Johannes Eisele/AFP
Johannes Eisele/AFP

Com os olhos marejados, Óscar Tabárez lamenta eliminação: 'A França foi melhor'

Uruguai perdeu por 2 a 0 para o time europeu nas quartas de final da Copa do Mundo

Glauco de Pierri, enviado especial / Nizhny, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 14h22

Com os olhos marejados e um olhar de tristeza que chegava a surpreender, o "Maestro" Óscar Tabárez conversou com a imprensa na sala de imprensa do estádio de Nijni Novgorod, nesta sexta-feira, após a derrota por 2 a 0 sofrida pelo Uruguai diante da França nas quartas de final da Copa do Mundo. De forma simples, não falou nada sobre a ausência de Cavani do jogo e foi direto: "A França foi melhor. Por isso ganhou o jogo. O futebol é simples".

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O técnico disse que seu time tentou agredir o adversário, mas não encontrou os espaços dentro da partida. E ele também não tentará tirar lições deste confronto. "Não aprendemos nada hoje porque perdemos", disse.

"Hoje acabou o nosso sonho. Porém, quando um sonho acaba, logo surge outro e assim é a vida. Nosso país tem gana futebolística e sei que todos estão sentindo a dor da derrota. Mas fizemos uma ótima campanha, vamos conseguir outras coisas. Times considerados da elite do futebol mundial foram antes de nós. Não precisamos dramatizar porque isso não é nossa realidade. A derrota veio por questões de detalhes. O primeiro gol foi um detalhe, uma vez ou outra isso ocorre. E quando alguém comete um erro individual, temos que buscar soluções coletivas. Mas hoje não conseguimos. Eles foram superiores", disse o treinador.

Sobre o gol cabeça marcado por Varane, ainda no primeiro tempo, e sobre a falha do goleiro Muslera no segundo gol francês, o técnico preferiu não comentar as falhas individuais de seus jogadores. "Gol de cabeça não é algo comum para nós, mas esse é o futebol. Assim é a vida. Só não erra quem não faz nada. Quem faz, tenta melhorar", defendeu Tabárez.

 

O técnico ainda admitiu, de certa forma, a supremacia europeia, apesar de lembrar a todos que o Brasil ainda disputa o Mundial. "Ninguém sabe quem é que vai ser o campeão. Mas me parece que na Europa a realidade do futebol é essa. Tem certa supremacia econômica, de desenvolvimento. Mas não vamos tomar essa partida como referência para nós porque há 12 anos fazemos o que julgamos ser o correto."

Sobre sua continuidade no trabalho, o técnico desconversou. "Não conheço muitos casos de decisões de federações que são anunciadas pelo técnico. Não vou falar disso agora porque não diz respeito a mim. Qualquer declaração nesse sentido pode gerar matéria-prima para os jornalistas. Essa parte do trabalho terminou. Foi o mesmo no Mundial do Brasil. Depois vamos ver como ficarão as coisas, mas sei que o Uruguai vai seguir sua vida futebolística. Só tenho uma certa tristeza pela eliminação."

Sobre a continuidade ou não de seguir atrás do sonho do título mundial, Tabárez disse que essa busca não precisa ser com ele. "Não é um sonho só meu, é do nosso povo. É a nossa nação. Daqui quatro anos tem outro torneio. Tem muita gente com 18, 19 anos. E eu falo algo aqui: nenhuma atividade humana reúne tanta gente como uma Copa do Mundo. Estamos com esse sentimento de termos participado disso, algo único. Tentamos fazer as coisas do jeito certo hoje, mas não conseguimos. Só de participarmos disso aqui já é algo importante", afirmou.

"O mundo reconheceu certas coisas, para nós custa um pouco mais em relação a outros lugares como França, Alemanha, Inglaterra. O futebol é o esporte que mais te dá oportunidades, nunca se sabe o que caminho que se pode ter. Quero analisar as coisas com calma. Perdemos, não é necessária que se faça uma reflexão. Tenho orgulho de dirigir a seleção", finalizou o 'professor', que se levantou com dificuldade e muito aplaudido pelos jornalistas.

 

 

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