Com medo, Corinthians fica preso no estádio

Os jogadores do Corinthians foram encurralados no Pacaembu após a derrota deste domingo para a Portuguesa Santista por 1 a 0 e só saíram do estádio depois que as centenas de torcedores que se aglomeraram no portão do estacionamento do campo deixaram o local.No auge da manifestação, atletas e comissão técnica chegaram a ameaçar deixar o local "fugidos", orientados pelo comando do policiamento a usar uma espécie de saída de emergência, passando por dentro do estádio e usando o portão principal como escape. Depois de mais de uma hora sentados dentro do vestiário, a pequena multidão lá fora dispersou-se e, mesmo assim, parte da delegação deixou o Pacaembu em carros particulares, caso do volante Fabinho. "Vim com o meu carro e vou embora como cheguei, de carro", explicou.O único que saiu antes foi o zagueiro Ânderson. O pai do jogador, João Beraldo, foi buscá-lo na porta do vestiário e o atleta foi embora de carro, protegido pela guarda paterna. "A gente fica muito triste por isso. Nunca imaginei passar por uma situação dessas. Um time vencedor como o Corinthians não pode ficar fora da elite nem brigar para fugir do rebaixamento", disse o zagueiro.O técnico Oswaldo de Oliveira manteve a habitual tranqüilidade, demonstrou compreensão com a atitude da torcida e lamentou que sua equipe não tivesse correspondido ao apoio que recebeu durante a partida. "É um momento muito difícil. O que a gente vem passando não é de agora. É reflexo de uma série de situações que acabaram nisso, o que é triste, principalmente pelo apoio da torcida, que foi um apoio de final de campeonato. E o time não conseguiu dar a resposta. Isso é o mais triste."Apesar da solidariedade com a galera, Oswaldo fez questão de manter os pés no chão, evitou promessas que possam iludir a torcida e deixou claro que não sonha com o título da Copa do Brasil, único torneio que o Corinthians está disputando no momento. A próxima partida da equipe é na quarta-feira, contra o Ferroviário, no Ceará. "A situação não é de pensar em título e sim de pensar em armar uma equipe e preparar o Corinthians para o futuro, porque esse presente vem de um passado que não foi um dos mais próprios."Não bastasse a humilhação de brigar para não cair, alguns jogadores ainda saíram de campo reconhecendo e até agradecendo ao arqui-rival São Paulo a ajuda. Foi graças à vitória tricolor sobre o Juventus que o Corinthians permaneceu na Série A. "Foi graças a Deus e ao São Paulo que a gente conseguiu permanecer", reconheceu Ânderson. Valdson praticamente repetiu as palavras do companheiro. Fabinho lembrou de um momento de apreensão. "Quando acabou o jogo, o do São Paulo não tinha acabado ainda. Foi complicado... A gente tem que tirar o máximo de lição dessa situação para não voltar a cometer esses erros. Sentimos tristeza, vergonha, decepção. É uma mistura de tudo isso."Só Oswaldo de Oliveira não concordou que seu time tenha sido salvo pelo rival. "Não fomos salvos pelo São Paulo. Foram circunstâncias da tabela."

Agencia Estado,

14 de março de 2004 | 21h04

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