Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Com proposta de padronização nas seleções, CBF aguarda por 'sim' de Tite

Entidade quer contar com o treinador para liderar mudanças na gestão do futebol brasileiro, envolvendo desde a base até o profissional

Jamil Chade e Almir Leite, enviados especiais/Moscou e Kazan, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2018 | 15h02

A CBF quer que Tite lidere um amplo plano para tentar revolucionar a gestão do futebol brasileiro, com uma proposta que incluirá um mapeamento completo de garotos desde os 12 anos de idade, num esforço para identificar futuros jogadores para a seleção brasileira principal.

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A proposta fez parte de uma conversa entre Rogério Caboclo, presidente eleito da CBF, e o treinador. O cartola assume em 2019 e quer criar um plano de médio e longo prazo para restabelecer a competitividade da seleção. A meta é, ainda, não depender de um só jogador.

Na proposta, a CBF também considera uma coerência no trabalho dos diferentes times de base, garantindo que um "estilo" de jogo seja implementado. O modelo é parecido ao que existe no Barcelona, em que os jogadores já chegam à equipe principal conhecendo a filosofia de jogo.

A proposta representa parte da oficialização da ideia da CBF de manter Tite no comando da seleção, conforme o Estado havia revelado na madrugada de sábado, horas depois da eliminação do Brasil da Copa do Mundo da Rússia, ocorrida na sexta-feira, em Kazan, com uma derrota por 2 a 1 para a Bélgica.

 

Tite, extremamente abatido, disse, na entrevista coletiva após o confronto, que aquele não era o momento para falar se pretendia ou não seguir no comando da seleção. Mas depois se reuniu com Caboclo na madrugada de sábado e o encontro foi considerado como uma maneira que o cartola encontrou para levantar o moral do treinador. O dirigente entendeu que Tite havia feito um "trabalho excelente" e que a ideia seria de manter o mesmo caminho.

Entre os membros da CBF, o silêncio de Tite por enquanto foi interpretado como um sinal de que ele ainda quer conversar com seu agente, ao retornar ao Brasil. O comandante também indicou que não teria como garantir que todos os membros de sua comissão técnica ficariam no grupo. Mas admitiu que tampouco saberia dizer naquele momento quem estaria disposto a ficar ou não.

Assumindo a presidência da CBF em 2019, Caboclo sabe que terá em mãos uma entidade em crise e que precisa resgatar a credibilidade do futebol brasileiro. Mas a ideia é de que isso apenas conseguirá ser feito num plano de longo prazo. O novo dirigente será o presidente da CBF até 2022 e, se reeleito, poderia ficar ainda até a Copa de 2026.

Uma oposição, porém, começou a ser formar nos últimos dias, usando a crise causada em Moscou pelo presidente em exercício da entidade, o coronel Antonio Nunes.

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