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Ao custo total de R$ 271,48 milhões, o estádio do Orlando City terá capacidade inicial para 20 mil pessoas Divulgação

COM PLANO AMBICIOSO E KAKÁ, ORLANDO CITY QUER GANHAR O MUNDO

Clube americano trabalha para expandir sua marca em todos os continentes

ALMIR LEITE, Estadão Conteúdo

29 de dezembro de 2015 | 07h32

O Orlando City vai disputar no próximo ano a sua segunda temporada na Major League Soccer (MLS), a divisão principal do futebol dos Estados Unidos. Mas já olha para a frente, bem adiante. O plano é ganhar e conquistar um número cada vez maior de simpatizantes em países de todos os continentes. Para o Brasil, o objetivo também é ambicioso: tornar-se o segundo time da grande maioria do fãs do futebol no País.

A evolução contínua do clube fundado em 2010 em uma das principais e mais conhecidas cidades da Flórida é parte importante do plano de negócios desenvolvido por seu proprietário, o brasileiro Flávio Augusto da Silva. E está intrinsecamente ligada à expansão da MLS, a liga que mais cresce no planeta.

Para isso, um jogador brasileiro exerce papel fundamental: Kaká. "Nosso objetivo é ter uma marca global de futebol. Ele representou um investimento que está conectado com esse objetivo", disse Flávio ao jornal O Estado de S.Paulo. "O Orlando City passou a ser conhecido no mundo por causa também do Kaká".

Mas o craque brasileiro é apenas um dos pilares da expansão pretendida - e do índice já obtido. A própria escolha da cidade em que o time está instalado foi feita considerando-se o mercado e as possibilidades de negócios. E o "martelo" foi batido após uma pesquisa sinalizar que Orlando era mais indicada do que Atlanta, que também estava na concorrência para receber o clube.

O potencial do paraíso turístico da Flórida ganhou de goleada da cidade localizada na Geórgia. "Orlando recebe quase 60 milhões de turistas por ano. O Brasil inteiro recebe cinco milhões e na Copa (de 2014) recebeu seis", comparou Flávio, que comprou a franquia em fevereiro de 2013. "A gente identificou na cidade esse potencial extra que nos daria uma força a mais para promover o nosso clube no mundo inteiro".

Há vários passos planejados. Um deles é tornar o Orlando City forte na China e, por extensão, na Ásia. Para isso, está sendo acertada uma excursão do time pelo país. "A gente deve fazer amistosos lá em fevereiro. Kaká tem um apelo muito forte na China, é muito admirado".

Na Europa, o meia eleito o melhor jogador do mundo em 2007 já esta ajudando o clube a decolar. O Orlando é o clube da MLS que tem mais partidas exibidas pelas tevês do continente. A Liga vende os direitos da competição - os direitos são negociados para mais de 100 países -, mas são as emissoras de cada país que decidem quais partidas exibirão.

No Brasil, a acolhida também tem sido boa, disse o proprietário do Orlando City. "Os jogos do Orlando têm 55% a mais de audiência do que os dos outros clubes. O curioso é que o fator principal não é o Kaká e sim a nossa torcida, que é muito animada. Todos os jogos estão lotados e isso motiva, aumenta o interesse".

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Com ajuda de brasileiros, time terá casa própria em 2016

Estádio para 26 mil pessoas está orçado em US$ 170 milhões

Almir Leite , O Estado de S. Paulo

29 de dezembro de 2015 | 07h18

Até 2014 o Orlando City participou da USL (United League Soccer, que pode ser considerada a Segunda Divisão do futebol dos EUA). Foi campeão em 2011, 2012 e 2014, mas só ascendeu à MLS depois de apresentar um projeto claro e consistente. "É preciso interessar à Liga. É uma decisão de negócios", explica Flávio Augusto.

Uma das exigências é que o clube tenha estádio. O Orlando ainda não tem (joga no Citrus Bowl, para 65 mil pessoas), mas vai inaugurar sua própria casa no segundo semestre de 2016. Na primeira temporada na MLS, o time teve média de público de 33 mil pessoas por partida. Por isso, o plano inicial de construir um estádio para 19 mil pessoas foi alterado para um de cerca de 26 mil. O objetivo é claro: ter a arena sempre lotada, além de audiência grande, porque a procura por ingressos será maior do que a oferta e, com isso, a televisão será opção.

O estádio está orçado em US$ 170 milhões, integralmente cobertos com recursos privados, e Flávio decidiu abrir as portas para investidores brasileiros para financiar a construção da "casa própria".

Isso é possível pelo EB5, um programa norte-americano que dá ao estrangeiro possibilidade de obter o "green card" para ele e sua família desde que invista US$ 500 mil em um negócio que gere empregos no país. "Em 2009 (quando ele foi para o Estados Unidos) eu tive o green card por meio de um investimento que fiz", explica Flávio. "Hoje estamos abrindo cotas para investidores brasileiros que tenham essa condição financeira."

Ele colocou 80 cotas à disposição e garante já ter fechado comquase 40 pessoas. Quem comprar uma das cotas, se tornará acionista minoritário do estádio – não do clube. "Não deixa de ser um bom investimento, uma vez que há sempre perspectiva de excelente público, e ainda dá acesso ao green card", afirmou o empresário.

Para manter a casa cheia e com muitos eventos, Flávio decidiu expandir também o futebol do Orlando City. Criou um time B, que vai disputar a USL, e um time feminino, que jogará o principal campeonato norte-americano.

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Meta do Orlando City é conseguir vaga no Mundial de Clubes

Proprietário aposta que times dos EUA e Canadá vão desbancar mexicanos

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

29 de dezembro de 2015 | 07h24

A Major League Soccer, fundada em 1996 a reboque da Copa do Mundo de 1994, vem experimentando um grande crescimento nos últimos anos. Mas, de acordo com Flávio, essa evolução demorou a ser percebida. "Isso já vinha acontecendo. Parece que o mundo percebeu o que acontecia nos Estados Unidos", diz o empresário. "Duzentos mil americanos vieram ao Brasil ver o Mundial. Além disso, lá torcedores lotaram estádios para ver jogos nos telões."

Ele cita como exemplo desse interesse a apresentação de Kaká pelo Orlando City, ocorrida durante a Copa de 2014. "Havia 12 mil pessoas nas ruas de Orlando para recebê-lo, quem imaginaria isso?"

Flávio tem certeza de que a MLS vai continuar evoluindo a passos largos. O plano é ter 24 clubes até 2022 – atualmente tem 20, três se preparam para entrar em até dois anos e a vaga restante deverá ter oito candidatos –, quando a liga se tornará tão forte que será capaz de competir em pé de igualdade com qualquer outra no mundo – e com os clubes mais ricos. "Nossa estimativa é que daqui a sete anos o faturamento da MLS vai ser grande o suficiente para competir pela contratação dos melhores jogadores do mundo."

O Orlando City espera aproveitar esse crescimento para alcançar outra meta, a de disputar o Mundial de Clubes. Hoje isso parece ser impossível, porque os times norte-americanos e canadenses concorrem pela vaga da Concacaf, que quase sempre fica com uma equipe do México – o América participou do último Mundial.

Flávio, no entanto, prevê que isso mudará nos próximos anos. "É menos impensável do que parece. Os mexicanos dominam a Concacaf, mas neste ano de 2015 a final foi entre Montreal e América. Pesou a tradição e o América levou, mas considero que logo clubes dos Estados Unidos e do Canadá poderão ser campeões e irem ao Mundial. A distância é pequena e está diminuindo", aposta o proprietário do Orlando.

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