Ricardo Duarte/Inter
Ricardo Duarte/Inter

Jogadores coadjuvantes ganham espaço e viram destaques do Brasileirão

Thiago Galhardo e Marinho, artilheiros do torneio, evoluem e viram protagonistas no primeiro turno

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2020 | 08h00

O primeiro turno do Campeonato Brasileiro termina no próximo final de semana marcado pela ascensão de jogadores que eram apenas coadjuvantes. Eles não são craques, mas evoluíram do pontos de vista técnico e tático e viraram peças centrais dos seus clubes. Estão na lista, por exemplo, o artilheiro do torneio, Thiago Galhardo (Inter) e os atacantes Marinho (Santos) e Keno (Atlético-MG).

Aos 31 anos, o meia Thiago Galhardo representa um exemplo dessa marca do Brasileirão. Em uma década, ele passou por 16 clubes. Entre os principais títulos está a Taça Guanabara com o Vasco em 2019. Hoje, ele é o artilheiro da competição com 15 gols em 17 jogos. Na temporada, foram 20 gols em 37 partidas. Ele ainda lidera o elenco em assistências: são nove no ano. O principal jogador do líder do Brasileirão vive o melhor momento de sua carreira.

“Acontece dessa forma. Muitas vezes, (o jogador) anda por vários clubes e se identifica com determinado clube. Pelo que tem desempenhado e, em termos de entrega, o Thiago casou com o Inter”, avalia o diretor executivo do Inter, Rodrigo Caetano, que já iniciou as conversas para tratar da renovação de contrato com o destaque de 31 anos.

Marinho vive trajetória semelhante no Santos. Domingo, ele completou seu 50º jogo com a camisa do clube. Ele também vive a melhor fase de sua carreira – o Santos é o clube no qual mais marcou gols. Foram 24 até agora. Ele é o vice-artilheiro do Brasileirão, com 10 gols marcados, atrás exatamente de Galhardo. Reconhecido por seu perfil irreverente, o camisa 11 deixou de lado os memes nas redes sociais para se tornar peça fundamental no esquema tático do Santos. “Não sei se o Santos vive uma dependência do Marinho, mas o elenco tem algumas lacunas”, diz o técnico Cuca após a derrota para o Fluminense.

Antes de chegar ao Atlético Mineiro, indicado por Jorge Sampaoli, o atacante Keno era uma aposta. Depois de boas temporadas pelo Palmeiras em 2017 e 2018, o atacante de 31 anos foi vendido para o Pyramids, do Egito. Meses depois, o atacante foi emprestado ao Al Jazira, dos Emirados Árabes. Foram quase dois anos longe do futebol de alto nível. A aposta deu certo. Em 19 de setembro, fez três gols na vitória por 4 a 3 sobre o Atlético Goianiense, pelo Campeonato Brasileiro. Na semana seguinte, o atacante repetiu o feito no triunfo por 3 a 1 sobre o Grêmio. Hoje, ele tem 8 gols.

Na opinião do ex-jogador Neto, hoje apresentador da Band, os coadjuvantes vão se revezar como destaques em função do declínio técnico do futebol brasileiro nos últimos anos. “É por isso que coadjuvantes vão sempre se revezar como destaque. Sempre vai surgir um ou outro. Não vejo nenhum grande craque aqui. Longe disso. O Flamengo tem sim grandes nomes, mas só. Esse time do Inter está caminhando mais na base da tática do (técnico) Coudet do que outra coisa. O Galhardo está inspirado para fazer gols, mas descobri que ele tem quase 30 anos. Ou seja, já está caminhando para o fim da carreira”, afirma.

O desempenho de Galhardo e Marinho vem chamando a atenção do técnico Tite, mas ele indica que a concorrência é dura com os jogadores que atuam no exterior. “Tem muita concorrência em diferentes setores da equipe. Marinho faz parte de uma série de jogadores que têm se destacado no Brasileirão, assim como Galhardo. Na concorrência, tu tens a busca por uma projeção, histórico na seleção. Ele compete com Neymar, Richarlison, Cebolinha, Vinicius Junior, Rodrygo... É uma função em que temos ótimas opções. A gente tem escolhas em função da concorrência”, disse o treinador em entrevista ao SBT.

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