Maxim Shipenkov/Reuters
Maxim Shipenkov/Reuters

Com Copa das Confederações, Rússia passa no teste para receber a Copa

Evento termina neste domingo com boa organização e eficiência em medidas preventivas de segurança

Robson Morelli, enviado especial a São Petersburgo, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2017 | 07h00

As manifestações populares reprimidas com violência antes da Copa das Confederações na Rússia não voltaram a se repetir durante o teste da Fifa para o Mundial de 2018. Nas quatro cidades-sede (Moscou, São Petersburgo, Kazan e Sochi), o torneio transcorreu de maneira positiva para os organizadores.

Quem deixa a Rússia após a competição leva para a casa a sensação de que a 21.ª Copa tem tudo para dar certo. Era essa a impressão que o Kremlin queria passar ao mundo. Alguns pontos foram aprovados no que diz respeito à organização, embora a disputa que acaba neste domingo nem de longe carregue a importância do Mundial que virá, a começar pelo número de times e sua qualidade. 

Até agora, Rússia, Brasil e Irã são as únicas seleções garantidas em 2018. Existe a expectativa de que na próxima rodada das Eliminatórias, em agosto, algumas mais se juntem ao trio. A Copa terá 32 equipes. Em um ano a Rússia estará no centro do mundo esportivo.

A Copa das Confederações mostrou que os russos não estão para brincadeiras em relação à segurança. Conflitos regionais e fronteiriços colocam o país na linha de mira do terrorismo. O Kremlin está em alerta. Nas estações de metrô de Moscou e São Petersburgo todos que carregavam mochilas eram obrigados a passar por um detector de metal seguido de revista. Locais de aglomeração serão policiados. O mesmo sistema de checagem foi adotado nos hotéis credenciados pela Fifa.

Nos estádios, a revista foi constante, sem brechas ou jeitinhos. Tudo no padrão russo. Equipes fizeram a varredura de tudo o que atravessava os portões. Catracas, feitas aquelas antigas que rodavam em estações de trens no Brasil, permitiam ou não a entrada das pessoas. Ingressos e credenciais eram usados para liberar a roleta. Bilhetes falsos travavam a máquina. Não se entra no estádio com qualquer tipo de alimentação. 

Celulares e computadores também tiveram de ser mostrados para a checagem, com o detalhe de eles precisarem ser ligados na frente dos policiais. 

A segurança nos estádios, como em Kazan, Moscou e Sochi, não se rendeu aos horários dos jogos, de modo a continuar sua minuciosa revista nos torcedores atrasados. Chegar com tempo de antecedência para as partidas pode evitar o dissabor de perder parte da disputa. Orientadores ajudam o torcedor a se localizar.

Todos os torcedores são credenciados. O ingresso só vale acompanhado da credencial. Pode-se adquiri-la nas cabines Fan ID Centre ou em locais apropriados nas cidades-sede. A novidade ajuda a polícia a identificar todos torcedores e personalidades. A preocupação é com os hooligans, que não deram as caras nesta competição.

O técnico da seleção brasileira, Tite, e seu diretor de seleções, Edu Gaspar, tiveram de passar pelo procedimento. Na Rússia não tem essa de se apresentar como figurão. Tite e Edu posaram para fotos e também tiveram de fazer seu Fan ID para os jogos da semifinal e final.

Policiais fizeram a segurança da áreas externas dos estádios com cães farejadores. Os animais usavam proteção na boca. Em Moscou, havia muitos policiais. Nas outras cidades, o número era menor.

Nada pareceu fugir ao controle, nem mesmo a animação dos chilenos, disparados os mais barulhentos do torneio. Havia perto de 12 mil chilenos na Rússia durante as Confederações. Eles foram até a final.

ESTÁDIOS

Os quatro estádios utilizados no evento-teste mostraram-se elegantes. Todos são bem ventilados, de fácil acesso e com grandes áreas de escape para a circulação. Estão prontos. Há outros em construção, em processo acelerado, que serão entregues até março, promete o Comitê Organizador. A alimentação era simples, fast-food, como lanches, pipoca, refrigerantes e água. As filas eram inevitáveis durante os intervalos dos jogos.

Apenas uma marca de cartão de crédito (Visa) é aceita nos estádios. Paga-se com rubro, a moeda russa. Os banheiros são limpos e grandes, mas não escapam das aglomerações e algumas filas de um tempo ao outro. Toalhas de mão não dão conta. 

Em todos os setores é possível ver bem a partida. A proximidade com o campo é maior no Spartak Stadium, em Moscou. Não raramente a bola vai parar nas mãos do torcedor. Os telões mostram o jogo e o tempo. Não mostraram no torneio os replays das jogadas, tampouco os lances em que foi preciso recorrer ao árbitro de vídeo. O torcedor, nesse caso, fica sem saber o que está acontecendo.

A Fifa vai decidir em março do próximo ano se usará o artifício na Copa. Até lá, fará mais testes em torneios oficiais e terá uma bancada especializada para fazer a avaliação.

As cidades escolhidas para receber a Copa das Confederações passaram no teste no que diz respeito a transporte. Foi fácil se locomover no transporte público da Rússia, como metrô, táxi e Uber. Nos aeroportos não houve transtorno. Há sempre profissionais para orientações de modo a fazer com que ninguém perca o voo. Há alguns com mais paciência do que outros.

O inconveniente é o idioma. Na Copa das Confederações, poucos russos se mostraram fluentes em outras línguas, nem mesmo no inglês. Da mesma forma, os garotos voluntários requisitados pelo Comitê Organizador para orientar o torcedor em quiosques de informações pelas cidades e estádios tiveram dificuldades com informações básicas. Esse trabalho precisa ser aprimorado até a Copa do Mundo.

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