Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Com más lembranças, Thiago Silva e Willian ganham nova chance de brilhar na Rússia

Zagueiro e meia-atacante lutam para deixar experiências negativas no país para trás

Leandro Silveira, enviado especial / Sochi, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 05h00

Thiago Silva dava os primeiros passos no futebol profissional em 2005, no Dínamo Moscou, quando uma tuberculose o deixou em tratamento por seis meses. Willian também não guarda as melhores lembranças da Rússia: teve uma participação relâmpago e sem muito destaque no futebol local. Agora, como titulares da seleção brasileira, ambos têm a chance de refazer sua história no país.

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“Retornar para mim é tristeza e felicidade ao mesmo tempo, por tudo o que passei em 2005”, contou Thiago. Na época, problemas respiratórios causados pelo frio russo evoluíram para uma tuberculose, que o deixou seis meses internado. Cogitou-se até a retirada de parte do pulmão do zagueiro, algo que foi evitado pela intervenção de Ivo Wortmann, seu treinador no time russo.

“O Ivo foi meu anjo da guarda por não permitir uma cirurgia no pulmão. Já tive a possibilidade de disputar um amistoso (na Rússia), mas uma Copa certamente vai ser um sentimento diferente para mim”, relembrou Thiago em recente entrevista coletiva. Depois do episódio, ele brilhou pelo Fluminense e se destacou em clubes europeus como Milan e Paris Saint-Germain.

Apesar de já consagrado no cenário internacional, Thiago ficou marcado pelo fracasso da seleção na Copa de 2014, mesmo suspenso na derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Seu choro na disputa dos pênaltis contra o Chile foi visto como descontrole emocional inaceitável para um capitão. Esquecido por Dunga, foi resgatado aos poucos por Tite: disputou apenas cinco dos 18 jogos da seleção nas Eliminatórias. E foi só às vésperas da Copa do Mundo que o treinador lhe devolveu, de fato, a titularidade com a camisa do Brasil.

 

Ele não esconde o desejo de concluir a fase derradeira de sua volta por cima a partir de domingo, quando a seleção estreia contra a Suíça na Copa – a terceira da carreira de Thiago. “Temos a possibilidade de reescrever a nossa história. Não temos de prometer título, mas boas atuações porque estamos nos preparando da maneira que tem de ser”, comentou.

RETORNO

Willian também não guarda as melhores lembranças da Rússia. Em 2013, ele foi adquirido pelo Anzhi Makhachkala, que o tirou do Shakhtar Donetsk. A transferência, mais do que um passo esportivo, foi uma ação para deixar o clube ucraniano, que só aceitava negociá-lo pelo valor da multa rescisória.

Só o milionário Suleiman Kerimov aceitou pagar, mas a aventura russa de Willian durou até o empresário decidir reduzir seus investimentos no clube. E o meia-atacante, hoje no Chelsea, encerrou sua passagem pelo país da Copa com apenas um gol marcado em pouco mais de seis meses no Anzhi.

Elogiado por Tite, ele disputou 19 dos 21 jogos em que o treinador dirigiu o Brasil, mas vinha tendo status de 12.º titular após perder disputa direta com Philippe Coutinho por uma vaga. Mas a queda de rendimento de Renato Augusto fez o treinador trocar um jogador de confiança por outro. E Willian chega à Copa como titular, contando com sua velocidade e habilidade para abrir espaços nas defesas adversárias.

Ele sabe que pode mostrar bem mais agora do que nos tempos de Anzhi. Além disso, espera apagar a decepção de 2014, quando só foi titular uma vez, na melancólica disputa do terceiro lugar, vencida pela Holanda por 3 a 0. “Hoje a seleção está bem madura, sabendo o que tem de fazer dentro de campo”, disse Willian, pronto para enfim brilhar, de fato, nos campos russos.

 

 

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