Divulgação/Palmeiras
Divulgação/Palmeiras

Com aluguel a R$ 15 mil, Araraquara faz interior voltar a receber clássico após sete anos

Jogo entre Palmeiras e São Paulo na Fonte Luminosa retoma tradição de grandes jogos longe da capital

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2020 | 17h00

O futebol paulista resgata neste domingo, a partir das 16h, a tradição de levar para fora da capital os jogos entre os quatro principais clubes do Estado. O encontro válido pelo Campeonato Paulista entre Palmeiras e São Paulo na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, marca o retorno dos clássicos ao interior após sete anos, com um grande diferencial em comparação às outras ocasiões. Será a primeira partida com torcida única. 

 A última vez em que os quatro principais clubes do Estado não se enfrentaram na capital ou na Vila Belmiro, em Santos, foi justamente em Araraquara. Pelo Campeonato Brasileiro de 2013, Corinthians e Santos empataram por 1 a 1. Já entre Palmeiras e São Paulo, os dois últimos jogos em outras cidades foram em 2012: um em Barueri e outro em Presidente Prudente.

Segundo levantamento feito pelo Estado, em toda a história os maiores rivais do futebol paulista jogaram 47 vezes fora de São Paulo ou de Santos. A maior parte dos confrontos foi na década de 1990, quando 20 clássicos foram disputados em território "caipira" por diferentes campeonatos.

A incursão dos times grandes pelo interior de São Paulo se deu por motivos variados. Houve casos de falta de opção na capital por questões de segurança ou por obras em estádios e até o esforço das prefeituras em atrair os clubes. Um exemplo disso ocorreu em Presidente Prudente, local de seis clássicos entre 2009 e 2012. A cidade se encarregava de pagar o transporte e hospedagem dos times, fora repassar a renda da bilheteria.

No caso do clássico deste domingo, Araraquara foi uma solução alternativa. O mandante, Palmeiras, está com o Allianz Parque em obras para a instalação da grama sintética e recorreu primeiramente ao Pacaembu. Sem acordo financeiro com os novos responsáveis pela concessão privada do antigo estádio municipal, o clube recorreu ao interior e escolheu a cidade pela grande concentração de palmeirenses.

Para o secretário municipal do Esporte e Lazer de Araraquara, Everson Inforsato, a procura do Palmeiras para reservar o estádio foi uma surpresa. "Eu penso que ajudou muito a nossa relação com o Palmeiras por termos sido a casa do time na Copinha nos dois últimos anos. Nós sempre recebemos bem e tivemos elogios sobre as instalações", disse ao Estado

O preço do aluguel também é vantajoso. Se no Pacaembu o valor não sairia por menos de R$ 35 mil, jogar na Fonte Luminosa será até 60% mais barato. "O aluguel pode chegar até a R$ 15 mil. Com o valor, vamos comprar mais grades para ajudar na orientação e organização do público", contou o secretário. Por questões de segurança, a partida deste domingo terá somente torcedores do Palmeiras, para cumprir a determinação das autoridades estaduais em vigor desde abril de 2016.

O técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, disse não se importar em jogar no interior. "Em 2004, fui campeão Brasileiro pelo Santos jogando oito jogos fora de casa. Você tem que estar preparado para ganhar, independentemente de onde vai jogar", disse.

HISTÓRICO

O passado dos clássicos no interior guarda capítulos importantes do futebol paulista. Um dos principais foi a final do Estadual de 1995, entre Corinthians e Palmeiras. Com o Pacaembu e o Morumbi em reformas, Ribeirão Preto recebeu os dois jogos da decisão, vencida pelo clube alvinegro.

Apesar de ter sido disputado por pontos corridos, o Estadual de 2005 teve a definição com um clássico no interior. O São Paulo garantiu o título ao empatar como visitante com o Santos por 0 a 0 em Mogi Mirim. O interior foi ainda o local do primeiro gol de Ronaldo pelo Corinthians, em 2009. O jogador marcou de cabeça no empate por 1 a 1 com o Palmeiras em Presidente Prudente, pelo Campeonato Paulista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.