Fernando Bizerra Jr./EFE
Fernando Bizerra Jr./EFE

Com protestos, Fifa atua pela segurança dos voluntários

Dois grandes manifestos estão previstos para o Rio durante a final da Copa das Manifestações

TIAGO ROGERO, Agência Estado

27 de junho de 2013 | 13h57

RIO - Com medo do protesto da última quinta-feira - o maior e mais violento até agora no Rio desde o início das manifestações -, a Fifa manteve dentro do Maracanã, mesmo após o fim do jogo, os quase mil voluntários que trabalharam durante a goleada da Espanha sobre o Taiti, por 10 a 0. Para a final da competição, no domingo, que terá Brasil contra Espanha ou Itália, a partir das 19 horas, pelo menos dois grandes protestos estão previstos para o entorno do estádio e a entidade deve ter de novamente "segurar" os voluntários dentro do Maracanã.

"Se existe algum risco, somos comunicados e então mantemos os voluntários no centro de voluntariado por um pouco mais de tempo", disse o gerente de voluntários do Comitê Organizador Local (COL), Rodrigo Hermida. "Não existe nenhum ataque direto aos voluntários, não têm acontecido, mas pedimos a eles para prolongarem a estada dentro do estádio. Fornecemos mais alimentação, claro, e quando temos um sinal verde da segurança, liberamos", completou.

Escalado pela Fifa para a entrevista coletiva, o voluntário indiano Omprakash Mundra, de 63 anos, confirmou ter ficado "preso" por um tempo no Maracanã na última quinta-feira. "Meu telefone não funcionou bem", revelou ele, citando um problema que tem sido comum dentro dos estádios da Copa das Confederações. "Minha esposa me ligou umas quatro vezes querendo saber como eu estava por causa da manifestação, e foi assim que fiquei sabendo. Quando saí do estádio, havia muitos policiais", contou o empresário, que desde os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, roda o mundo como voluntário.

Na última quinta-feira, cerca de 300 mil manifestantes se reuniram no centro do Rio e seguiram até a prefeitura, que fica a 2,6 quilômetros do Maracanã. Ao fim da manifestação, vândalos quebraram placas, vidros de lojas e atearam fogo em partes da Avenida Presidente Vargas. Mas não foi isso que assustou o simpático indiano: "Estive no Rio em 2007 para conhecer o Maracanã e agora voltei para a Copa. Fiquei assustado com o aumento dos preços de alimentação e hospedagem, o dobro de tudo na Índia".

O gerente de voluntários do COL negou que haja uma orientação aos voluntários para que tirem os uniformes ao deixarem os locais de trabalho. "Não damos nenhuma orientação nesse sentido. Confiamos plenamente na segurança governamental e do COL. De fato, aconteceram alguns problemas realmente no entorno do estádio", disse Hermida. O indiano Mundra, entretanto, contou que só saiu do estádio depois de tirar o uniforme completo e o crachá de voluntário.

IDIOMA

O gerente do COL admitiu erro no sistema de seleção de voluntários, no que diz respeito à fluência em língua estrangeira. "Até por um erro meu, colocamos no questionário a pergunta ''Você fala inglês?'' como opcional. Provavelmente, vamos tornar essa pergunta obrigatória na seleção para a Copa do Mundo", explicou Hermida, que não soube informar quantos dos 5.652 voluntários falam inglês - só 265 deles são estrangeiros.

Ao ouvir de um jornalista alemão sobre sua dificuldade para conseguir encontrar um voluntário que falasse inglês durante partida no Mineirão, Hermida respondeu: "O Brasil fala português". Mas aliviou depois. "Não quero ser grosseiro com isso, entendemos a necessidade dos estrangeiros. Criamos diversas vagas operacionais em que os requisitos incluíam fluência em inglês. Fico chateado por você não ter encontrado nenhum deles", afirmou.

No Mundial de 2014, serão 15 mil voluntários. Segundo o COL, 127.629 se inscreveram e o prazo já foi encerrado. Mas o COL estuda a possibilidade de permitir novas inscrições.

O diretor de comunicação da Fifa, Pekka Odriozola, tentou explicar por que a entidade não paga os voluntários. "Fui voluntário há 20 anos na Espanha e posso dizer que a maioria deles faria de novo porque têm uma experiência incrível. Estamos falando de capacitação, aprendizado, foi uma experiência de vida para mim", lembrou. O gerente do COL foi mais sucinto: "É uma questão de escolha".

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