RODOLFO BUHRER /ESTADÃO
RODOLFO BUHRER /ESTADÃO

Clubes pedem melhor distribuição de receitas para oficializar apoio à Libra

Dirigentes dos times das Série A e B do Campeonato Brasileiro voltarão a se reunir na próxima semana na CBF e esperam encontrar um denominador comum para avançar com a criação da liga

Bruno Accorsi e Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2022 | 23h38

O apoio de 14 clubes à criação da Libra, potencial liga do futebol brasileiro, depende de negociações para definir uma distribuição de receitas considerada mais justa. A reivindicação foi confirmada na noite desta terça-feira, em uma nota de esclarecimento emitida em conjunto por América-MG, Atlético-MG, Athletico-PR, Atlético-GO, Avaí, Botafogo, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional e Juventude.

Apesar da presença em reunião realizada nesta terça-feira, em um hotel de São Paulo, nenhum representante desses times assinou o documento que prevê a criação da liga. Até agora, apenas Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo, Cruzeiro e Ponte Preta oficializaram o apoio.

No comunicado divulgado nesta segunda, os clubes não signatários do documento explicaram que a sugestão da criação da Libra foi bem recebida, mas alguns termos colocados não agradaram. A principal questão é a respeito da distribuição de renda, menos desigual que a colocada em prática atualmente, mas ainda injusta, segundo a avaliação dos dirigentes.

"O documento apresentado e por ora assinado apenas por alguns Clubes apresenta regras de distribuição de receitas que pouco reduzem a atual disparidade de divisão de receitas. Há sim ali uma redução da diferença, mas ainda aquém do ideal, o que pode ser facilmente atingido por meio do diálogo", diz um trecho do comunicado.

"Entre as várias questões a serem discutidas, os aspectos principais são o percentual previamente definido para a distribuição de receita igualitária, o limite a ser estabelecido como diferença de receita entre o primeiro e o último clube da competição. Há, ainda, outros pontos a serem debatidos, sobretudo no que tange ao critério de engajamento, mas que podem ser objeto de aprofundamento após o efetivo ingresso dos Clubes signatários na Liga”, completa.

Como mostra o texto, apesar da divergência, a possibilidade de entrar em um acordo sobre a distribuição é tratada com algum otimismo. Sem tal concessão, contudo, o andamento continuará travado. Uma nova reunião, marcada para o dia 12 de maio, pode trazer novas definições para o assunto.

“Os clubes signatários desta carta se dispõem a assinar a formação da Liga tão logo seja possível uma análise aprofundada sobre os critérios mencionados, além de outros, de menor impacto e que podem ser analisados no momento oportuno, mas igualmente importantes, razão pela qual confiam que, até a próxima reunião, com possíveis avanços no entendimento de solucionar tais pontos será possível chegarmos a uma adesão de Clubes em maior número e com isso a formalização da Liga com muita força e unidade”, afirmam.

A proposta da criação da liga é Codajas Sports Kapital. A LaLiga, que organiza o Campeonato Espanhol, em conjunto com as empresas XP e Alvarez & Marsal, é outra interessada na operação, com a qual acredita ser possível arrecadar 5 bilhões de euros (R$ 25 milhões) anualmente, e também enviou proposta. A outra oferta na mesa é a da LiveMode/1190, empresa que comprou os direitos de transmissão do Brasileirão para o exterior.

Segundo a ideia apresentada, o novo formato valeria somente a partir de 2025. Isso porque os contratos até 2024 já estão assinados. A CBF, por sua vez, ficaria responsável pelos jogos da seleção brasileira, Copa do Brasil e Copa do Nordeste.

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