Ricardo Mazalan/AP
Ricardo Mazalan/AP

Com gol suado, Chile elimina Uruguai e vai à semi da Copa América

Uruguaios questionam a arbitragem do brasileiro Sandro Meira Ricci 

FELIPE ROSA MENDES, Estadão Conteúdo

24 de junho de 2015 | 22h40

A seleção do Uruguai até suportou bem a pressão chilena. Impôs forte marcação desde o início, neutralizou as principais ações dos anfitriões, mesmo após a expulsão do atacante Cavani, mas acabou se rendendo ao forte ritmo do Chile, que buscou o gol salvador somente aos 35 minutos do segundo tempo. Com passe de Valdivia, o lateral Isla marcou o único gol da partida, que evitou os pênaltis e classificou os chilenos à semifinal da Copa América.

Sem Cavani, em semana complicada, e Fucile, expulso nos minutos finais, o Uruguai se despediu da competição em partida na qual foi dominado desde o início pelos anfitriões. O Chile exibiu posse de bola de até 80%, pressionou desde o apito inicial e buscou um suado gol na etapa final. Com o triunfo, manteve o sonho de buscar seu primeiro título da Copa América, e jogando em casa.

Na semifinal, o adversário do Chile sairá do confronto entre Bolívia e Peru, que se enfrentam nesta quinta-feira. A seleção chilena voltará a campo na segunda-feira da próxima semana.

O JOGO

Como era esperado, o Chile começou o duelo disposto a sufocar a defesa do Uruguai. Empurrado pela torcida, o time da casa partiu para o ataque e não deu sossego a Godín e Giménez. Preocupados com trio formado por Vidal, Vargas e Alexis Sánchez, os zagueiros uruguaios esqueceram de Valdivia, que movimentava o ataque chileno, com direito a uma bela "caneta" em Fucile nos primeiros minutos.

O Chile exibia sua força ofensiva com posse de bola incrível - de até 80% nos primeiros 15 minutos - e ataques com até seis homens. Com franca pressão, apostava na rápida troca de passes para achar um buraco na defesa rival e abrir o placar. Mas as chances efetivas de gol eram raras. Afora uma finalização de Aránguiz, aos 25, e uma cabeçada de Sanchez, aos 32, os chilenos não causavam maior ameaça ao goleiro Muslera.

Do outro lado, os uruguaios mostravam cada vez mais confiança na defesa. Neutralizavam as investidas do Chile, as seguidas inversões, e causavam apreensão na torcida local. O time anfitrião não furava a sólida defesa rival nem mesmo quando atacava com dez homens no campo ofensivo.

O Uruguai, que jogava por um contra-ataque na etapa inicial, passou a arriscar mais na segunda etapa. Foram duas boas chances em menos de dez minutos. Aos 5, Cavani acertou uma pancada de fora da área e deu trabalho para Bravo, ainda que o árbitro Sandro Meira Ricci já tivesse assinalado falta. Na sequência, Rolán desperdiçou grande chance dentro da área ao bater fraco e parar no goleiro chileno.

A seleção anfitriã, no entanto, não demorou para retomar o domínio. E, para tanto, contou com uma ajuda de Cavani. Justamente quando o Uruguai tentava levar maior perigo no ataque, com a entrada de Abel Hernández, Cavani acertou um tapa no rosto de Jara, levou o segundo amarelo no jogo e foi expulso, aos 18 minutos. Sem marcar na Copa América, o atacante encerrou semana difícil, na qual seu pai foi detido por atropelar e matar um motociclista no Uruguai.

Se para o Uruguai a situação ficava mais difícil, para o Chile a falta de chances reais de gol aumentava a ansiedade do técnico Jorge Sampaoli. Ele trocou Vargas por Pinilla e reforçou o meio-campo com a entrada de Matías Fernández. Mas o panorama seguia o mesmo. Posse de bola de até 80% e raros lances que davam trabalho para Muslera.

Para piorar, o Uruguai eram quem criava as melhores oportunidades. E esteve muito perto de abrir o placar aos 31, em bela finalização de Carlos Sánchez, e aos 35, com Cristian Rodríguez. Assustada, a defesa chilena demonstrava nervosismo.

O alívio para o time, e a torcida, só veio aos 35 minutos. O suado gol veio após longa troca de passes na área uruguaia. Até que Valdivia rolou para o lateral Isla encher o pé e mandar rasteiro para o fundo das redes. A festa da torcida tomava conta do Estádio Nacional.

E nem mesmo uma breve confusão envolvendo jogadores de ambos os times, quando Fucile foi expulso de campo, atrapalhou a festa chilena. O lateral levou o segundo amarelo, após falta dura, e fez com que a seleção uruguaia se despedisse da Copa América com apenas nove jogadores em campo.

FICHA TÉCNICA:

CHILE 1 x 0 URUGUAI

CHILE - Claudio Bravo; Isla, Gary Medel, Gonzalo Jara, Mena; Marcelo Díaz (Matías Fernández), Aránguiz, Vidal, Valdivia (David Pizarro); Vargas (Pinilla) e Alexis Sánchez. Técnico: Jorge Sampaoli.

URUGUAI - Muslera; Maxi Pereira, Godín, José Giménez, Fucile; Arévalo Ríos, Álvaro González, Carlos Sánchez (Jonathan Rodríguez), Cristian Rodríguez; Cavani e Diego Rolán (Abel Hernández). Técnico: Óscar Tabárez.

GOL - Isla, aos 35 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Valdivia, Isla, Maxi Pereira, Pinilla.

CARTÕES VERMELHOS - Cavani e Fucile.

ÁRBITRO - Sandro Meira Ricci (Brasil).

RENDA - Não disponível.

PÚBLICO - 45.304 pagantes.

LOCAL - Estádio Nacional, em Santiago (Chile).

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