Clubes podem ter ajuda do governo

O ministro interino do Esporte e Turismo, José Luiz Portella, acenou hoje com a possibilidade de criação de linhas de financiamento para ajudar os clubes de futebol a saírem do vermelho."Não é doação", reparou Portella, logo após reunir-se com nove dirigentes de clubes. O ministro também ressaltou que o plano de desenvolvimento de futebol não significará anistia das dívidas dos clubes com a Receita Federal e a Previdência Social. Portella explicou que o socorro aos clubes não será uma reedição do Proer, programa federal de apoio aos bancos. Segundo ele, trata-se de um empréstimo normal que poderia ser tomado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou até mesmo de fontes internacionais, como o Banco Mundial. O ministro propõe que o financiamento seja vinculado à receita, ou seja, se o clube não honrar os compromissos deixará de receber novas parcelas do empréstimo. Mas para garantir o acesso a essas linhas, o clube precisará primeiro transformar-se em empresa ou contratar uma empresa para cuidar da parte administrativa. "Não vamos colocar dinheiro numa caixa-preta, falida, e sem contrapartida deles." O ministro, no entanto, reconhece que em nenhum lugar do mundo os clubes saíram de "situações difíceis" sem o patrocínio dos respectivos governos. Os dirigentes demonstraram interesse na proposta. Para o presidente do Vitória, Paulo Roberto Carneiro, "a intervenção federal é muito bem-vinda porque traz soluções para a profissionalização e transparência no futebol". Carneiro também comentou que os clubes devem aproveitar usufruir das propostas antes que o governo mude e se adote outra política para o setor. "Vamos deixar de nos preocupar, porque caminhamos no mesmo caminho e com o mesmo objetivo", endossou o presidente do Botafogo, Mauro Palmero. Antes da reunião de hoje prevalecia a crença de que o governo federal pretendia punir os clubes com a medida provisória de moralização do futebol. Palmero afirmou que o governo dará meios para os clubes pagarem suas dívidas. "A situação do Botafogo é precaríssima." Confortável com a situação "estável e tranqüila" do São Paulo, o presidente do clube, Marcelo Gouvêa, também considerou proveitosa a reunião de hoje. Todos os dirigentes prometeram apresentar sugestões dentro de uma semana. No encontro com o ministro, Gouvêa aproveitou para reclamar do tratamento que a Justiça do trabalho tem dado aos jogadores de futebol. Ele comenta que o trabalho em campo é atípico: há muitos jogos à noite e nos finais de semana. "Não é justo tratar o jogador de futebol como um trabalhador comum", criticou. Recebeu do ministro interino promessa de estudar o assunto.

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