COI e Fifa: medidas contra morte súbita

Especialistas do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Fifa e de outras federações aprovaram nesta sexta-feira uma série de recomendações para tentar evitar as mortes que tem ocorrido em vários esportes. As sugestões serão agora distribuídas a todas as entidades esportivas, mas a Fifa já anunciou que irá pedir que as medidas sejam aplicadas em todas as federações nacionais. Os cartolas do futebol mundial também anunciam que exigirão, na Copa do Mundo da Alemanha de 2006, que todos os jogadores sejam examinados de forma detalhada antes de serem autorizados a participar do evento. Os especialistas, porém, optaram por não apresentar recomendações sobre como realizar o tratamento uma vez que o atleta tenha sofrido o problema de saúde no campo e não chegam a questionar métodos de treinamento, número de jogos e nem mesmo exigências físicas impostas.Segundo os estudos internacionais, a taxa de ataques cardíacos entre os esportistas é três vezes maior que entre a população que não é atleta. Além disso, as paradas cardíacas representam 90% das mortes de esportistas, embora apenas a minoria tenha sido causada pelo esforço físico exigido no esporte.Com as medidas recomendadas, a esperança do COI é de que os clubes e federações consigam identificar os atletas que correm risco de vida antes que entrem em campo. As sugestões estão divididas em fases. Em primeiro lugar, os especialistas recomendam que uma avaliação seja feita sobre o estado de saúde do atleta e sugerem um questionário com mais de 20 itens. O COI quer saber, nesta fase, se o atleta sofre de dores, se desmaia e outros aspectos que poderiam identificar algum problema.Caso as respostas indiquem alguma anomalia, a segunda fase é uma investigação sobre possíveis casos de ataques cardíacos na família do atleta. A etapa seguinte consiste em realizar exames físicos e de diagnósticos, concluindo o processo com exames como eletrocardiogramas."As recomendações vão diminuir os riscos de ataques cardíacos. Se conseguirmos isso, vamos salvar vidas. Mas temos que entender que risco zero não existe, nem no esporte nem em outras atividades humanas", afirma Patrick Chamasch, diretor médico do COI.FUTEBOL - A Fifa, que tem sido pressionada a tomar medidas para evitar as repetidas mortes no futebol, foi a primeira a apontar que apoia a iniciativa. "Temos visto um número demasiado de incidentes trágicos de mortes súbitas no futebol devido a problemas cardíacos. Esperamos que essas medidas de prevenção nos ajudem a colocar um fim nisso", afirmou Joseph Blatter, presidente da Fifa.Mas membros de equipes médicas que participaram da reunião desta sexta-feira admitem que as entidades deixaram de tocar em alguns dos principais temas, como a assistência a alguém que sofra um acidente cardíaco em campo. Segundo fontes consultadas pelo Estado, o COI e a Fifa evitaram tocar nesses pontos diante da impossibilidade de exigir que clubes e federações com poucos recursos possam adquirir equipamentos para salvar vidas de atletas.

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