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Com obras em andamento, Atlético-MG mantém previsão de concluir estádio em 2022

Fase inicial dos trabalhos da Arena MRV já começou; clube aguarda alvará para início da edificação

Leonardo Augusto, especial para o Estado

21 de agosto de 2020 | 10h00

O Atlético-MG caminha para realizar o sonho da torcida de voltar a ter um estádio próprio. As obras da Arena MRV estão em andamento e, quando ficar pronto, o estádio terá capacidade para 46 mil pessoas e custará R$ 560 milhões. A previsão de entrega é 2022. A arena está sendo construída no bairro Califórnia, região noroeste de Belo Horizonte, em terreno de 130 mil metros quadrados doado por Rubens Menin, conselheiro do clube e fundador da construtora MRV Engenharia. A fase inicial do projeto já está em andamento. A licença para instalação do canteiro de obras foi dada pela Prefeitura de Belo Horizonte em dezembro do ano passado. O prefeito da cidade é Alexandre Kalil, ex-presidente do clube.

Com um dos documentos aprovados, estão autorizados procedimentos de preparação do terreno, como a realização de terraplenagem. A etapa teve início em abril. Um segundo documento, um alvará necessário para início da edificação do estádio, era esperado para a sexta-feira passada, dia 14, mas não saiu. Menin garante que não haverá atraso na obra. "O alvará deverá sair na próxima semana", afirmou em entrevista ao Estadão.

O estádio terá ainda esplanada com 19 mil metros quadrados, 68 camarotes, 40 bares e 2,4 mil vagas para veículos no estacionamento. Os recursos para a obra vão sair da venda de metade da participação que o Atlético tem em um shopping construído em terreno que pertencia ao clube, no bairro de Lourdes, zona nobre da capital, num total de R$ 300 milhões, e de financiamento que será pago com recursos gerados da entrada do estádio em funcionamento.

A conta tem ainda R$ 60 milhões em direitos pagos pela MRV para colocar o nome no estádio. "Temos um contrato de dez anos que pode ser renovado por mais cinco", relata Menin. O empresário afirma que a empreiteira não terá participação na administração da arena, o que será feito por uma empresa criada especificamente para isso. Menin explica, no entanto, que participará do conselho de gestão do estádio.

Menin conta que a ideia de ajudar na construção de um estádio para o Atlético surgiu em viagem que fez a Portugal em 2013, depois de acompanhar a derrota do time no Mundial de clubes de Marrocos, competição em que o time brasileiro perdeu para o clube local do Raja Casablanca por 3 a 1, em Marrakesh, e não avançou para a final da disputa.

Em Portugal, Menin foi convidado para conhecer a arena do Porto. "O presidente do clube mostrou a importância de se ter um estádio próprio, com todos os recursos que isso gera. Um time, se quiser ser grande, não pode ser grande sem ter um estádio próprio. Nenhum time do mundo consegue isso. A partir daí, começamos a pensar nisso", conta Menin.  "O que penso é que será algo que ajudará uma entidade de 9 milhões de torcedores."

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Um time, se quiser ser grande, não pode ser grande sem ter um estádio próprio. Nenhum time do mundo consegue isso
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Rubens Menin,, conselheiro do Atlético-MG e fundador da construtora MRV Engenharia

Empresário menos poderoso, mas também fanático pelo Atlético-MG, o dono do principal bar reduto de torcedores do clube em Belo Horizonte, Salomão Jorge Filho, de 50 anos, na mesma linha de raciocínio de Menin, avalia que o estádio vai levar o clube a outro patamar no cenário do futebol brasileiro. "Não vai ser só um lugar para partidas de futebol. Vai ter shows, outros tipos de apresentações. Isso vai aumentar os recursos do clube. É um passo a mais para o time ter um estádio ultramoderno", diz.

Ao menos parte dos jogos com mando do Atlético vem sendo realizada desde 2012 na Arena Independência, que pertence ao América. O outro estádio da capital, o Mineirão, também é utilizado pelo Atlético, mas em maior escala pelo Cruzeiro.

O Atlético já chegou a ter um estádio. Se chamava Presidente Antonio Carlos, tinha capacidade para 5 mil pessoas e ficava no terreno em que hoje existe o shopping center no qual o clube tem participação. O campo foi inaugurado em 1929. O estádio funcionou até 1968 e ficou obsoleto com a inauguração do Independência. A capacidade do Independência hoje é de 23 mil pessoas.

Um dos frequentadores do Estádio Presidente Antonio Carlos era o hoje bancário aposentado Braz Filizzola Neto, de 77 anos. Ostentando duas de suas principais relíquias - um álbum de figurinhas dos jogadores do clube em 1950, e uma camisa da equipe autografada por jogadores do time campeões do campeonato brasileiro de 1971, -, Braz acredita que o novo estádio será um orgulho para o torcedor atleticano. "Vai trazer uma identidade ainda maior para o time, além de ajudar no caixa", avalia.

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