JF Diorio/ Estadão
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Com mais de 2 mil assinaturas, 'Esporte pela Democracia' aguarda fim da pandemia para ganhar as ruas

Idealizado por Casagrande, grupo foi criado para mobilizar as pessoas em defesa dos direitos humanos, das instituições democráticas, do meio ambiente e da liberdade de imprensa

João Prata, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 14h26

O grupo "Esporte pela Democracia" lançou há duas semanas um manifesto em defesa dos direitos humanos, das instituições democráticas, do meio ambiente e da liberdade de imprensa. Atletas, ex-atletas, jornalistas e artistas aderiram ao movimento que já reúne pouco mais de duas mil assinaturas.

A iniciativa de mobilizar o mundo esportivo partiu do ex-jogador de futebol e comentarista Walter Casagrande Jr.. "Pensei na formação dele ao ver as manifestações pelo assassinato do George Floyd. Aquilo mexeu comigo. Eu não poderia ficar sentado vendo de camarote", disse ao Estadão

Começou com os amigos mais próximos e rapidamente foi se espalhando. "Liguei para a Isabel, como sempre faço quando penso em formar algum movimento como este. Ela topou na hora e já falou com Ana Moser, Fabi e Joanna Maranhão. Eu comentei com o Raí e assim foi", conta Casagrande. A partir daí ganhou um texto claro e conciso sobre as pretensões, tomou as redes sociais e passou a receber assinaturas de profissionais de diferentes áreas: músicos, cineastas, escritores e jornalistas também fazem parte.

A escalação desse grupo é eclética. Caetano Veloso, Chico Buarque e Chico César estão juntos de Marcelo Rubens Paiva, Gustavo Kuerten, Thomas Koch, Juca Kfouri e Washington Olivetto. O manifesto é apartidário. Em nenhum momento cita o governo de Jair Bolsonaro, por exemplo, mas condena a maneira como o Brasil está tratando a pandemia. "A maioria da população brasileira está largada à própria sorte, especialmente a parte mais vulnerável social e economicamente, em total desrespeito às recomendações sanitárias básicas por parte de quem deveria dar o exemplo à população", informa .

Qualquer um pode fazer parte. Basta entrar no site oficial e preencher nome completo, profissão e email. A ideia de Casagrande era que o grupo deixasse o campo virtual. "Uma pena que estamos no meio de uma pandemia e não podemos sair das nossas casas, pois a nossa intenção é de ir às ruas mesmo. Pacificamente, sem conflito, sem confronto, mas mostrando a nossa cara e o que queremos fazer".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

#EsportePelaDemocracia

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Reuniões virtuais

Enquanto a recomendação médica e científica é para que todos continuem em casa, o "Esporte pela Democracia" trata de ganhar corpo de maneira virtual. O grupo não tem uma liderança, mas a turma que começou a movimento conversa diariamente no Whatsapp. "Estamos agora muito focados no manifesto, na divulgação dele, em buscar formas de divulgar. O Casagrande tem ajudado a trazer muita gente. É essa mobilização que estamos tentando fazer neste momento", disse Ana Moser.

A ex-nadadora Joanna Maranhão contou que houve uma primeira reunião online no último sábado, por meio do aplicativo Zoom, que contou com participação da professora e historiadora Luana Tolentino. "Ela e outras três pessoas negras do grupo debateram sobre racismo por duas horas. Foi importante porque vem direto no nosso racismo estrutural. É um grupo de muita potência que quer fazer a diferença".  Nesta quinta-feira o grupo se reunirá com o "Atletas pelo Brasil", organização sem fins lucrativos que conta com atletas e ex-atletas pela melhoria do esporte. "Vamos escutar o que eles têm a dizer para agregar ao movimento e vamos construindo a partir daí", disse Joanna. 

A intenção é trazer temas ligados aos direitos humanos para o debate. "Estamos tendo movimentações mais diretas contra o racismo, mas vamos fazer a favor da proteção das terras e dos povos indígenas; outra pela democracia diretamente; contra a homofobia e o feminicídio", informou Casagrande.

O manifesto "Esporte pela Democracia" finaliza com um questionamento. "O sonho de todo atleta é representar o seu país. Estamos então aqui hoje para reconvocar a lucidez, diante da questão inadiável: que Brasil é esse que queremos trazer na camisa e chamar de nosso?".

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