Com defesa de pênalti, Júlio César vira carrasco do Uruguai

Goleiro vê redenção na seleção após falha na Copa do Mundo em 2010

ROBSON MORELLI - ENVIADO ESPECIAL, O Estado de São Paulo

27 de junho de 2013 | 07h59

BELO HORIZONTE - Quando o goleiro é escolhido o melhor da partida, é porque alguma coisa não deu certo com o time. No caso de Julio Cesar, não. O goleiro "marcou um golaço", como ele próprio definiu a defesa feita no pênalti cobrado por Forlán quando entre Brasil e Uruguai estava 0 a 0, e teve o nome gritado no Mineirão. Julio não se continha de alegria ao lembrar a façanha, agora com a adrenalina baixa após a vitória por 2 a 1. Ele tirou de Neymar o título de "o cara do jogo", e isso não é pouco.

"A defesa foi importante para mim e para a seleção brasileira. Foi como se eu tivesse marcado um gol no Mineirão, porque o jogo estava empatado, nervoso, difícil. O fato de conhecer Forlán (jogaram juntos na Inter de Milão) ajudou, mas não foi só isso. Tenho os meus segredos também, mas prefiro não contar", disse o goleiro do Brasil.

Julio dedicou o feito à família. Em determinado momento, chegou a afirmar que precisava daquela defesa. Embora Julio Cesar esteja no topo da lista de Felipão para o gol do Brasil, agora e na Copa do Mundo, ainda não se sente seguro de que a posição é sua. O treinador talvez não tenha falado com clareza isso para ele, mas parece não haver dúvidas entre os membros da comissão nem mesmo do torcedor brasileiro. "A nossa vida é um sobe e desce danado, sei que falta ainda uma final de Copa das Confederações e que tem um ano para a Copa de 2014. Ninguém está seguro de nada".

Aos 33 anos, Julio Cesar sabe o que significa na vida de um goleiro cometer erros em jogos importantes. Esse sabor amargo ele já sentiu. O fantasma daquela partida contra a Holanda na Copa da África do Sul, em 2010, ainda o assombra. O Brasil perdeu por 2 a 1 e voltou para casa. Julio chorou aquele dia e pensou em abandonar a carreira. De campeão da Inter de Milão, foi parar no Queen Park Rangers e ficaria por lá não tivesse tido a mão estendida por Felipão. "É claro que passa um filme na minha cabeça, voltar à seleção, ser titular e ter a chance de disputar outra Copa..."

Daí a importância para ele ter defendido o pênalti de Forlán, porque não foi um pênalti apenas. "De certa forma, ajudei a levar o Brasil para a final do torneio, e num estádio, o Maracanã, onde tudo começou na minha vida. Foi lá que fiz a minha primeira partida em 1987 pelo Flamengo. E agora estarei lá para uma decisão de torneio."

Julio Cesar e quase todos os jogadores adotaram um discurso desinteressado em relação ao outro finalista, Itália ou Espanha, que jogam hoje em Fortaleza. "Vamos nos preparar para uma final. Então não importa quem será o adversário." Depois, admitiu o que todos do elenco sempre falaram nos bastidores, inclusive o coordenador Carlos Alberto Parreira. "Ouvi dizer que os espanhóis estão loucos para jogar com o Brasil. Então essa pode ser uma boa oportunidade", disse.

Tamanha confiança certammente foi motivada pela alegria da vitória sobre os uruguaios. Quando deixou de falar com a emoção, Julio apontou a importância de o Brasil aprender e amadurecer em jogos catimbadas, como foi esse no Mineirão, e a ter um ponto de equilíbrio em confrontos decisivos.

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