Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Com até vuvuzela, mais de cem pessoas comemoram vitória do Brasil em cinema

Torcedores encheram sala na zona sul de São Paulo para assistir ao triunfo sobre a Sérvia

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2018 | 17h53

Reclamar, gesticular e até berrar não só era permitido como quase regra nesta quarta-feira, 27, em uma sala de cinema da zona sul da cidade de São Paulo. Em vez de algum blockbuster, as mais de cem pessoas que ocupavam as poltronas estavam ali por outro motivo: torcer pela vitória e a classificação do Brasil para as oitavas de final na Copa do Mundo da Rússia. Deu certo: 2 a 0 sobre a Sérvia.

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Como em uma sessão de cinema normal, as fileiras mais disputadas foram as centrais. No escurinho, o público é variado: casais, famílias, grupos de amigos e pessoas desacompanhadas, de crianças a idosos. Para isso, enfrentaram trânsito intenso na Marginal do Pinheiros e outros pontos perto dali, no Cinemark do Shopping Market Place. O verde e amarelo era predominante. 

“Vamos”, gritava um rapaz, enquanto seu colega de poltrona lamentava a saída do lateral Marcelo logo nos primeiros minutos da partida contra a Sérvia. Nos momentos de jogo mais parado, os lamentos e os barulhos de vuvuzela cessavam e restava apenas o som de pipoca sendo mastigada. “Ai, meu Deus do céu”, lamentou um torcedor sobre um gol perdido pelo volante Paulinho, enquanto outro gritou logo depois: “Boa, Miranda”, sobre uma jogada mais agressiva do zagueiro brasileiro em cima de um sérvio. 

Aos 35 minutos, Paulinho se aproximou da pequena área e encobriu o goleiro sérvio. “Aeeeeeeeeee”, vibraram os torcedores, quase todos de pé, no primeiro gol brasileiro. Não foi possível mensurar o volume de pipoca e refrigerante desperdiçados nesse momento (e no gol seguinte, do zagueiro Thiago Silva), embora vestígios fossem evidentes ao fim da sessão. 

O engenheiro Frederico Mouradi, de 38 anos, foi ao cinema com os filhos Pedro, de 5, e Duda, 3, além da esposa, a dentista Viviane, de 38 anos. Eles estavam em grupo, junto de familiares e amigos, totalizando 13 pessoas, que ocupavam a metade de duas fileiras. “Muito legal a galera torcendo junto”, diz ele, que levou uma hora de carro da Saúde até o Morumbi, dobro do tempo usual.

Já o agente de vendas Kleiton Vasconcelos, de 26 anos, enfrentou trem e metrô lotados desde a estação Ana Rosa até o cinema. Acompanhado do irmão e da cunhada, gesticulou durante grande parte da partida. “É diferente, mas a emoção é a mesma”, comenta o rapaz, trajado com a camisa da seleção. 

Moradores do entorno, o empresário Luca Tundisi e a engenheira Isis Reis, ambos com 27 anos, escaparam do trânsito e foram a pé até o cinema. “A gente veio ver um filme aqui há umas duas semanas e ficou sabendo que iria ter”, contam. Eles não abriram mão da pipoca e do refrigerante, mas não hesitaram na hora de reagir aos avanços do Brasil e da Sérvia. “O legal é fazer barulho’, diz Luca. 

Entre risos, palmas e muitos lamentos com a mão na cabeça, também teve quem mal sentou para assistir à partida. Disposto na última fileira, o estudante Felipe Matheus Faria de 16 anos, cantou como se estivesse assistindo ao jogo diretamente na Rússia. “Aqui teve torcida mesmo, como se fosse um estádio dentro sala” comenta o garoto, que veio de trem do Campo Limpo, também na zona sul, acompanhado de três amigos.

Ao fim da partida, o “Vai, Ney”, “Tira, tira daí” e o coro de um “Ooolé” viraram “Vem, México!”, em alusão ao adversário brasileiro na próxima fase. “Aqui é Brasil”, repetiam alguns garotos ao fundo.

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