JF Diorio e Nilton Fukuda/Estadão/Montagem
JF Diorio e Nilton Fukuda/Estadão/Montagem

Com rivalidade centenária, Palmeiras e Corinthians fazem final apoteótica

Rivais fazem neste domingo o jogo final da decisão do Paulista e expõem maior rivalidade do Estado

Ciro Campos, Daniel Batista e Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2018 | 07h00

Reduzido no calendário por ser ano de Copa do Mundo e em queda de importância nos últimos anos pela priorização de outros torneios, o Campeonato Paulista termina neste domingo de forma apoteótica. A rivalidade centenária entre Palmeiras e Corinthians resgata e coroa a importância do dérbi e faz o título ter mais peso por ser conquistado em cima do maior adversário.

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A decisão no Allianz Parque, a partir das 16h, coloca o Palmeiras com vantagem. Depois de vencer o rival por 1 a 0 no jogo de ida, na Arena Corinthians, a equipe precisa de um empate para voltar a ser campeã estadual após dez anos. Já o Corinthians precisa da vitória. Em caso de diferença mínima, a decisão vai para os pênaltis.

A importância de uma final entre os dois clubes, a primeira neste século, mexeu bastante com as diretorias. Ambas se organizaram para realizar treinos abertos no sábado pela manhã, em uma espécie de queda de braço pela demonstração de poder. O Palmeiras teve a preferência por ter solicitado formalmente a atividade. Restou ao Corinthians transferir a comunhão com sua torcida para sexta.

A aproximação dos times com o torcedor às vésperas do clássico traduz o clima de expectativa na cidade pelo dérbi. Desde 2003 dois times da capital não se enfrentavam em uma decisão e o último encontro entre Palmeiras e Corinthians em final de Campeonato Paulista ocorreu na edição de 1999.

O ambiente de ansiedade fez o treinador do Palmeiras, o gaúcho Roger Machado, notar um comportamento diferente da torcida. “A rivalidade tem aumentado, esse dérbi fazia muito tempo que não se disputava em uma final. O peso aumentou. A nossa responsabilidade, também”, afirmou.

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A equipe dona da casa encerrou a preparação para a partida com um inédito treino aberto no Allianz Parque no sábado de manhã. A arena ficou lotada depois de ser necessário abrir uma carga extra de ingressos para dar conta da demanda.

A única alteração para a final deve ser a entrada de Moisés na vaga de Felipe Melo, suspenso após expulsão na partida de ida. A promessa de Roger é de atacar o rival e não se acomodar com a vantagem do empate.

O Corinthians usou a semana livre para se preparar e recuperar fisicamente os jogadores. É o caso, por exemplo, de Jadson, que se livrou de um problema muscular e volta ao time, no lugar de Emerson Sheik. O técnico Fábio Carille escolheu Romero para substituir Clayson, suspenso.

Apesar da necessidade de vitória, Carille nega que jogará sem freios em direção ao ataque. “Em clássicos assim, decisões, toda vantagem é importante. Mas é o mínimo, um gol de diferença, a gente não pode se atirar, porque se toma um gol é pior. Não temos de ir lá com desespero.”

Preocupado com a segurança de seus torcedores, o Corinthians não pretende organizar nenhuma celebração caso conquiste o título nesta tarde. A ideia é fazer uma festa na partida contra o Fluminense, domingo que vem, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, na Arena.

Resgate

Outro ponto curioso desta decisão é o retorno de algumas tradições. O jogo do título será realizado no local do primeiro encontro entre os rivais, em maio de 1917, que teve vitória do então Palestra Itália por 3 a 0. No estádio, mais de 30 dérbis foram feitos até 1940, ano de abertura do Pacaembu.

A decisão estadual disputada com uma partida na casa corintiana e outra no lar alviverde é uma combinação rara na história. A última vez em que esse roteiro transcorreu foi pelo Paulista de 1936, com título conquistado pelo Palestra Itália. Foram três jogos no início de 1937. No primeiro, em seu campo, o Palestra venceu por 1 a 0. No Parque São Jorge houve empate sem gols e no terceiro, mais uma vez no Palestra, nova vitória alviverde por 2 a 1.

O Corinthians festeja a conquista do Paulista de 1954, o do Quarto Centenário da cidade de São Paulo, com empate por 1 a 1, no Pacaembu.

No Morumbi, o Palmeiras soma duas conquistas importantes. A de 1974, quando deixou o rival na fila de títulos por 20 anos, e o de 1993, quando saiu do jejum de 17 anos sem taça. O Corinthians só deu o troco em 1995 e repetiu a dose em 1999.

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