Bruno Cantini/Atlético
Bruno Cantini/Atlético

Com muito em comum, Cruzeiro e Atlético-MG duelam para se distanciar da degola

Mineirão recebe clássico entre duas equipes acossadas pelo risco de queda para a Série B do Brasileiro

Leandro Silveira, Estadão Conteúdo

10 de novembro de 2019 | 15h02

Adversários nesta temporada na decisão do Campeonato Mineiro e nas quartas de final da Copa do Brasil, Cruzeiro e Atlético-MG se reencontram neste domingo em mais um capítulo da histórica rivalidade estadual, mas em um contexto bem pouco favorável. Afinal, com campanhas decepcionantes, duelam às 16h, no Mineirão, para minimizar o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Cruzeiro, com 34 pontos, e Atlético, com 39, estão em crise há algum tempo, dentro e fora do campo, e chegam ao clássico com muito em comum. Os presidentes Wagner Pires de Sá (Cruzeiro) e Sergio Sette Câmara (Atlético), por exemplo, têm sido alvos de protestos dos torcedores de seus clubes e não vêm conseguindo manter os salários em dia.

A crise dentro de campo já provocou mudanças no comando dos times, que estão no terceiro técnico no ano - Abel Braga e Vagner Mancini, respectivamente. Além disso, jogadores vistos como referências, como Fred e Thiago Neves, no Cruzeiro, e Ricardo Oliveira e Elias, no Atlético, perderam o apoio das arquibancadas, que voltaram suas esperanças para promessas das bases, como Éderson, Cacá, Cleiton e Marquinhos.

Assim, Cruzeiro e Atlético vão duelar pela sétima vez em 2019 como em um tira-teima, pois cada lado soma dois triunfos, com mais dois empates. O equilíbrio esconde que o lado celeste foi mais feliz no ano, com o título estadual e se classificou às semifinais da Copa do Brasil diante do rival. Também é do Cruzeiro a maior necessidade de deixar o Mineirão com a vitória, pelo maior risco de queda. O seu momento é melhor, tanto que está há nove rodadas invicto no Brasileirão, ainda que o excesso de empates nesses compromissos (seis) ainda não o tenha permitido respirar na luta contra a degola.

Outro fator que o Cruzeiro espera aproveitar é a disputa de dois jogos seguidos como mandante contra times com risco de rebaixamento, casos de Atlético e CSA. "Duas partidas importantíssimas, dois jogos em casa em que precisamos fazer os seis pontos. Chegando aos 40, dá uma tranquilizada maior. Acho que os de baixo não vão conseguir vencer dois jogos seguidos porque está muito competitivo", disse Robinho.

Abel deve priorizar a escalação de jogadores experientes, embora não tenha dado dicas disso. Fred retorna ao comando de ataque, na vaga do suspenso Sassá. Thiago Neves volta ao meio de campo após ser poupado diante do Athletico-PR, o que deverá fazer Marquinhos Gabriel perder espaço. O cenário é parecido com o de Leo, que não atuou na Arena da Baixada para ter descanso. E o sistema defensivo ainda terá o retorno de Orejuela, que estava suspenso. "É um clássico, isso tem um peso, experiência conta", afirmou Abel.

DO OUTRO LADO

No Atlético, o clima de tensão desanuviou na quarta, quando o time superou o Goiás por 2 a 0, abrindo seis pontos de vantagem para a zona da degola, ainda que tenha uma das piores campanhas do turno. Mas o time espera consolidar a recuperação no segundo jogo consecutivo no Mineirão, até para poder começar a traçar sua estratégia para 2020. "É um campeonato à parte, um torneio paralelo. Os dois clubes vêm de um momento muito parecido, mas a gente sabe que, a partir de um clássico, tudo pode mudar. Então, que tenhamos essa nossa frieza, mas, ao mesmo tempo, a agressividade que estamos tentando colocar nas partidas", afirmou o zagueiro Réver.

O principal problema do Atlético é lidar com os desfalques, especialmente no meio. O último deles foi Elias, que se contundiu contra o Goiás. O time já havia perdido anteriormente Nathan, o que deverá levar o meia-atacante Luan a atuar novamente mais recuado. Por outro lado, Jair, recém-recuperado de lesão sofrida quando tinha status de titular absoluto, volta a ser opção, podendo ficar no banco.

Autores dos gols do Atlético no triunfo sobre o Goiás, Marquinhos e Bruninho disputam uma vaga no setor ofensivo. Mas ela deverá ficar com o segundo, pois o primeiro está com um edema na coxa e não sabe nem se poderá ser aproveitado no clássico.

O confronto com os times correndo risco de rebaixamento remonta ao Brasileirão de 2011, quando o Cruzeiro escapou da degola na rodada final ao aplicar uma goleada de 6 a 1 sobre o Atlético, que havia se safado um jogo antes. No banco celeste daquele clássico estava Mancini, hoje o comandante da equipe alvinegra. "O erro zero na parte defensiva é o mais importante em um jogo desse. Isso eu tenho passado aos atletas. É um lance de bola parada, de lateral, e você toma um gol que custa caro", alertou o agora treinador do Atlético.

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