DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Clubes podem assumir comando da CBF se ficarem unidos

Inclusão de times da Série B na votação pode mudar eleição

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2015 | 07h00

Um dos artigos do texto da MP 671 vai permitir que os clubes possam tomar o controle da CBF no futuro. Isso será possível a partir da ampliação do "colégio eleitoral'' da entidade. A partir da próxima eleição, os 20 clubes integrantes da Série B do Campeonato Brasileiro também terão direito a voto. Com isso, subirá para 67 o número de votantes. No ano passado, na eleição que deu a Marco Polo Del Nero o mandato de quatro anos que ele começou a cumprir em abril, votaram apenas os 20 clubes da Série A e os 27 presidentes das federações estaduais. E o dirigente teve 44 dos 47 votos – o Figueirense não compareceu e dois votos foram em branco.

O aumento do colégio eleitoral significa na prática que, se os clubes se unirem, poderão eleger o presidente. Isso porque terão 40 votos. É um número superior aos 27 votos das federações, que até a última eleição não precisavam do apoio de seus filiados para definir o vencedor.

No entanto, pelo menos no cenário atual, a união dos clubes parece algo distante – apesar de praticamente todos terem caminhados juntos e defendido os mesmos pontos de vista nas negociações para a formatação do texto da Medida Provisória do refinanciamento da dívida fiscal dos clubes. Isso porque, no âmbito geral, ainda prevalece a defesa dos próprios interesses. "O aumento (do número de votantes) é um avanço, mas não é suficiente, porque os clubes não conversam'', disse o diretor jurídico do Atlético-MG, Lásaro Cândido da Cunha.

Para o Bom Senso FC, o movimento dos jogadores, a ampliação do número de votantes é salutar. "Foi uma medida fantástica, muito importante. A gente sempre defendeu que os clubes devem ter o poder de gerir o futebol, e não as federações com suas estruturas arcaicas", afirmou o diretor executivo do Bom Senso, Ricardo Borges Martins. A adoção do sistema eleitoral que permite apenas uma reeleição para a presidência da CBF foi feita pela entidade em 11 de junho. Uma assembleia geral extraordinária alterou o estatuto, a partir de uma proposta elaborada pelo atual presidente, Marco Polo Del Nero.

No entanto, essa mudança só passará a valer a partir do próximo mandato, a ser iniciado em 2019 – a eleição poderá ser marcada para o primeiro semestre de 2018. Na prática, isso significa que Del Nero poderá ficar 12 anos no poder. Isso porque ele está cumprindo no momento o mandato de quatro anos para o qual foi eleito, pela regra antiga, e que termina somente em abril de 2019. Ou seja, poderá se candidatar a uma nova eleição por período de quatro anos e depois, com base na alteração do estatuto, à reeleição por igual período.

Com isso, Marco Polo Del Nero, atualmente com 74 anos, poderá legalmente ficar no comando da confederação até abril de 2027.

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