Omar Paredes/Estadão
Omar Paredes/Estadão

Com 20 mil flamenguistas, Lima tem pagode e invasão brasileira antes da final

Capital peruana recebe torcedores que encararam até conexão aérea nos Estados Unidos para chegar ao local da decisão da Libertadores

Omar Paredes, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2019 | 15h30

A tranquilidade habitual de Lima mudou repentinamente com a chegada dos torcedores do Flamengo para a final da Copa Libertadores, contra o River Plate, marcada para sábado. Ao som da batucada e do funk urbano carioca, os dias que antecederam a decisão foram uma festa incontrolável. A invasão rubro-negra surpreendeu a todos na capital peruana e contagiou a capital peruana, que assistiu fascinada pela explosão de tanta paixão.

Os mais de 20 mil torcedores que chegaram de avião e pela estrada ao Peru transformaram as ruas do distrito turístico de Miraflores em um epicentro de pagodes pitorescos. Grupos de amigos e famílias incentivados pela aventura vieram de vários estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Acre, Tocantins, Paraná e principalmente do Nordeste brasileiro. Embora eles também tenham chegado de terras distantes como a Suíça, os Estados Unidos e até a Austrália. Não há distância quando se trata de amor ao Flamengo.

É o caso dos membros da torcida 'Flaozzy', fundada há 8 anos em Sydney, na Austrália, com residentes brasileiros na terra dos cangurus. Apesar da distância e das horas que eles tiveram de viajar, todos não puderam perder esse grande evento. Rafael Ferrari é um dos dez membros que espera celebrar o título no Peru.

"Sempre seguimos o Flamengo no Campeonato Brasileiro, mas estar aqui é uma coisa maravilhosa, nunca tinha visto algo antes como torcedor do Flamengo. Estou certo de que vamos vencer em Lima e já estou vendo os ingressos para a Copa do Mundo de Clubes do Catar", afirmou.

Antônio e Anderson Lima chegaram do Rio de Janeiro, continuando a tradição que começou 29 anos atrás. O pai transmitiu o amor pelo Flamengo desde cedo e eles não deixaram de viver aventuras em cada lugar que eles viajam. Antônio esteve presente na consagração da América em 1981 e Anderson, que só ouviu isso através de histórias, agora pode vivê-lo pessoalmente.

"Essa equipe campeã do Zico foi muito boa. Jogava bola como poucas equipes que me lembro, mas a equipe deste ano também é boa. Tenho muita fé de que faremos o sonho de se tornar campeão novamente e meu filho poderá ver a mesma coisa que vivi há 38 anos", diz o torcedor carioca.

Conexão nos Estados Unidos

Chegar à capital peruana foi uma verdadeira travessia para algums torcedores que fizeram passeios intercontinentais. É o caso de Igor Ajuz, que não encontrou voos diretos e teve de viajar por mais de um dia para estar presente na grande final. Seu fiel companheiro é um boneco 'Gabigol', um amuleto que está com ele em todos os lugares desde o início da temporada.  

"Viajei 26 horas para chegar a Lima porque viajei pela primeira vez a Miami, Estados Unidos, para encontrar uma conexão com Lima. Gastei mais de R$ 4 milpara participar dessa partida histórica e tive que pedir uma permissão especial ao meu chefe, que é basco, mas ele entendeu a situação. No entanto, o Flamengo vale todo esse esforço", disse ele com um sorriso.

Apoio corintiano

Branco Oliveira nasceu em Ribeirão Preto e, apesar de ser fanático do Corinthians e carregar orgulhoso o escudo alvinegro pelas ruas de Lima, ele também chegou para torcer pelo Flamengo. O engraçado é que esse paulista de 58 anos, moran na cidade norte-americana de Nova Jersey, fez parte da invasão corintiana no Japão que culminou com o título no Mundial de Clubes, em 2012. Na capital peruana, ele diz que está vivendo um ambiente similar.

"O fato de ser corintiano e cercado de fanáticos rubronegros é explicado apenas pela paixão pelo futebol brasileiro. Eu vim com meu cunhado que é torcedor do Flamengo e o que é vivido nesse grande evento é único. Estamos incentivando o Brasil, como eu vivi em 2012 con Corinthians, e não importa a cor da camisa que você está vestindo", revelou.

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