2016.04.13
2016.04.13

Com arbitragem polêmica, Atlético de Madrid elimina o Barça

Catalães reclamam de pênalti não marcado no fim do jogo

Estadão Conteúdo

13 de abril de 2016 | 17h49

Invicto por 39 jogos, o Barcelona parecia imbatível na caminhada rumo aos títulos do Espanhol e da Liga dos Campeões. Em apenas 11 dias, o barco naufragou. Numa atuação irreconhecível do trio MSN - Messi, Neymar e Suárez -, o Barça perdeu do Atlético de Madrid por 2 a 0 nesta quarta-feira no Vicente Calderón e viu o rival avançar às semifinais da principal competição europeia. Desde 2008, é só a segunda eliminação dos catalães antes das semifinais da Liga. A de 2014 também foi para o Atlético nas quartas de final.

O Barcelona ainda vai reclamar muito dessa eliminação, porque aos 45 minutos o árbitro italiano Nicola Rizzoli, que apitou a final da última Copa do Mundo, deixou de dar um pênalti quando Gabi desviou com a mão um passe dentro da área - o juiz errou e marcou falta fora. O Atlético pode se defender alegando que Iniesta, que tentava a jogada, não deveria estar em campo. Deveria ter sido expulso no pênalti que fez pouco antes, aos 40, também colocando a mão na bola dentro da área. Ambos só receberam o amarelo.

Nos últimos quatro jogos, o Barcelona sofreu três derrotas. Caiu diante do Real Madrid (no Camp Nou e com um jogador a mais) e para a Real Sociedad no Campeonato Espanhol, vindo sua vantagem sobre o Atlético cair de nove para três pontos, apenas. Na Liga dos Campeões, só virou sobre o time de Diego Simeone na partida de ida, em Barcelona, semana passada, por 2 a 1, porque Fernando Torres foi expulso ainda no primeiro tempo.

Já o Atlético de Madrid de Diego Simeone, ao seu modelo de marcar muito bem no campo de defesa e atacar com objetividade, está na semifinal pela segunda vez em três temporadas. Em 2014, foi vice-campeão, perdendo do Real Madrid. Agora, pode encontrar o arquirrival na semifinal. Real, Bayern de Munique e Manchester City também estão classificados. O sorteio será na sexta-feira.

O JOGO

A ordem para molhar o gramado antes do apito inicial indicava que o Atlético de Madrid não queria que a bola rolasse com facilidade. Mas isso, na escola Simeone, não significa abdicar de jogar. O time da casa mandou no jogo desde o primeiro minuto, ocupando os espaços defensivamente. Na base do cruzamento também é possível vencer.

O Atlético acredita tanto nisso que a primeira chance de gol foi num cruzamento de Juanfran. Griezmann escorou e Gabi mandou por cima. Na segunda, o mesmo estilo: de Filipe Luis para Griezmann, que exigiu trabalho de Ter Stegen.

Com 15 minutos, o Barcelona tinha quase 80% de posse de bola, mas não havia sequer ameaçado o gol de Oblak. Godín, Augusto Fernández e Filipe Luis não deixavam os compatriotas Suárez, Messi e Neymar jogarem. Se o Barça tinha dificuldade de passar pela primeira linha de marcadores do Atlético, ultrapassar a segunda e última parecia impossível. Tanto que a única chance do Barcelona em todo o primeiro tempo foi num chute de longe de Neymar, que Oblak pegou.

Como de costume, o Atlético jogava por uma bola, e preferencialmente uma bola alta. Era acertar uma jogada. E foi isso que aconteceu aos 35 minutos. Saúl cruzou de trivela, na cabeça de Griezmann. No primeiro pau, o francês virou bem o corpo e cabeceou sem chances para Ter Stegen. Um lance perfeito para abrir o placar.

Quem esperava por um Barcelona elétrico depois de um choque do técnico Luis Enrique no intervalo viu o Atlético voltar melhor e mais perigoso para a segunda etapa. Em 10 minutos os donos da casa criaram três chances reais, com direito a uma bola de Saúl no travessão aos 10.

Só aí que o Barcelona acordou e passou a pressionar com mais intensidade. O Atlético recuou suas duas linhas de marcação, colocando uma dentro da área e outra na altura da meia-lua. Isso fez com que a linha de passe do Barça se aproximasse da área, ainda com muita dificuldade para superar essa barreira. Uma parede que funcionava por cima, por baixo, nas bolas enfiadas ou nos cruzamentos. Quando o Barça encontrava qualquer espaço, parava em Oblak.

O insucesso foi irritando o ataque do Barcelona. Primeiro Suárez acertou uma cotovelada no compatriota Godin. Depois, Neymar atropelou Juanfran por trás. Os dois receberam cartão amarelo e entraram na onda de nervosismo que só fazia bem ao Atlético.

Para Iniesta, o amarelo ficou barato. Aos 41 minutos, ele cortou com a mão, de forma proposital, o passe de Filipe Luis para Griezmann dentro da área - o brasileiro havia dado um rolinho em Piqué na jogada. O pênalti deveria ter sido punido com o vermelho. Não foi, mas valeu o segundo gol do Atlético, o segundo de Griezmann. Ter Stegen acertou o canto, mas não pegou a bola.

Quando o Barcelona foi para o tudo ou nada, Gabi cortou com a mão uma bola enfiada por Iniesta. O volante estava com o pé fora da área, o corpo sobre a linha, mas a mão dentro da área. O árbitro não deu o pênalti. Messi cobrou a falta, mas mandou por cima, encerrando uma atuação apagadíssima do melhor do mundo.

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