FÁBIO GIANELLI/SOCCER DIGITAL
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Clubes reclamam de exigência feita para os estádios do Paulistão

Limites mínimos de capacidade são considerados exagerados

Almir Leite, Paulo Favero, Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2015 | 17h00

O Campeonato Paulista de 2015 teve média de 7.605 torcedores pagantes por jogo. Graças aos quatro principais clubes. Senão, a média cairia para pouco mais de 3, 5 mil e isso contando os jogos dos pequenos com os grandes. Ainda assim, a Federação manteve a exigência de um clube ter estádio para pelo menos dez mil pessoas como condição para disputar a Série A-1 em 2016. Na A-2, a capacidade mínima é de oito mil.

Essa exigência está obrigando o Água Santa a correr contra o relógio para adequar a arena de Diadema à capacidade determinada e, assim, poder jogar na elite pela primeira vez. Esperança que o Atibaia não tem mais na Série A-2. Precisaria ter um estádio para oito mil pessoas e, como o seu só comporta três mil, não poderá usufruir da vaga conquistada em campo.

Os clubes envolvidos lamentam. Mas tomam atitudes diferentes. O Água Santa, que enfrenta as consequências de um desabamento de parte das arquibancadas que pode atrasar de maneira fatal a reforma que está sendo feita no estádio do distrito de Inamar para deixá-lo apto para 10 mil pessoas, prefere não reclamar no momento. "Sabemos que a Primeira Divisão é um campeonato diferente de tudo que já vimos até agora", tem dito o presidente Paulo Sirqueira.

O Atibaia, condenado a permanecer na Série A-3, pois o estádio da cidade comporta apenas três mil pessoas e a prefeitura não se dispôs a ampliá-lo, é um pouco mais incisivo. "A Federação exige oito mil para um estádio da Série A-2, sendo que nunca iremos colocar isso no estádio. Nossa média de público é de 250 pessoas e, se aumentar a capacidade do estádio, vai ter um elefante branco. Que time coloca oito mil pessoas no estádio?", reclama o diretor esportivo, Leonardo Silvério.

Até quem não enfrenta esse problema, como outro caçula da A-1, o Novorizontino, considera dez mil um exagero. "Eu acredito que isso (o limite mínimo) poderia ser diminuído", diz o presidente Genival Rocha Santos. "Seria até mais prudente. É preferível você ter um estádio com capacidade menor que fique cheio do que um para dez mil que receba dois mil."

O clube de Novo Horizonte joga no estádio Jorge Ismael de Biasi, cedido pela família Biasi, e que tem capacidade para pouco mais de 13 mil pessoas.

Os presidentes, de maneira geral, lembram que quando um pequeno enfrenta um grande no Paulistão, muitas vezes o jogo é transferido para um palco maior. "Se chega numa A-1 e vai enfrentar o Corinthians, aí vai jogar em estádio com melhores condições", pondera Silvério, do Atibaia.

Defesa

A Federação defende a medida. "Exagerada? Era mais exagerada ainda, a exigência era de 15 mil, e de dez mil para a A-2. Nós baixamos", diz o coronel Marcos Marinho, diretor de prevenção e segurança da FPF. "O que a gente quer visa à qualidade, ao conforto e segurança do torcedor. O clube tem de investir nisso."

Ele garante que Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos vão jogar em estádios para pouco mais de dez mil pessoas, se eles estiverem aptos para receber a partida.

Detalhe: neste ano nem o campeão Santos (9.752) alcançou, em média, a capacidade mínima exigida. Apenas Corinthians (29.235), Palmeiras (28.913) e São Paulo (10.185) tiveram média superior a 10 mil pessoas. 

Estádios sob risco

Vários estádios correm risco de ser vetados, ou, o que é mais provável, interditados parcialmente para receber jogos do Paulistão. Os clubes estão em época de renovação dos laudos de utilização de seus estádios e têm de enviar à FPF laudos que atestem segurança em várias áreas e que são emitidos pela PM, Bombeiros, Vigilância Sanitária e por especialistas em engenharia.

Os laudos precisam ser entregues para serem encaminhados ao Ministério Público até o fim de dezembro. Os que estiverem fora das normas, serão interditados.

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