Rebeca Reis / Staff Images Woman / CBF
Rebeca Reis / Staff Images Woman / CBF

Com bênção da avó e mentalização, Gabi Portilho superou depressão e quer título ao Corinthians

Após vencer o Palmeiras por 1 a 0 na ida, equipe alvinegra joga pelo empate para conquistar o Brasileirão Feminino

Toni Assis, especial para O Estadão

25 de setembro de 2021 | 14h00

“A gente trabalhou bastante para essa bola. Treinamos, repetimos, e graças a Deus, deu certo. Isso mostra a dedicação que a gente teve durante a semana. Sair daqui com a vitória é muito importante, mas não tem nada ganho.” Autora do gol que decretou a vitória do Corinthians de 1 a 0, no jogo de ida da final do Campeonato Brasileiro de futebol feminino, sobre o Palmeiras no último dia 12, Gabi Portilho sabe bem o peso de suas palavras após a primeira partida da decisão do torneio. Na jogada ensaiada, ela aproveitou a cobrança da falta por elevação para, num toque por cobertura, marcar um golaço em pleno Allianz Parque.

A vitória corintiana pela vantagem mínima no primeiro duelo obriga agora o Palmeiras a superar o Corinthians com um triunfo por dois gols de vantagem para ficar com o título. O jogo acontece às 21h deste domingo, na Neo Química Arena.

Personagem da primeira decisão, Gabi Portilho sabe bem a trajetória espinhosa que precisou percorrer para ser atualmente uma das destaques da equipe. Essa brasiliense de 26 anos espera ser decisiva novamente para ajudar a manter o título brasileiro no Parque São Jorge.

De origem humilde, Gabi viu no futebol a chance de ajudar a família. E a escolha para cumprir esse objetivo foi, em plena adolescência, desbravar outros territórios a fim de mostrar seu talento nos gramados.

“Na época não era nem um objetivo querer ser atleta de alto rendimento, meu sonho era conseguir ajudar em casa”, disse a atacante corintiana em entrevista exclusiva ao Estadão.

INÍCIO NO SUL E PASSAGEM PELA ESPANHA

Sua primeira parada após sair de Brasília foi o Sul do país. Em Santa Catarina, defendeu o Olympia, o Jaraguá e o Joinville. Em 2012, já ganhou visibilidade ao marcar 22 gols em dez partidas no Campeonato Catarinense.

Mas à medida em que estufava as redes adversárias, Gabi tinha também que encontrar forças para superar uma batalha interna. Com a depressão, ela pensou em abandonar o futebol.

  “A maior dificuldade foi ter que ficar longe da minha família para ir atrás de uma vida melhor para eles. Era muito nova. Foram muitas adversidades, fora o preconceito, e confesso que pensei em desistir. Mas por outro lado, esses momentos difíceis me tornaram mais forte. Aprendi a ser resiliente. Percebi que momentos ruins servem como lições. Desistir nunca será uma boa opção. Graças a Deus eu continuei, se não, não estaria vivendo um momento como esse no futebol. ”

 No Corinthians desde janeiro de 2020, ela tem um currículo de títulos considerável. Além do bicampeonato catarinense pelo Kindermann, também faturou o Estadual do Amazonas pelo 3B da Amazônia. No Parque São Jorge, vieram mais dois troféus no ano passado: o de Campeão Paulista e o Brasileiro.

Sua odisseia pelos campos de futebol inclui ainda uma passagem de duas temporadas no Madrid CFF, da Espanha. Uma lesão no joelho, no entanto, acabou precipitando o seu retorno ao Brasil.

CONSELHO DA AVÓ E MENTALIZAÇÃO

Focada no jogo decisivo contra o Palmeiras, Gabi revelou que, no seu ´ritual` de preparação para as partidas, têm um toque familiar que ela diz ser indispensável.

 “Toda vez que entro no campo, faço o que minha avó ensinou: peço proteção e direção e, depois de tudo, coloco a mão no coração.” Gabi disse também se preparar psicologicamente antes de pisar no gramado. “Mentalizo os lances que eu posso fazer e vejo vídeos do adversário.”

Apoiada na sua boa fase,  ela segue como uma das armas corintianas. Prova disso é seu retrospecto recente. Nos últimos cinco jogos do Corinthians no Brasileiro, Gabi foi eleita a melhor em campo em três oportunidades.

Desinibida com a bola nos pés, a jogadora se considera introvertida, embora não dispense uma boa brincadeira. Já em casa, além de estudar, sua principal diversão é a televisão.

 “O ambiente é muito bom. Em alguns momentos sou mais descontraída, conto uma piadinha aqui, outra ali. Mas no geral sou mais quietinha. Em casa gosto de novelas e séries. Em momentos de decisão, a minha rotina é treinar e descansar”, comentou.  

AQUECIMENTO

Em meio ao clima de decisão do Brasileiro feminino, Palmeiras e Corinthians acabaram se enfrentando  nesta quarta-feira, no Allianz Parque, em jogo válido pela sexta rodada da fase de classificação do Campeonato Paulista. Os dois treinadores preservaram algumas de suas titulares visando a decisão do Brasileiro e o derby acabou empatado por 1 a 1.

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