Lucas Uebel/ Grêmio FBPA
Lucas Uebel/ Grêmio FBPA

Com saída de Felipão, Grêmio repete roteiro que pode culminar em seu terceiro rebaixamento

Troca frequente de treinadores e ambiente instável no vestiário impedem equipe tricolor de conquistar melhores resultados na temporada, como foi na última vez em que caiu para a Série B, em 2004

Marcos Antomil, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2021 | 10h00

A briga contra o rebaixamento deve se manter equilibrada até as últimas rodadas do Campeonato Brasileiro e promete ser mais emocionante do que a disputa pela taça, praticamente encaminhada para o Atlético-MG. Grêmio e Santos são os grandes mais ameaçados pela degola. No domingo, a equipe alvinegra levou a melhor na disputa direta, mas o risco segue elevado. O Grêmio, por sua vez, tem sido atormentado pelo ambiente interno conturbado e pelo mau desempenho dentro das quatro linhas. Mais uma vez na temporada, troca de treinador.

A derrota para o Sport, em Porto Alegre, no início de outubro, parece ter sido a gota d'água para os problemas virem à tona. O trabalho de Luiz Felipe Scolari foi fortemente contestado pela torcida e pelos jogadores e não teve vida longa. Com a saída do técnico pentacampeão do mundo com a seleção brasileira, confirmada na madrugada desta segunda-feira, o time gaúcho repete o roteiro do rebaixamento. Vice-lanterna, o Grêmio já viveu o mesmo drama da ida para a Série B em 1991, quando terminou o Brasileirão na mesma posição, e em 2004, ano em que ficou na última colocação. Neste momento, só está à frente da Chapecoense, o saco de pancadas da disputa.

Apesar das contratações de atletas experientes e vencedores no futebol europeu, como Douglas Costa e Rafinha, o time tricolor não conseguiu se encontrar desde a perda da final da Copa do Brasil para o Palmeiras, em março. A queda precoce na fase preliminar da Copa Libertadores antecipou a saída de Renato Gaúcho, que tem feito o Flamengo brilhar no Rio.

Com Tiago Nunes, alguns problemas persistiram e outros se intensificaram. O início do Brasileirão, com maus resultados, consolidou o Grêmio na luta contra o rebaixamento. O time está há 24 rodadas no Z-4 e não tem encontrada saídas para isso. Os próximos adversários são Fortaleza (fora), Juventude (casa), Atlético Goianiense (fora) e Palmeiras (casa). A missão é duríssima tendo cinco pontos a menos que o 16º colocado, o primeiro fora da confusão. Só não é mais difícil que a da Chapecoense. Lanterna, somando apenas 12 pontos, a equipe catarinense ainda não venceu como mandante no torneio e tem recebido críticas da própria direção, que entende que o elenco é de "Série B".

"Evidentemente que nós vamos buscar pontos. Nesse momento, estamos com a qualidade do grupo um pouco baixa. O nosso elenco hoje é um grupo de Série B", afirmou Carlos Kila, executivo de futebol da Chapecoense em entrevista à rádio Gre-Nal. Ele também admitiu a possibilidade de receber mala branca na reta final do Brasileirão, dado que o time já não tem muitas pretensões. "Nós temos de cumprir a tabela, aproveitar a visibilidade que temos na Série A ainda. Evidentemente que nós vamos buscar pontos. Isso (mala branca) não aconteceu até o momento, mas imagino que pode acontecer. Se não tiver essa diferença que tem hoje o Atlético-MG (na liderança), se essa diferença diminuir pode ter a possibilidade", disse o cartola, sem medo de ser punido. Mala Branca é quando um time não desiste de tirar pontos de rivais para facilitar outros.

Quem parece ter emergido desta briga é o Sport. Com três vitórias consecutivas, os pernambucanos encontraram uma nova cara com o técnico paraguaio Gustavo Florentín. No entanto, erros administrativos crassos da direção, que já foi destituída, podem trazer problemas. Nove clubes da Série A já entraram com uma "notícia de infração" no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) pela escalação irregular do zagueiro Pedro Henrique. O pedido é assinado por América-MG, Atlético-GO, Bahia, Ceará, Chapecoense, Cuiabá, Grêmio, Juventude e Santos e pode resultar em perda de até 17 pontos. Se confirmada a punição, o time do Recife ficaria com apenas nove pontos, o que consolidaria sua queda para a Série B.

O Bahia aposta na volta de um velho conhecido ao banco de reservas. Guto Ferreira chegou e já viu a equipe derrotar o Athletico-PR. O próximo compromisso marcará o reencontro com a torcida tricolor na Arena Fonte Nova. O adversário é o Palmeiras, que não vive boa fase. Em 17º, o time baiano precisa redescobrir o futebol que o fez ter um bom início de campanha. Eles se enfrentam mnesta terça-feira.

AMEAÇADOS

Juventude, São Paulo, Cuiabá, Atlético Goianiense, Ceará e América-MG vivem altos e baixos no Brasileirão. Ora aparentam lutar até por vaga na Pré-Libertadores, ora voltam a correr risco de rebaixamento. A distância do 10º colocado para o 17º é de apenas cinco pontos. Além disso, alguns clubes tiveram jogos adiados e ainda podem somar pontos importantes que deixarão a disputa ainda mais embolada.

De acordo com o Departamento de Matemática da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que faz cálculos de probabilidades relacionadas ao Campeonato Brasileiro, a Chapecoense tem 99,89% de chance de ser rebaixada. O Grêmio tem 63,9%. Segundo os cálculos da equipe da Betfair, a probabilidade de rebaixamento do Grêmio neste momento é de 30%. Sport e Juventude são os outros dois mais ameaçados. O time pernambucano tem 48,8%, e o de Caxias do Sul, 40,5%. São Paulo e Santos, os dois paulistas em posição de risco, têm 16,9% e 31,8% de chance de terminar a temporada na Série B.

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