Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

São Paulo impressiona com 'novo' Diniz e volta a ser protagonista, mas ainda busca consistência

De um lado, tricolor soma eliminações no Paulistão e na Libertadores; de outro, venceu o Palmeiras fora e goleou o Flamengo

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 08h00

Segundo técnico mais longevo da Série A do Campeonato Brasileiro, atrás apenas de Renato Gaúcho, do Grêmio, Fernando Diniz comanda um São Paulo com várias facetas. O seu time acumula eliminações neste ano, no Paulistão e na Libertadores, perde jogos considerados fáceis na teoria, ainda não encontrou a regularidade que tanto busca, mas é capaz de façanhas relevantes, como quebrar o tabu de vitórias sobre o Palmeiras no Allianz Parque e golear o Flamengo no Maracanã por 4 a 1, como ocorreu no fim de semana.

Há mais de um ano à frente do São Paulo, Diniz chegou perto de ser demitido, mas foi bancado pela diretoria, resolveu fazer mudanças na equipe e vem colhendo os frutos de não ter permanecido tão apegado às suas convicções. Ele alterou as peças e também a forma de jogar em algumas partidas recentemente. O time evoluiu e agora dá mostras de que pode buscar a consistência tão sonhada.

Hoje, o São Paulo está garantido nas quartas de final da Copa do Brasil depois de eliminar o Fortaleza nos pênaltis, busca um lugar na terceira etapa da Sul-Americana diante do Lanús (perdeu na ida por 3 a 2) e vive ótimo momento no Brasileirão.

No torneio nacional, soma 30 pontos, tem o segundo melhor aproveitamento (62,5%) e está invicto há dez partidas. A última derrota foi ainda na 10ª rodada, para o Atlético-MG, por 3 a 0, há dois meses. A equipe tem três jogos a menos e já vislumbra a liderança, hoje ocupada pelo Internacional. Se ganhar seus compromissos do primeiro turno, soma 39 pontos. Os rivais são Goiás, Botafogo e Ceará.

Na visão do treinador, o triunfo sobre um Flamengo que estava invicto havia 12 jogos, com nove vitórias neste período, e que é considerado o melhor elenco do futebol brasileiro, representa a consolidação do trabalho. Ele acredita que há chances de títulos nas três competições.

"A vitória solidifica mais o trabalho. É importante saber conduzir essa vitória para frente. É saber depurar o que teve no jogo, corrigir falhas e procurar melhorar sempre. O São Paulo, de fato, vai brigar sempre em todas competições. O que podemos fazer no trabalho é melhorar quando perde, empata ou ganha", avaliou.

Mesmo contando a parada dos jogos por causa da covid-19, Fernando Diniz já soma mais de 400 dias no comando do São Paulo. É, portanto, mais do que um ano. No total, o técnico dirigiu a equipe em 55 partidas, com 24 vitórias, 16 empates e 15 derrotas.

Em boa parte de sua caminhada, teve, e ainda tem, de lidar com críticas. Foi muito pressionado especialmente em dois momentos: depois da eliminação para o Mirassol, nas quartas de final do Paulistão, e após a queda precoce na fase de grupos da Libertadores. Ele buscou se reinventar, modificou o esquema tático a fim de deixar o time menos exposto e conseguiu resultados importantes.

Além disso, nesse processo, apostou em jogadores de sua confiança. Três em especial: Luan, responsável por dar proteção à zaga e baixar a média de gols sofridos, e os atacantes Luciano e Brenner. Os dois haviam trabalhado com o técnico no Fluminense e gozam de prestígio com ele. Contra o Flamengo, no Maracanã, ambos balançaram as redes.

De todos, Brenner é o que mais tem se destacado. O jovem foi de negociável a peça chave e atacante decisivo. Ele assumiu a titularidade há menos de um mês, aproveitou a chance e se tornou artilheiro da equipe na temporada, com 14 gols em 23 jogos. Extremamente eficiente - 13 gols foram marcados com apenas um toque na bola -, o jogador é a personificação do ressurgimento do São Paulo em 2020.

Apesar de viver um período de calmaria com os recentes resultados positivos, Diniz garante que a ordem é manter os pés no chão porque sabe que o cenário pode mudar de novo. E ele não gostaria disso. "O grupo de jogadores tem de ser conduzido para ter confiança sempre. Não é a vitória de 4 a 1 que traz confiança em primeiro plano. É mostrar para os jogadores que o time tem qualidades que de fora ninguém vê quando empata e perde. O que traz confiança é trabalhar com lucidez, coragem e dar a vida. Confiança é no trabalho, não pela vitória", salientou, após a goleada no Maracanã.

Na quarta-feira, o São Paulo já tem mais um importante desafio. O time de Fernando Diniz enfrenta o Lanús, no Morumbi, pelo jogo de volta da Sul-Americana. Na primeira partida, a equipe brasileira perdeu por 3 a 2. Por isso, precisa vencer por dois gols de diferença para se classificar ou por um gol, desde que seja por 1 a 0 ou 2 a 1.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.