Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com participação do VAR, Cruzeiro bate o Corinthians e conquista a Copa do Brasil

Mineiros voltam a vencer paulistas no confronto e faturam o hexacampeonato do torneio

João Prata, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2018 | 23h57

O árbitro de vídeo participou de maneira inédita em uma final nacional e acabou como protagonista. Com atuação em dois lances capitais na partida, foi decisivo na vitória do Cruzeiro por 2 a 1 sobre o Corinthians nesta quarta-feira, em Itaquera . O time mineiro, que não tem nada com isso, com o resultado, garantiu o hexa da Copa do Brasil e se tornou o maior campeão do torneio, superando o Grêmio, que tem cinco títulos. De quebra, também obteve o feito de ser o único bicampeão consecutivo.

Vencedor também nas edições de 1993, 1996, 2000, 2003 e 2017, o Cruzeiro embolsará neste ano a premiação recorde de R$ 50 milhões. O Corinthians, com o vice, garantiu R$ 20 milhões aos cofres.

A taça veio com presença do VAR. O time mineiro fechou o primeiro tempo na frente, com um gol de Robinho. O Corinthians voltou mais ligado na etapa final e empatou graças a um pênalti assinalado com o auxílio da TV. Jadson fez. E poderia ter virado na sequência, em um golaço de Pedrinho. Mas o árbitro de vídeo voltou a agir e viu falta de Jadson em Dedé. Houve grande indignação na arquibancada, mas não adiantou nada. Pouco depois, o Cruzeiro acertou contra-ataque e matou o jogo com Arrascaeta.

O JOGO

Jair Ventura surpreendeu na escalação e colocou em campo Emerson Sheik e Jonathas nas vagas de Clayson e Mateus Vital. O time tentou impor o jogo no início, tinha mais posse de bola do que o adversário, mas errava muitos passes. Tanto é que quem assustou primeiro foi Thiago Neves. Em um rápido contra-ataque, a zaga corintiana se atrapalhou e o meio-campista bateu para defesa de Cássio.

Sem conseguir criar nada no início, os jogadores do Corinthians passaram a demonstrar muito nervosismo. Na metade do primeiro tempo, Ralf, Gabriel e Sheik já tinham recebido cartões amarelos. Aos 27, Léo Santos se atrapalhou com a bola no lado direito, Rafinha roubou e tocou para Barcos. O centroavante bateu colocado e acertou a trave. Na sobra, Robinho mandou para as redes e calou a Arena.

O desespero da equipe anfitriã aumentou. Os atletas, completamente desorganizados em campo, viram o Cruzeiro chegar muito perto do segundo. Após cruzamento na área, Dedé cabeceou na trave. O Corinthians só foi dar o primeiro susto no adversário aos 36 minutos, com Henrique, que mandou de cabeça para fora.

Com a vantagem no placar, o Cruzeiro recuou e a equipe de Jair Ventura passou a pressionar. Emerson Sheik, apesar dos 38 anos de idade, era o mais efetivo. As principais chances criadas saíram em jogadas com ele pelo lado direito. 

No entanto, Jonathas não conseguia dominar uma bola no comando do ataque. O centroavante trombava, se atrapalhava e reclamava com o árbitro. Romero, no lado esquerdo, também pouco produziu e o time alvinegro desceu para o intervalo com sua regularidade de não conseguir chutar uma bola em direção ao gol de Fábio. 

No segundo tempo, o Corinthians voltou a mil por hora. Embalado pelos torcedores, conseguiu o empate logo no início. Aos dois minutos, Thiago Neves derrubou Ralf na área. O árbitro mandou o jogo seguir, mas depois consultou o VAR e então deu pênalti. Após muita discussão, Jadson cobrou e deixou tudo igual, encerrando um jejum de 435 minutos da equipe sem balançar as redes.

O Corinthians seguiu pressionando. Pedrinho veio a campo na vaga de Jonathas. E assim como fez contra o Flamengo, mandou uma bomba de fora da área em um de seus primeiros lances em campo e acertou o ângulo de Fábio. O VAR, no entanto, foi acionado e o árbitro entendeu que no lance anterior Jadson cometeu falta em Dedé e anulou o gol que levaria a decisão para os pênaltis para indignação dos torcedores corintianos.

Jair então decidiu ir para o tudo ou nada e mandou a campo Mateus Vital na vaga do volante Gabriel. O time foi todo para cima e levou um contra-ataque mortal, aos 36. Raniel tocou na esquerda para Arrascaeta, que invadiu a área e tocou na saída de Cássio. O gol fez valer o investimento do Cruzeiro, que gastou R$ 60 mil para trazer o uruguaio dos amistosos da seleção de seu país no Japão.

O Corinthians sentiu o gol e não esboçou mais reação. Tentou jogar a bola na área do adversário, mas sem muita efetividade. O Cruzeiro passou a tocar a bola e garantiu o hexa da competição.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 1 X 2 CRUZEIRO

CORINTHIANS - Cássio; Fagner, Léo Santos, Henrique e Danilo Avelar; Ralf e Gabriel (Mateus Vital) e Jadson; Sheik (Clayson), Jonathas (Pedrinho) e Romero. Técnico: Jair Ventura.

CRUZEIRO - Fábio; Edílson, Dedé, Léo e Lucas Romero; Henrique, Ariel Cabral, Robinho, Thiago Neves (Lucas Silva) e Rafinha (Arrascaeta); Barcos (Raniel). Técnico: Mano Menezes.

GOLS - Robinho, aos 21 minutos do primeiro tempo; Jadson, aos nove, e Arrascaeta aos 40 do segundo tempo.

ÁRBITRO - Wagner do Nascimento Magalhães (RJ).

CARTÕES AMARELOS - Ralf, Gabriel, Sheik, Romero e Fagner (Corinthians); Robinho e Thiago Neves (Cruzeiro).

PÚBLICO - 45.978 pagantes.

RENDA - R$ 5.108.151,00.

LOCAL - Arena Corinthians, em São Paulo (SP).

 

 

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