Rubens Chiri/Divulgação
Rubens Chiri/Divulgação

Clubes investem pesado em 'gringos' nesta janela

Vizinhos sul-americanos viram principais fornecedores de contratações para equipes paulistas

Ciro Campos, Gonçalo Junior, Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2017 | 07h00

Miguel Borja chega na manhã deste sábado ao Brasil para se apresentar ao Palmeiras e reforçar a tendência dos grandes clubes do País de procurar os vizinhos da América do Sul na hora de contratar. O colombiano, assim como outros forasteiros, vem com o status de estrela e faz chegar a 64 a quantidade de estrangeiros nos times da Série A.

Das 20 equipes da elite em 2017, apenas Ponte Preta e Atlético-GO não têm jogadores de outros países. Desde o início da era dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro, em 2003, o número de atletas estrangeiros subiu 371%, ao passar de 14 para 64.

Além das questões financeiras – a moeda brasileira tem alto poder de compra nos outros países latino-americanos –, a mudança na legislação esportiva, que permite maior número de estrangeiros, também ajuda na chegada dos gringos.

O ex-goleiro paraguaio Roberto 'Gato' Fernández atuou por seis anos no futebol brasileiro na década de 1990 e incentivou o filho, Gatito, atualmente no Botafogo, a fazer a mesma escolha. "O futebol brasileiro é muito competitivo e paga melhor do que qualquer grande clube do Paraguai. É um mercado que dá mais visibilidade para a Europa também", explicou.

Como os clubes nacionais costumam perder as revelações muito cedo para a Europa e a China, a estratégia tem sido repetir a fórmula com as revelações dos países vizinhos. "Nossa maneira de ver o futebol é alegre, bem parecida com a escola brasileira. Talvez por isso estamos conseguindo a adaptação", diz o colombiano Copete, um dos destaques do Santos.

Um detalhe interessante é que 74% dos estrangeiros atuam do meio para frente. "A liga brasileira é muito competitiva e exige que o jogador sempre dê o melhor", disse o meia peruano Cueva, do São Paulo.

Os grandes do futebol paulista se reforçaram com estrangeiros, inclusive da Europa. O inglês naturalizado turco Kazim Richards chegou ao Corinthians, o argentino Lucas Pratto está no São Paulo e os colombianos Hernández e Borja são de Santos e Palmeiras, respectivamente – o alviverde também trouxe o venezuelano Guerra.

A grande quantidade de forasteiros foi viabilizada por uma mudança de regras da CBF em 2014. A alteração aumentou de três para cinco o limite de atletas de fora do País que podem jogar numa mesma partida.

O gerente executivo da Chapecoense, Rui Costa, foi o responsável por protocolar na CBF o pedido para rever a limitação, ainda em 2013, quando estava no Grêmio. "Antes, olhávamos mais para Argentina e Uruguai. Agora, além de expandir os horizontes, estamos conseguindo disputar os principais jogadores com a Europa. Estamos estudando mais esse mercado", diz. Para ele, os estrangeiros precisam de acompanhamento próximo. "É preciso oferecer acompanhamento que vai desde o apoio dos funcionários até a conversa diária com o departamento de futebol. A barreira do idioma é um complicador e afeta outros profissionais que lidam com gestão de grupo." 

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