Clubes prevêem "morte" dos pequenos

O prazo para a falência do Campeonato Paulista e das equipes do interior é de dois anos. Esta foi a conclusão dos presidentes de clubes de fora da capital após a reunião de nesta quarta-feira com o presidente Eduardo José Farah, na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF). No encontro, foi divulgado o novo calendário do futebol brasileiro e definido o número de times participantes do estadual, sem descenso em todas as divisões e acesso apenas na A1.Apesar de não ser oficial, o novo regulamento deve ser aprovado em uma outra reunião, que será realizada em agosto. Em todo caso, as regras são as seguintes: o Paulista abrigaria 12 equipes na Primeira Divisão, 12 na Segunda e 16 na Terceira. A fórmula de disputa seria idêntica em todas as categorias, com os times jogando entre si em turno único. Classificariam-se os quatro primeiros para um quadrangular, que definiria o campeão. Na A1, o detentor do título ainda faria um quadrangular com os três melhores paulistas do Torneio Rio-São Paulo, mas que, segundo a Federação, não valeria como final do Paulista. O campeão da A1 garantiria, ainda, vaga na Copa do Brasil e no Rio-São Paulo, substituindo o pior paulista desta última competição, que voltaria para o estadual. A Primeira Divisão teria: Rio Branco, São Caetano, União Barbarense, União São João, Mogi Mirim, Portuguesa Santista, Inter de Limeira, Matonense, Santo André, Juventus, Ituano e América.As fórmulas já causam controvérsias. "O interior não admite ficar sem enfrentar os grandes. Vamos esperar um ano de experiência, se o sistema for mantido, os clubes vão à falência", disse Frederico Pantano, presidente do Rio Branco. Seu clube, assim como o São Caetano, deve mesmo disputar o Paulista e não o Rio-São Paulo, como pleiteava. A alegação é de que ficaram em quinto e sexto lugares no estadual, respectivamente, o Guarani foi rebaixado e o Etti/Jundiaí promovido apenas este ano. "O Farah disse nas entrelinhas, que vamos disputar o estadual", comentou Pantano. "Fazer o quê? Eles fazem as festas em suas casas e convidam quem quiserem", lamentou.Já Nairo Ferreira de Souza, presidente do São Caetano, mantém as esperanças. "Ainda não definiram os clubes, estamos abertos para diálogo," disfarçou. Sobre o Paulista, detonou: "As mudanças podem ser o assassinato do futebol do interior." Palavras endossados por Ricardo Ribeiro, presidente do Botafogo. "Vamos sobreviver apenas nos dois primeiros anos, porque o Paulista está resguardado. Depois, não sei o que faremos."

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