Érico Leonan / São Paulo
Érico Leonan / São Paulo

Com Reinaldo em alta, São Paulo visita o Atlético-MG em BH

Após anos sendo vaiado pela torcida, lateral cai nas graças dos tricolores e vira 'curinga' de Diego Aguirre

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2018 | 05h00

Não faz tanto tempo assim que o lateral-esquerdo Reinaldo pisava no gramado já preparado para receber vaias. Na verdade, foram necessários dois anos longe do São Paulo para que ele, enfim, ganhasse o respeito dos torcedores do clube. Atualmente com moral até para ser cobrador de faltas, o jogador é um dos destaques do líder do Campeonato Brasileiro, que nesta noite enfrenta o Atlético-MG, no Independência, em Belo Horizonte, a partir das 21h45.

Após boas temporadas na Ponte (2016) e na Chapecoense (2017), Reinaldo voltou ao Morumbi neste ano para disputar posição com Edimar, que terminara o ano anterior em alta com Dorival Júnior. Já em fevereiro, assumiu o posto de titular em duelo com o Botafogo-SP, pelo Paulistão, e não saiu mais do time.

Ao todo, disputou 34 partidas e fez três gols este ano. Dois desses elevaram seu patamar. No clássico contra o Corinthians pelo primeiro turno do Brasileirão, marcou dois na vitória por 3 a 1. No mesmo estádio onde tanto sofrera anos antes, teve o nome gritado. Virou "Kingnaldo", trocadilho utilizado pelos fãs para simbolizar o apreço pelo "rei" Reinaldo.

"Saí (emprestado) com o pensamento de voltar e dar a volta por cima, ajudar o São Paulo. E isso pouco a pouco está acontecendo. Espero que no fim da temporada a gente seja campeão", disse, após aquele jogo.

Novas responsabilidades com Aguirre

Foi naquele Majestoso, também, que Reinaldo "estreou" como ponta-esquerda do time. Sem Everton, suspenso, o técnico Diego Aguirre surpreendeu na escalação ao utilizar o lateral na função ofensiva, aberto pela esquerda – Edimar jogou na lateral, mais recuado.

No último domingo, contra o Fluminense, na ausência de Nenê, que estava suspenso, e Diego Souza, expulso ainda aos 33 minutos de partida, o jogador também assumiu o papel de cobrador de faltas que normalmente cabe aos dois companheiros. Tentou duas, com perigo. Outra arma importante sai de suas mãos. Cada arremesso lateral se transforma numa cobrança de escanteio, dada a força com que coloca a bola no miolo da grande área adversária.

Diante do Atlético-MG, Aguirre terá uma série de desfalques. Com moral de sobra, Reinaldo está pronto para ajudar o uruguaio mais uma vez.

FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO-MG: Victor; Emerson, Leonardo Silva, Iago Maidana e Hulk (Fábio Santos); Adilson e José Welison; Luan, Cazares e Tomás Andrade; Ricardo Oliveira. Técnico: Thiago Larghi.

SÃO PAULO: Sidão; Régis, Bruno Alves, Anderson Martins e Edimar; Hudson, Jucilei e Nenê; Rojas, Tréllez e Reinaldo. Técnico: Diego Aguirre.

Juiz: Anderson Daronco (RS).

Local: Independência.

Horário: 21h45.

Na TV: Globo.

 

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'Cresci muito desde a primeira passagem', diz lateral do São Paulo

Em entrevista exclusiva ao Estado, Reinaldo analisa bom momento com a camisa tricolor

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2018 | 05h00

"Não vou mentir que eu escutava (vaias) no vestiário quando anunciavam o número 16. Eu ficava um pouco triste, mas entrava no campo e tentava fazer meu melhor, trabalhando sempre com a minha humildade", declarou recentemente o lateral Reinaldo ao canal oficial do São Paulo no YouTube.

De junho de 2013, quando chegou ao clube, até dezembro de 2015, momento em que foi emprestado à Ponte Preta, Reinaldo participou de uma centena de partidas pelo São Paulo. A impaciência da torcida com ele, especialmente nos jogos dentro do Morumbi, era tamanha que os próprios companheiros de equipe na época vinham a público manifestar apoio ao lateral.

Em outubro de 2015, por exemplo, após uma derrota em casa para o Santos (1 a 3), pelo Brasileirão, o atacante Alexandre Pato, então titular da equipe treinada por Doriva, comentou: "Ninguém gosta de jogar com 20 mil pessoas te vaiando. É uma pena que isso aconteça com um jogador como o Reinaldo, que merece todo o carinho do mundo. A torcida não está feliz com ele, eu vejo isso. Mas ele é um cara que trabalha muito e os são-paulinos precisam apoiá-lo. Se a torcida não apoiar, vai demorar muito para o São Paulo ser campeão".

Realidade bem diferente da vivida pelo jogador às vésperas de enfrentar o Atlético-MG, nesta noite, em Belo Horizonte. Confira a entrevista que o Estado fez com o lateral são-paulino:

1. Após uma primeira passagem na qual você era criticado pela torcida, agora tem moral até para cobrar faltar, como aconteceu contra o Fluminense. Como analisa essa mudança de status dentro do São Paulo?

Estou vivendo um grande momento com a camisa do São Paulo. Creio que cresci muito desde a minha primeira passagem até essa fase que estou tendo agora. Cheguei mais preparado, confiante e sabendo o que tinha de fazer para dar o meu melhor e ajudar o clube. Então, estou muito feliz aqui e espero manter esse bom rendimento para seguir ajudando a equipe.

2. O Aguirre já escalou você como lateral e ponta. Se precisar, vai até para o gol?

Meu intuito é estar ajudando sempre o São Paulo, independente da posição que o professor Aguirre escolher pra eu atuar. Graças a Deus, consegui fazer bem as duas funções, e quem ganha é o São Paulo. Então, é seguir trabalhando forte no dia a dia para estar sempre evoluindo e preparado pra atuar onde o professor achar melhor.

3. A exemplo do São Paulo com o Nenê, o Atlético-MG tem em um veterano, o Ricardo Oliveira, uma de suas principais armas. Qual o segredo para marcar um jogador dessa qualidade?

É um jogador decisivo. Temos de ter atenção durante toda a partida, não só com ele, mas também com os outros jogadores. Sabemos da qualidade da equipe do Atlético-MG, mas vamos preparados para fazer uma grande partida e buscar um bom resultado.

 

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