Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Com projeto ambicioso, Red Bull Bragantino vai do ostracismo ao flerte com o título da Sul-Americana

Duas temporadas após o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, time de Bragança Paulista disputa a final da Copa Sul-Americana em sua estreia no torneio; clube tem como alvo se consolidar no cenário nacional e bater de frente com gigantes

Rodrigo Almonacid, AFP

19 de novembro de 2021 | 20h00

Quer ganhe ou não a Copa Sul-Americana, o Red Bull Bragantino terá alcançado em três anos o que há décadas é indescritível para times tradicionais, graças a uma fórmula que mistura investimento, juventude e futebol propositivo. O time de Bragança Paulista, município de 172 mil habitantes localizado a cerca de 90 km de São Paulo, participa pela primeira vez do torneio sul-americano e pode ser campeão já neste sábado, quando enfrenta o Athletico-PR na final da competição, em Montevidéu, no Uruguai.

Este cenário parecia inimaginável para um elenco que emergiu em 2019 da fusão do tradicional Bragantino, que joga na Série B do Campeonato Brasileiro desde 1999, e do Red Bull Brasil, fora das quatro categorias nacionais.

“As coisas aceleraram mais do que o esperado. Seria arrogância, prepotência dizer que o plano era ess, porque não é racional, tudo o que está acontecendo não é lógico”, disse Thiago Scuro, diretor executivo do clube, ao Dividido programa do portal UOL.

Por sua vez, a Red Bull, empresa austríaca de bebidas concordou em março de 2019 em fundir os dois clubes, como parte de seu projeto global de futebol que inclui clubes como Leipzig (Alemanha) e Salzburg (Áustria). O grupo investiu R$ 45 milhões de reais para formar um time que venceu a segunda divisão sem pressa em 2019.

Com o acesso, a bola de neve começou a crescer na temporada seguinte. Terminaram na décima posição no Brasileirão em 2020, classificando-se para a edição seguinte da Copa-Sul-Americana — na qual são finalistas. NO campeonato nacional, estão em quinto, garantindo momentaneamente uma vaga na pré-Libertadores de 2022. 

Roteiro: bater de frente contra os grandes

De acordo com Scuro, o crescimento “é resultado do que é o futebol brasileiro, da qualidade dos jogadores, de quando se traça um caminho, se cria e se organiza uma ideia”. Com base na experiência acumulada com seus outros clubes, cada um com gestão independente, mas com troca constante de conhecimento e informações, a Red Bull traçou um roteiro para cumprir uma meta muito ambiciosa de médio prazo: lutar contra os grandes do Brasil.

O objetivo era contratar jogadores jovens, mas sem o objetivo principal de vendê-los mais tarde para obter lucros suculentos. Em início de carreira, explica Scuro, os jovens estão mais abertos a novos conhecimentos e apresentam melhor condição física, fundamental para sua proposta futebolística ofensiva e agressiva.

“Somos uma equipe muito intensa que deixa o adversário todo desconfortável, com ou sem bola. Para desenvolver este jogo, do ponto de vista físico ou mental, o jovem tem uma maior facilidade, porque ainda está a treinar ", diz o gerente.

“Se contratamos um jogador com um bom histórico, vencedor, de trinta e poucos anos, é mais desafiador fazê-lo mudar a forma como ele vê o jogo”, acrescenta.

Dos 33 jogadores inscritos na Sul-Americana, apenas quatro têm mais de trinta anos: o goleiro reserva Júlio César (37), o atacante Ytalo (33) e os zagueiros Aderlan (31) e Edimar (35).

Desafio da consolidação

Do atual elenco já foram convocados dois jogadores para a Seleção Brasileira, o zagueiro Léo Ortiz e o atacante Artur. Também convocado por Tite, o meio-campista Claudinho foi o artilheiro do torneio brasileiro de 2020, com 18 gols, e foi transferido para o Zenit, da Rússi, em agosto.

"O clube dá confiança e liberdade para o desenvolvimento dos jogadores. Os jogadores têm mais tranquilidade para se desenvolver, sabem que por um ou dois jogos ruins não serão esquecidos", disse Ortiz à AFP.

Sob o comando do técnico Maurício Barbieri, com passagem pelo poderoso Flamengo, o time paulista pretende coroar uma temporada de sonhos contra o compatriota Athletico-PR, campeão da Sul-Americana de 2018.

Embora o título internacional os revele, os esforços estão voltados para a consolidação como equipe de peso. Para isso, entre 2023 e 2025, eles planejam começar a treinar jogadores de base.

“Não podemos competir financeiramente com os times de ponta (...) Nossa estratégia é ser competitivo por meio do desenvolvimento de jovens talentos”, afirma Scuro. "Como clube, como organização, as expectativas aumentam, esse é o desafio, porque ninguém espera um revés".

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