Lançar a marca própria vai trazer mais lucratividade e controle sobre o processo", afirma o gerente de marketing do Fortaleza, Kauê Aguiar.

A equipe nordestina planeja bater em um ano a meta de 100 mil camisas à torcida, com a arrecadação de R$ 8 milhões. Já o Juventude lançou a própria marca em abril, batizada de 19Treze, em homenagem ao ano de fundação. 

A diretoria diz ter conseguido reduzir em 20% o preço da camisa oficial. No contrato com o fornecedor anterior, o Juventude não tinha margem de lucro com as vendas dos artigos. Agora passou a ter 10%.

"A iniciativa dá ao clube mais autonomia e agilidade para fazer camisas criativas com base no nosso conhecimento sobre o torcedor. Vamos lançar em breve uma camisa em homenagem ao Dia da Árvore", explicou o vice-presidente de marketing, Walter Dalzotto Junior. 

Na Série A, o Santos adotou estratégia parecida no começo do ano. O clube gerencia o trabalho de empresas contratadas para fabricar e distribuir os artigos oficiais, incluindo a Kappa, responsável pelos desenhos.

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