Com atrasos nas obras da Arena da Baixada, Curitiba pode ficar fora da Copa

Em visita ao canteiro de obras, Jérôme Valcke dá prazo até 18 de fevereiro para trabalhos avançarem

Julio Cesar Lima, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2014 | 16h06

Curitiba – Os atrasos no cronograma de obras da Arena da Baixada, do Atlético Paranaense, podem custar o status de Curitiba como cidade-sede da Copa do Mundo, caso as obras não evoluam até o dia 18 de fevereiro, quando as seleções iniciam suas visitas às sedes. A data é considerada limite para que o clube se adapte ao cronograma da entidade. A menos de cinco meses da abertura do Mundial, os trabalhos no estádio estão 88% concluídos.

A ameaça foi feita pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, durante entrevista coletiva na sede da Federação das Indústrias do estado do Paraná (Fiep), em Curitiba. Pela manhã, o dirigente realizou uma visita às obras do estádio juntamente com integrantes do COL. Questionado sobre a situação do estádio, ele considerou as obras muito atrasadas. "O que dizer? A questão é delicada. Sejamos francos e diretos. Como devem saber, a situação atual do estádio não é do nosso agrado. Não apenas está muito atrasado, mas foge a qualquer bom cronograma de entrega da Fifa para o uso", afirmou Valcke. 

 

Segundo o secretário-geral, a partir de agora, a Fifa trabalhará em vários níveis. A fiscalização do entidade e do COL, por sua vez, será diária. A ideia é ver o que pode ser feito até o dia 16 de junho, data do confronto entre Irã e Nigéria.

 

Os atrasos na Arena da Baixada são recorrentes. Os trabalhos no local estão em andamento desde novembro de 2011. À época, cogitava-se até a participação de Curitiba na Copa das Confederações. Com dificuldades em cumprir o cronograma, o prazo de entrega foi adiado em 12 meses. Dessa forma, o estádio do Atlético-PR seria entregue à Fifa em dezembro do ano passado.

 

Em outubro, as obras do estádio foram interditadas pela Justiça do Trabalho devido a 208 infrações a regras de segurança de trabalho. De acordo o Atlético-PR, a montagem das duas vigas principais da estrutura metálica da cobertura está concluída. A instalação das vigas secundárias ainda está em execução. No momento, as peças de policarbonato são colocadas na reta da Getúlio Vargas e Brasílio Itiberê. Já os pilares metálicos que farão parte da sustentação da cobertura estão completos em todos os setores. Os trabalhos no futuro gramado começaram na semana passada.

 

Além de Irã e Nigéria, a Arena da Baixada será palco dos confrontos Honduras e Equador (no dia 20 de junho), Austrália e Espanha (no dia 23) e Argélia e Rússia (dia 26), todos válidos pela primeira fase da Copa. O estádio não receberá jogos na sequência da competição.

 

CUSTO

A Arena da Baixada custará R$ 265 milhões. No final de julho do ano passado, o presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, anunciou um aditivo de R$ 46 milhões nas obras. O aumento estava ligado ao retardamento de um ano no cronograma. "O dinheiro do estado e da prefeitura não foi liberado, as desapropriações não aconteceram, o Exército só liberou os prédios faz 15 dias. Todo custo da obra incidiu", disse à época.

Em agosto de 2012, o BNDES aprovou o empréstimo de R$ 131 milhões para a reforma. O Atlético-PR esperava ter 75% do custo financiado pelo banco. O empréstimo será tomado pelo Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) administrado pela agência de fomento estatal. Para ter o recurso estatal à disposição, o clube colocou títulos de potencial construtivo emitidos pela prefeitura de Curitiba, no valor de R$ 92 milhões como garantias.

No momento em que o custo era de R$ 184 milhões, a conta seria fechada da seguinte forma: R$ 15,4 milhões da prefeitura, também em forma de títulos de potencial construtivo, e R$ 15,4 milhões do governo do estado. Até então, o Atlético-PR já havia investido R$ 15,4 milhões na obra.

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