JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

São Paulo toma do Corinthians a fama de 'time do povo'

Clube do Morumbi pratica os valores mais em conta nos ingressos dos cinco primeiros em público no Brasileirão

Ciro Campos, Daniel Batista e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2017 | 07h00

Os 51.511 presentes no empate por 1 a 1 entre São Paulo e Grêmio, o melhor público do Campeonato Brasileiro, confirmaram que a torcida do Morumbi está mesmo fechada com a equipe na luta contra o rebaixamento. Mas esse apoio também tem uma razão financeira: o São Paulo tem o ingresso mais barato entre os times que mais levam torcedores aos estádios. 

Mesmo ocupando a zona de rebaixamento por seis rodadas e mergulhado em uma crise marcada pela troca de treinadores e a entrada e saída de jogadores, o São Paulo tem a quarta melhor média de público do torneio, com pouco mais de 21,6 mil torcedores. Está atrás do líder Corinthians (36.652), do atual campeão, o Palmeiras (33.453 mil), do vice-líder Grêmio (25.556) e à frente do Flamengo (18.469). 

As principais organizadas do clube fizeram um pacto para apoiar o time até que ele afaste o risco de rebaixamento. Prometem protestar e cobrar, especialmente a diretoria, apenas quando o São Paulo se salvar. O torcedor comum apoiou a ideia. Por isso, a entrada da delegação no Morumbi antes dos jogos se tornou um ritual, com bandeiras e sinalizadores. A festa ocupa as ruas no entorno do estádio e depois vai às arquibancadas. Após o empate de segunda-feira, os torcedores aplaudiram o time. 

A comunhão contra o rebaixamento também tem motivador financeiro. O tíquete médio do São Paulo, ou seja, o resultado da divisão entre todas as rendas obtidas no ano pelo público presente nos mesmos jogos é menor do que o do Corinthians, Palmeiras e Grêmio, os campeões de média de público. 

No Campeonato Brasileiro, o valor médio do ingresso do São Paulo é de R$ 25; o Grêmio, que ficou oito pontos atrás do Corinthians após empatar no Morumbi, tem tíquete médio de R$ 35; o Palmeiras é o mais careiro e cobra R$ 60 (considerando jogos no Allianz e no Pacaembu). Já o Corinthians tem valores que giram em torno de R$ 52. 

Essa diferença se reflete no valor individual dos ingressos. O preço mais barato no Morumbi é de R$ 20 por um lugar na arquibancada laranja; o mais caro sai por R$140 no setor Eterno Capitão (ambos aceitam meia entrada). No Allianz Parque, os valores variam de R$ 100 a R$ 250,00. Na Arena Corinthians, eles vão de R$ 40 a R$ 178. 

A correção dos preços dos ingressos unicamente pelos índices da inflação tem sido adotada pelo São Paulo desde o ano passado e se manteve no patamar ao longo do primeiro turno do Brasileiro. Após a eliminação na Libertadores de 2016, a diretoria decidiu que era preciso retribuir, de alguma forma, o apoio da torcida. A saída foi reduzir o preço da entrada. 

Como consequência, o clube teve a melhor média do Campeonato Paulista e também de sua história, com 33.246 pagantes. O time foi eliminado nas semifinais pelo Corinthians. Reduzir o preço dos ingressos traz obviamente um prejuízo na arrecadação em relação aos rivais. Hoje, a renda bruta do São Paulo é de R$ 3,2 milhões, praticamente um terço do que conseguiram Corinthians e Palmeiras. 

OS MAIS FIÉIS

1º Corinthians - média de público 36.652 - Tíquete médio - R$ 52,68

2º Palmeiras - média de público 33.453 - Tíquetre médio - R$ 60,04

3º Grêmio - média de público 25.556 - Tíquete médio - R$ 35,47

4º São Paulo - média de púbico 21.671 - Tíquete médio - R$ 25,02

5º Flamengo - média de público -18.649 - Tíquete médio - R$ 56,33

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