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Com o amigo Messi, Neymar deve ter papel diferente no elenco do PSG

Presença do astro argentino pode ofuscar o brasileiro, acostumado a ser o líder da equipe, mas também melhorar o seu rendimento

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2021 | 14h00

Amigos fora de campo e dentro dele protagonistas de um dos maiores times que o Barcelona já teve, Neymar e Messi se reencontraram no Paris Saint-Germain. O craque brasileiro foi determinante para a chegada do astro argentino à França. A ideia é que, juntos, os dois repitam por lá o sucesso que alcançaram no clube catalão, pelo qual conquistaram a Liga dos Campeões na temporada 2014/2015.

A vinda de Messi ao PSG suscita algumas dúvidas. Uma delas diz respeito ao rendimento de Neymar. Existe a expectativa de que o camisa 10, depois de uma temporada oscilante, com novas lesões, volte a ser decisivo e que sua performance cresça ao lado do companheiro com o qual brilhou no Barcelona.

É muito provável que eles se entendam bem em campo, como dois jogadores com predicados que poucos têm e capazes de decidir partidas. Mas e a liderança? No Barcelona, ainda que Neymar tivesse autonomia, cobrando faltas e pênaltis e tomando decisões importantes, Messi, naturalmente, era o "dono" do time, já que estava lá desde os 13 anos. E no PSG?

“Creio que não vai haver problema, não só porque se dão bem, mas também porque com todos estes jogadores de excelente qualidade, eles irão se divertir juntos. O risco seria bem maior se não houvesse conhecimento anterior entre eles”, opina Raí, em entrevista ao Estadão

O ídolo do São Paulo fala com a bagagem de quem jogou no PSG de 1993 a 1998 e foi eleito no ano passado o melhor jogador da história do clube por um júri formado por torcedores, jornalistas e ex-jogadores. Na época, o time tinha pouco mais de 20 anos de fundação e, embora contasse com atletas talentosos, como Raí, não havia esse plano ambicioso dos dias atuais.

“O projeto era outro, estávamos em outro momento da história, e até acredito que alguns valores também mudaram”, recorda-se o ex-dirigente do São Paulo. “A coisa ficou tão longe e com tantas transformações, que me sinto parte de um período que hoje pode se definir como romântico, como os anos 50/60 representavam para minha época. A reação dos torcedores quando me encontram, transmite um saudosismo ainda intenso e gostoso de compartilhar”, explica.

Ele faz a ressalva de que “em um elenco com tantas estrelas fazer a gestão das vaidades e egos é parte do trabalho” do técnico Mauricio Pochettino. O ex-zagueiro Diego Lugano, que atuou no PSG em 2011, logo no início da era milionária, endossa a opinião de Raí e vai além ao analisar a reunião de tantos talentos.  “Essa é a verdadeira questão. Como vão se comportar esses craques, esses egos. Cada um deles por si só é quase uma empresa multinacional com seus próprios interesses gigantes e milionários dentro de um coletivo”, pontua o comentarista dos canais esportivos da Disney.

“Lidar com os egos e com essas individualidades vai ser o maior desafio do Pochettino e é o que todos os fãs de futebol querem ver. No começo, nas primeiras fotos é tudo lindo, mas no decorrer do ano vamos ver como vão responder a diferentes situações. É algo que levanta muitas dúvidas porque são ‘machos alfa’ no mesmo time em busca dos mesmos objetivos”, acrescenta.

O uruguaio entende que Messi vai melhorar o desempenho de Neymar, mas “também, de certa forma, tampa um pouco esse brilho enorme” que o brasileiro tem. O atacante ainda busca, além do título da Liga dos Campeões, ser o melhor do mundo. “Nas últimas temporadas teve um pouco de azar por conta das contusões, mas o nível dele é espetacular, o que ele jogou na Copa América foi espetacular, inclusive na final. Tem tudo para ser o melhor do mundo e o que o Brasil quer que ele venha a ser”, salienta Lugano.

Com a visão de quem foi jogador e técnico do PSG, Ricardo Gomes considera que o excesso de estrelas no elenco não será um problema.  “Acho que não há concorrência interna para ser a maior estrela. Já estão em outra fase. Não creio que seja uma preocupação deles. Eles se preocupam, eu acho, com a pressão de ganhar a Liga dos Campeões. Todo o resto fica para trás. Se não ganharem o título, aí a pressão vai ser maior ainda”, avalia.

Há, no entanto, quem não se empolgue com esse estrelado PSG, que além de Messi e Neymar, conta com Sergio Ramos e Marquinhos na zaga, Donnarumma no gol e Hakimi na lateral direita. Isso sem citar outros jogadores importantes, como Di Maria, Paredes e Verratti.

Lenda do futebol francês, Thierry Henry apontou que o PSG dos últimos anos sofre muitos gols e precisa encontrar um equilíbrio. “Quando você tem jogadores super-humanos, é mais fácil. Mas quando eu vejo como o Paris está evoluindo neste momento... Eles levam gols demais para o meu gosto se quiserem ir mais longe. O equilíbrio é o mais importante”, argumentou ex-jogador, em declaração no programa Dimanche Soir Football, do Prime Video.

“Sempre falamos de grandes jogadores indo para frente. Mas é preciso equilíbrio. Conversamos sobre o time que eu joguei (com Messi e Eto'o) no Barcelona, mas as pessoas esquecem de apontar que nós não levávamos muitos gols”, lembrou. “No geral, os times que não levam muitos gols não estão longe do título, mesmo da Champions League."

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