Coadjuvante, Brasil busca o bi diante da favorita Argentina

Sem contar com equipe considerada ideal, seleção quer repetir a conquista de 2004 na Copa América

Sílvio Barsetti, do Estadão, e Luís Augusto Monaco, do JT

14 de julho de 2007 | 23h18

Pela primeira vez, o futebol brasileiro chega a uma decisão de título como provável coadjuvante do espetáculo. É que neste domingo, na luta pelo troféu da Copa América, a arte está do outro lado, aos pés de Messi e Riquelme e de um jogo alegre e ofensivo praticado pela Argentina. Ao time de Dunga resta a esperança de que Robinho tenha mais uma jornada iluminada e possa equilibrar as forças. A partida começa às 18h05 (horário de Brasília), com transmissão direta da TV, e será disputada no Estádio Estadual de Zulia, na cidade de Maracaibo.A Argentina, assim como o Uruguai, já conquistou 14 vezes a Copa América. O Brasil está bem atrás - foi campeão do torneio apenas sete vezes. Na última edição, em 2004, no Peru, a seleção brasileira surpreendeu e, com um time misto, ganhou da Argentina, numa final emocionante, com um gol de Adriano nos acréscimos e a confirmação da vitória em cobranças de pênaltis.O técnico Dunga não escondeu a tensão durante a semana. Ele teve um revés, com a suspensão do volante Gilberto Silva, o capitão da equipe, e decidiu dar uma nova oportunidade a Elano, o ex-santista que brilhou no último jogo entre Brasil e Argentina, um amistoso em setembro do ano passado, em Londres, no qual a seleção venceu por 3 a 0, com dois gols do meia.Para Dunga, adepto de um esquema que privilegia a marcação, a Argentina é a favorita da decisão, pela campanha na Copa América. Em cinco jogos, o adversário venceu todos e marcou 16 gols, com média superior a três por partida. O técnico brasileiro evitou comparações entre Messi e Maradona, frustrando um jornalista argentino, e disse que Pelé e o ex-craque da seleção rival são mitos e inimitáveis.Nos quase 35 dias de convívio com o grupo, desde a apresentação em Teresópolis, região serrana do Rio, Dunga deixou clara sua opinião sobre jogar bonito e não vencer ou jogar feio e conquistar títulos. Para ele, a Copa do Mundo de 1994, na qual era o capitão do time do Brasil, é a maior referência. Como contraponto, cita a seleção de futebol exuberante de 1982, atingida como que por um raio numa partida eliminatória contra a Itália, num dia em que o atacante Paolo Rossi marcou três vezes.O temor de enfrentar uma equipe de futebol vistoso e objetivo não atinge Robinho, forte candidato ao título de artilheiro da Copa, com seis gols. Ele terá a companhia de jogadores de menor prestígio internacional, embora bem credenciados em seus clubes - a maioria atua na Europa. "É um clássico e por isso tudo pode acontecer. Estou bem confiante e sei que os brasileiros só esperam um resultado, o do título a nosso favor", declarou Robinho, ídolo na Venezuela entre crianças e adolescentes. A Copa América é um torneio bastante tradicional - a primeira edição foi disputada em 1916. A partir de 1987, quando foi disputada na Argentina, houve um rodízio de sedes entre os dez participantes da América do Sul. Esse revezamento se encerra agora, com a Copa na Venezuela. E existe a possibilidade de que o México possa vir a abrigar a próxima edição, embora a Argentina esteja na frente da fila.BRASIL X ARGENTINABrasil - Doni; Maicon, Alex, Juan e Gilberto; Josué, Mineiro, Elano e Júlio Baptista; Robinho e Vagner Love. Técnico: Dunga.Argentina - Abbondanzieri; Zanetti, Ayala, Gabriel Milito e Heinze; Mascherano, Verón, Cambiasso e Riquelme; Messi e Tevez. Técnico: Alfio Basile.Árbitro - Carlos Amarilla (Paraguai).Horário - 18h05 (de Brasília).Local - Estádio Estadual de Zulia, em Maracaibo (VEN).

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