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Fundado há apenas 10 anos, o Auckland City FC conquista novos fãs na Nova Zelândia Divulgação

COM PLANOS MODESTOS, AUCKLAND CITY DISPUTA MUNDIAL PELA 6ª VEZ

Mesmo sendo o time que mais vezes participou da competição, equipe da Nova Zelândia possui noção de seu amadorismo e considera uma vitória estar no torneio

Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2014 | 07h00

Cinco vezes campeão nacional e hexa da Liga dos Campeões da Oceania, o Auckland City inicia a disputa de seu sexto Mundial de Clubes da Fifa com o mesmo objetivo das outras vezes: participar da festa. Equipe que mais disputou o torneio na história moderna, o time neozelandês entra em campo para encarar o Moghreb Tétouan querendo surpreender o atual campeão nacional do Marrocos, mas ciente de que disputar a competição já é uma vitória.

Fundado há dez anos na cidade mais populosa da Nova Zelândia, o Auckland City foi um dos oito times criados no país pela Federação nacional com o objetivo de desenvolver o futebol na região, tradicionalmente famosa pela seleção nacional de rúgbi e pela prática de esportes radicais em seus arquipélagos.

Das dez edições realizadas, o Campeonato Neozelandês, chamado desde 2011 de ASB Premiership, teve apenas dois vencedores. Além das cinco conquistas do Auckland City, o seu arquirrival Waitakere United ganhou as outras cinco edições. No entanto, a equipe alvirrubra possui apenas duas Liga dos Campeões da Oceania.

E é no torneio continental em que o Auckland City se diferencia. Das nove vezes em que disputou a competição, o time ganhou seis, sendo o maior vencedor do campeonato. O último foi conquistado em maio deste ano, quando os neozelandeses venceram o Amicale, de Vanuatu, em casa, após empate em 1 a 1 na primeira partida. Na grande decisão, cerca de 3.500 torcedores (capacidade máxima do estádio) do Auckland lotaram o Kiwitea Street para assistir ao hexa.

Apesar da soberania no futebol local, a equipe sofre quando joga o Mundial de Clubes. Das cinco edições disputadas até agora pelo clube (2006, 2009, 2011, 2012 e 2013), ele teve duas vitórias e uma quinta posição alcançada como maior triunfo em seu segundo ano no torneio. O time venceu o Al-Ahli, dos Emirados Árabes, por 2 a 0, e o Mazembe, da República Democrática do Congo, por 2 a 0 também, após ser derrotado na oitavas de final pelo Atlante.

Nas outras quatro competições, perdeu sempre na primeira rodada. Ao todo, acumula seis derrotas em oito partidas. Apesar do histórico negativo, o treinador da equipe, Ramon Tribulietx, afirma que não há pressão em cima dos jogadores. "Somos o único clube amador na competição e seremos os azarões. Estamos muito empenhados em competir bem o quanto pudermos e temos fé em nossa capacidade de jogo, mas também somos realistas com as nossas chances", disse em entrevista ao Estado.

Capitão e jogador mais experiente do time, Ivan Vicelich afirmou ao Estado que jogar contra os campeões nacionais do país-sede trará grandes dificuldades. "O Moghreb é o campeão marroquino por uma razão e sabemos que vai ser um adversário muito, muito difícil. Temos fé de que se mantivermos nossa tática, nos organizarmos em campo, trabalharmos duro e ficarmos focados, nós teremos chance de competir com eles. Se não pudermos fazer essas coisas, iremos lutar".

Para o zagueiro de 38 anos, a equipe tentará a classificação, mesmo jogando contra a força da torcida no Marrocos. "Com muito trabalho, organização e disciplina nós podemos ser competitivos no nível superior e talvez criar uma surpresa. Para um clube como o Auckland City, se qualificar para o Mundial de Clubes já é uma conquista fantástica", afirmou.

EVOLUÇÃO DO FUTEBOL LOCAL

Desenvolver o futebol no meio do amadorismo é uma tarefa complicada, porém, a Nova Zelândia vê os frutos sendo colhidos aos poucos. Após surpreender na Copa do Mundo de 2010 e empatar seus três jogos contra Paraguai, Eslováquia e Itália, a equipe ficou no 'quase' em 2013, quando foi derrotada pelo México na repescagem para o Mundial no Brasil neste ano.

Vicelich, que esteve presente nas duas campanhas acredita que parte do desenvolvimento vem tanto pelas conquistas do Auckland City, quanto pela campanha da Nova Zelândia há quatro anos. "Há mais oportunidades na Oceania para competir no cenário mundial e isso levou a uma melhoria. Nós mostramos isso na Copa do Mundo de 2010, com a Nova Zelândia e também com o Auckland City, em Abu Dabi, em 2009", explica o zagueiro, que ainda é o atleta que mais jogou pela seleção neozelandesa, com 88 atuações.

O desenvolvimento do Auckland e do futebol no país também pode ser relacionado a Tribulietx. Espanhol nascido em Barcelona, o técnico disse que a forma de pensar futebol dos neozelandeses também está mudando. "O jogo está progredindo na Nova Zelândia. As gerações mais jovens têm um bom nível de habilidade e compreensão e permitirão à seleção nacional jogar de maneira diferente muito em breve. O futebol jogado agora é mais moderno no estilo de posicionamento."

Apesar da evolução, Vicelich sabe que o caminho é longo. Ainda sem planos de parar, o jogador, que também concilia sua função no gramado com a de auxiliar do Auckland, sabe que ainda há o que fazer para o futebol local evoluir. "Vai ser muito difícil de continuar em frente com um treinador ainda novo e uma grande quantidade de jogadores mais velhos. Mas temos de sonhar alto e tenho certeza de que a Nova Zelândia vai estar de volta (à Copa do Mundo) em algum momento."

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