Kirill Kudryatsev / AFP
Kirill Kudryatsev / AFP

Com meta surreal, técnico da seleção russa não tem currículo de respeito

Ex-goleiro, Stanislav Cherchesov tenta cumprir meta da Federação de levar anfitriões até a semifinal

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2018 | 08h58

O currículo não desperta esperança. O homem responsável por comandar a anfitriã Rússia na Copa do Mundo tem apenas dois títulos pelo Legia Varsóvia, da Polônia, – na carreira como técnico que começou em 2004, no FC Kufstein, da Áustria. Stanislav Cherchesov foi escolhido muito mais pelo conhecimento do futebol local e do estilo sem invenção do que pelo mérito do seu trabalho. 

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O ex-goleiro disputou duas Copas. Em 1994, fez apenas um jogo, no 6 a 1 sobre Camarões, e, em 2002, na Coreia do Sul e Japão, passou todo o torneio no banco de reservas.

A Federação Russa de Futebol coloca como meta alcançar ao menos um lugar na semifinal. A realidade, Cherchesov sabe muito bem, é outra. A Rússia já fará mais do que se espera se conseguir avançar às oitavas de final, em uma chave com Uruguai, Egito e Arábia Saudita

“Precisamos perceber nosso patamar corretamente. Temos de entender do que somos capazes e do que não somos. Você só pode exigir de um jogador o que ele pode fazer. Estive em duas Copas do Mundo e sei o quanto ela é importante. Se você exigir muito dos jogadores, os problemas e conflitos irão começar”, disse.

O exigir muito, neste caso, é pedir futebol bonito. A seleção russa parou no tempo depois da saída de Guus Hiddink. O holandês fez um excelente trabalho, ajudou na evolução dos jogadores e levou o país à semifinal da Eurocopa de 2008. Os sucessores, o também holandês Dick Advocaat e o italiano Fabio Cabello, não deram sequência ao desenvolvimento do futebol local.

Com diversos títulos pelo CSKA, Leonid Slutsky foi o escolhido para uma ruptura com os estrangeiros. A pífia campanha na Eurocopa de 2016, com um empate e duas derrotas, fez o treinador ser demitido. Cherchesov assumiu com o enorme desafio de remodelar uma seleção às vésperas da Copa mais importante para o país.

A Copa das Confederações não foi um bom cartão de visitas. A Rússia caiu na primeira fase com apenas uma vitória e duas derrotas. A postura da equipe, no entanto, foi considerada positiva. O ex-goleiro aposta em uma formação mais segura, sem invenção, com uma variação entre o 3-5-2 e o 5-4-1. Cherchesov utilizou ainda o 3-4-2-1, talvez no melhor jogo da seleção, no empate diante da Espanha em um amistoso, em novembro de 2017.

Fora de campo, ele adota um estilo agressivo. Para testá-lo, basta perguntar da relação do presidente Vladimir Putin com a seleção. “Pareço um diplomata, falando há um tempão sobre nada”, respondeu em sua primeira coletiva na Copa das Confederações. Uma questão sobre o prêmio pelo desempenho na Copa foi respondida da seguinte maneira: “Vamos falar de futebol. Aqui não é o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo.”

Com discurso forte e convicção de que precisa aceitar suas limitações, Cherchesov tem um desafio enorme pela frente.

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