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Com a Macaca!

A Ponte ignorou o Palmeiras, chega à final e levará temor para outro grande paulista

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2017 | 03h00

As comadres do Bom Retiro tinham resposta na ponta da língua quando alguém invocava ajuda divina em situação aflitiva. “Bello, Deus diz ‘Ajuda-te que te ajudo’”. Sabedoria simples e direta, que condicionava o auxílio Superior à contrapartida do esforço do crente. Ou seja, não haveria força do Altíssimo se o sujeito não fizesse a parte que lhe cabia no milagre.

A recomendação intuitiva das matronas encaixa-se à perfeição ao que foram os dois duelos entre Palmeiras e Ponte, nas semifinais do Paulistão. O lado alvinegro aplicou-se, esforçou-se, teve qualidade e eficiência, sobretudo ao ganhar com folga o jogo da semana passada em Campinas. Naqueles 3 a 0, pôs os pés na decisão. A turma verde mostrou-se indolente, dispersiva, insossa como visitante e vislumbrou a queda quase inevitável.

E não deu outra, na noite de ontem. Mesmo com o Allianz cheio, com a torcida palestrina a acreditar na reação, numa arrancada histórica, a vaga para a disputa do título bateu asas de vez. 

Ok, houve a vitória por 1 a 0 – que serve, apenas, para estatísticas e nada além disso. Na prática, o que se viu, de novo, foi a Ponte prática, equilibrada, fechada e segura da situação. O Palmeiras tentou, correu bem mais do que seis dias atrás, porém esbarrou na ansiedade, na economia nas finalizações. E pior: na ausência de ousadia, de criatividade. Passou a semana com treinos fechados para quê? Pagou caro pela presunção de sucesso sem suor.

O Palmeiras ficará sob pressão – e não costuma ser diferente, após uma decepção. A Ponte mantém o sonho de conquista inédita, e provocará apreensão ao adversário, seja Corinthians, seja São Paulo. A Macaca está prosa, com razão, com justiça e com bola cheia.

FUGIR DO MICO

Faltam dois meses e uns quebrados para o encerramento do primeiro semestre e ao menos um dos grandes paulistas hoje mesmo já enfrentará onda de decepção e pressão, quase semelhante à do Palmeiras. O clássico entre Corinthians e São Paulo, historicamente importante por si só, assume valor adicional, além apontar o rival da Ponte: o perdedor ficará com tremendo mico nas mãos na parte inicial do calendário de 2017. 

Os dois entrarão em campo, em Itaquera, com o peso da eliminação na Copa do Brasil. Embora nenhum tenha sido derrotado, a vitória tricolor diante do Cruzeiro e o empate alvinegro com o Inter não serviram bulhufas para a permanência na corrida por título nacional. A dupla não teve o gosto nem de avançar para as oitavas.

Como só um prosseguirá no Paulistão, é inevitável que aumenta a responsabilidade para o Majestoso. Muita gente estará sob análise assim que a bola deslizar. A começar por Rogério Ceni e Fábio Carille. Os técnicos novatos dividem opiniões. O corintiano topou com forte desconfiança na largada da competição. A sucessão de 1 a 0 a favor e o avanço em três frentes – incluída a Sul-Americana – fizeram com que o clima amainasse. A poeira voltou a subir com a desclassificação nos pênaltis no meio da semana.

O Mito são-paulino teve arrancada mais favorável pelo histórico como astro do gol. A equipe mostrou ousadia no ataque e instabilidade na defesa. Mesmo assim, também progrediu nos três desafios. A queda recente de desempenho, algumas escolhas estratégicas nem sempre acertadas e turbulência no rendimento também lhe valeram críticas. Ainda pouco ostensivas; de qualquer forma, há narizes torcidos. Como atenuante, resta a postura valente nos 2 a 1 de Belo Horizonte. Nisso se apegam todos no Morumbi para acreditar na possibilidade de anular os 2 a 0 e seguir adiante.

E, sem presunção, não descartaria hipótese de vitória tricolor na casa corintiana. Certamente, será uma tarde para grandes cenas. 

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