Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Com obras paralisadas, Arena Palestra enfrenta mais um problema

Ministério Público quer suspensão de alvarás por causa de falhas na impermeabilização da área

Daniel Akstein Batista, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2011 | 20h01

SÃO PAULO - As já tão conturbadas obras da Arena Palestra ganharam um novo capítulo nesta quarta-feira. O Ministério Público de São Paulo enviou carta ao clube, à WTorre e à Prefeitura recomendando a suspensão do alvará para a execução da reforma do estádio.

Segundo o MP, há uma série de problemas de impermeabilização da área. Mas, de acordo com a empresa que planeja a futura Arena do Palmeiras, este não é um problema a ser temido. "O MP fez uma série de questionamentos, mas fizemos tudo direitinho", garantiu Rogério Dezembro, diretor de novos negócios da WTorre. "Vamos dar atenção e um retorno ao MP, mas não é algo para parar as obras. Todas as licenças foram obtidas e o alvará está válido."

Como disse Dezembro, não será este documento que parará as reformas do estádio. Até porque elas já estão paradas. Nesta quarta, o Palestra Itália viveu dia atípico. Ao invés do vai e vem dos mais de 300 operários que seguiam diariamente a rotina de quebradeira no estádio, o que se viu foram máquinas paradas e um vazio frustrante.

Como prometido, a WTorre paralisou as obras da futura Arena e só vai retomá-las assim que Arnaldo Tirone assinar a escritura que falta.

A expectativa era a de que o presidente palmeirense devolvesse o documento mesta quarta, mas novamente Walter Torre, presidente da empresa, ficou esperando em vão. "A gente está fazendo uma minuta do contrato, estou esperando que meus advogados acertem tudo para eu poder assinar", justificou Tirone. "Estou tranquilo", garantiu.

Torre havia dado um prazo para que o Palmeiras resolvesse o imbróglio e resolveu parar as obras assim que não teve a resposta positiva na terça-feira. Em busca da paz com o clube, o empresário chegou até a dar uma garantia pessoal caso a reforma não seja concluída. Outros três diretores da construtora fizeram o mesmo. O Palmeiras acha pouco os 38% do seguro de performance (se a empresa sair do negócio, clube e nova construtora arcariam com os 62% restantes do valor total da obra), mas deve acatar a proposta de Torre.

Agora vai? A promessa é que Tirone assine a escritura hoje e as obras voltem ao normal amanhã. Ele, porém, queria acrescentar no contrato uma cláusula que liberasse o clube para procurar outras empresas em curto período de tempo, para descobrir se o acordo com a WTorre foi realmente o melhor. Não conseguiu.

Nem Palmeiras nem a WTorre querem encerrar o contrato, mas a parceria já vem há semanas com ruídos. A demora de Tirone em assinar o documento irritou Walter Torre, que alega já ter colocado R$ 40 milhões na Arena. Caso o contrato chegue ao fim, a empresa vai cobrar este valor do clube que, inicialmente, teria um problema em mãos: uma casa cheia de entulhos. Por isso mesmo, queria conversar com outras construtoras agora, para saber o que fazer caso a WTorre deixe a parceria.

Dos cerca de R$ 300 milhões que serão gastos na Arena, o Banco do Brasil financiará R$ 150 milhões. E avisou que não bancará o projeto enquanto não tiver o documento final em mãos.

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