Coincidência com 2002 explica sucesso santista

Emerson Leão convive com situação parecida com a de 2002: sem dinheiro e jogadores desconhecidos

Sanches Filho, Especial para O Estado de S. Paulo

09 de maio de 2008 | 18h53

 Fernando Vergara/AP Emerson Leão encara desafio parecido com o de 2002, quando o Santos foi campeão do BrasileirãoSANTOS - Como se explicar a enorme transformação do Santos em menos de três meses? Quando perdeu do Rio Preto (o lanterna, naquele momento), por 2 a 1, em São José do Rio Preto, no dia 17 de fevereiro, o time era candidato ao rebaixamento no Campeonato Paulista. Parte da torcida exigia a dispensa do ex-corintiano Betão e pedia a cabeça de Leão. Veja também: Santos escala time misto para enfrentar o Flamengo Guia de clubes do Campeonato BrasileiroAgora, depois de eliminar o Cúcuta Deportivo, da Colômbia, com duplo 2 a 0 nas oitavas-de-final da Copa Libertadores, é apontado como um dos candidatos mais credenciados a adversário do Boca Juniors em uma provável final da competição."Quando um time tem consciência de suas limitações, o trabalho fica mais fácil", explica Leão, sempre lembrando que, como em 2002, encontrou o Santos sem dinheiro para repor perdas e fazer um mínimo de investimentos na contratação de reforços. "Felizmente, houve uma grande melhora no relacionamento e foram superados os problemas internos."A falta de dinheiro e a contenção de despesas não são as únicas semelhanças entre o Santos de 2002, que saiu do nada para ser campeão brasileiro e ainda revelou uma geração de craques, com Robinho e Diego à frente. Agora, como em 2002, o pacto com os jogadores foi o passo mais decisivo para a mudança. As insinuações do técnico de que seu trabalho estava sendo sabotado por alguns jogadores deram lugar a um entendimento de baixo para cima. "Os jogadores mais experientes, como Kleber, Fábio Costa, Rodrigo Souto e eu, decidiram que era preciso mudar. Não podíamos continuar fazendo certas coisas", revelou Kleber Pereira. Percebendo que não conseguiria nenhum reforço, Leão fechou com o grupo."Não adianta eu me iludir porque não há condições para contratações. A situação é grave porque o clube tem uma dívida com banco (R$ 42 milhões). Em 2002, a dívida era com o presidente e, portanto, o clube não pagava juros bancários. E no fim do ano teve um grande número de jogadores para vender. Hoje você olha para o grupo de mais de 30 jogadores e não vê nenhum que possa ser vendido. Talvez Wesley venha a ser a salvação da lavoura", analisa o treinador. E a falta de opções levou Leão a improvisar Betão na lateral-direita, a apressar a estréia do experiente Fabão, além de moldar Wesley para ser um jogador de múltiplas funções, compensando a falta de vocação para marcar de Molina. O resultado é o Santos competitivo que por pouco não se classificou às semifinais do Paulistão e que vai bem na Libertadores.

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