Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Com Neymar 'apagado', Coutinho vira o 'dono da seleção' na Copa

Discreto, meia se destaca pelo espírito coletivo e eficiência com dois gols em dois jogos

Almir Leite, Marcio Dolzan, enviados especiais / São Petersburgo, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2018 | 19h51

Neymar é a estrela maior da companhia. Mas quem está brilhando mesmo é Philippe Coutinho. O meia é disparado o melhor jogador da seleção brasileira nesta Copa do Mundo e foi fundamental para a equipe nos dois primeiros jogos, pelos dois gols que marcou e atuações que teve. Enquanto o badalado craque do time escorrega no excesso de individualismo e descontrole emocional, o meia do Barcelona, discreto, se destaca pelo espírito coletivo e eficiência.

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Coutinho vinha bem na seleção desde as Eliminatórias. Cresceu ainda mais quando Tite lhe deu nova função, para poder reunir no mesmo time ele, Willian e Neymar – além de Gabriel Jesus mais à frente. Atuando mais centralizado em campo, às vezes como um armador, às vezes como um ponta de lança, e contribuindo para pelo menos fechar espaços quando o Brasil é atacado, o atleta passou a se sobressair dos demais. 

Foi bem nos amistosos pré-Copa contra Croácia e Áustria e, iniciado o Mundial, foi eleito o melhor jogador em campo tanto na partida de estreia, no empate por 1 a 1 com a Suíça, quanto no segundo jogo, a vitória suada de sexta-feira por 2 a 0 sobre a Costa Rica. “Ser eleito é legal, mas fico mais feliz com a vitória da equipe. O mais importante foi não desistirmos até o último minuto. Tivemos paciência e fomos premiados”, disse Coutinho depois do triunfo sobre os costa-riquenhos.

Coutinho tem se destacado na Rússia por ser um ótimo passador – tem índice de mais de 90% de aproveitamento de passes – e por estar arriscando chutes a gol sempre que aparecem oportunidades nas proximidades da área. Foram dez chutes nas duas partidas, cinco em cada uma. Longe de ser o ritmista que Tite tanto procurou e não encontrou, tem ditado o ritmo do time, ora buscando imprimir maior velocidade, ora optando pela cadência e troca de passes.

 

Tite tem gostado de Philippe Coutinho. Ele é um jogador “na dele”. Tranquilo, parece aproveitar a Copa do seu jeito. Sorri nos treinos e mostra-se concentrado nos jogos. “Quando você fala de Coutinho, fala de equipe”, respondeu o técnico quando questionado sobre o fato de ele estar fazendo a diferença na seleção. Tite preza o espírito de grupo, a participação coletiva – mesmo os que não jogam – como peças importantes da engrenagem chamada seleção brasileira e o meia se encaixa perfeitamente na filosofia. Ele acredita que futebol é um jogo coletivo e que antes dos objetivos individuais estão os do time.

A rápida adaptação à função que Tite lhe pediu tem uma explicação, de acordo com o próprio jogador: o conhecimento. “Sinto-me à vontade. Já joguei bastante vezes nessa posição no Liverpool e no Barcelona.”

Se Tite quiser alterar seu posicionamento outra vez, não haverá problema. “Meu objetivo é sempre ajudar a equipe do jeito que o professor precisar.”

Recentemente, Tite definiu Coutinho da seguinte forma: “O conjunto de sua obra é muito forte”. E enumerou as qualidades do meia. “Ele tem passe, competitividade, finalização de média distância, rapidez de raciocínio e execução e assistência. E tem associado a isso uma maturidade maior. Entendeu que é protagonista na Copa.” 

Ao analisar as duas primeiras partidas do Brasil, o meia viu virtudes como a persistência e a força mental. E alerta que as “pedreiras” continuarão até o fim, não importando o adversário. “Todos os jogos vão ser bem difíceis. Muita gente acha que por ser o Brasil vai chegar e ganhar fácil. Mas é uma Copa do Mundo e hoje todas as equipes estão se preparando muito bem.”

MATURIDADE

Aos 26 anos – fez aniversário dia 12 –, mesma idade de Neymar, Philippe Coutinho atingiu a maturidade na carreira. Continua tímido no contato com os jornalistas e até mesmo com os torcedores, que são sempre tratados com gentileza, mas dentro do grupo mostra-se descontraído e brincalhão. Mantém hábito simples, como o de pegar um trem para curtir folgas com a mulher Aine e a filha Maria, de 2 anos. 

Foi o que fez após o amistoso com a Croácia em Liverpool. Pouco mais de um hora depois do fim do jogo, já estava dentro do trem com elas rumo a Londres. A mulher e filha, aliás, estão em Sochi, pois o meia acha fundamental a presença delas por perto. Isso o ajuda a se manter mentalmente forte e focado.

 

 

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