EFE
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Islândia surpreende com técnico dentista e torcida '50% conhecida'

Confira algumas curiosidades da maior zebra da Euro

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2016 | 11h29

A maior surpresa desta Eurocopa, sem dúvida, é a seleção da Islândia, estreante na competição. Nesta segunda-feira, o time nórdico eliminou a Inglaterra nas oitavas de final de virada por 2 a 1, em Nice, e está entre as oito melhores do continente. Mais do que isso, ainda não perdeu nenhuma partida e se classificou à frente de Portugal, liderada por Cristiano Ronaldo, na fase de grupos. 

Antes da portuguesa e inglesa, outra seleção tradicional que sofreu nas mãos da Islândia foi a Holanda, ainda na fase de classificação ao torneio na França. Três vezes vice-campeã mundial e campeã europeia em 1988, a "Laranja Mecânica" não venceu os islandeses nos dois turnos do Grupo A das Eliminatórias: 2 a 0 na capital Reykjavik e 1 a 0 em Amsterdã. 

GEOGRAFIA

A Islândia é um país localizado entre o Oceano Atlântico e o Ártico, ao norte da Grã Bretanha. Após duas etapas de independência da Dinamarca em 1904 e 1918, instaurou uma república em 1944. Atualmente, ocupa território de aproximadamente 103 mil km² para cerca de 322 mil habitantes, o que resulta em densidade de 3,1 pessoas por km². 

Para efeito de comparação, a Inglaterra se estende por 130 mil km², possui 54,21 milhões de habitantes e média de 415 hab/km². Aproximando esse números, de acordo com Censo de 2010, das 32 subprefeituras da cidade de São Paulo, 17 possuem população superior ao total nórdico. 

AUDIÊNCIA

Estima-se que 98,5% das televisões do país estavam ligadas na primeira vitória do país na história da Eurocopa, por 2 a 1 sobre a Áustria, válida pela última rodada da fase de grupos da Eurocopa. Durante a classificação histórica diante dos ingleses, esse número chegou a 99,8%, o que significa que metade da população local assistiu à partida.

No triunfo por 2 a 1 sobre os austríacos, Gudmundur Benediktsson ficou famoso nas redes sociais pela narração histérica no segundo gol da seleção islandesa, marcado por Arnór Ingvi Traustason, aos 49 do segundo tempo. "A voz foi embora, mas isso não importa! Nós estamos classificados! Arnór Yngvi Traustason marca! O que? O juiz acaba de apitar o final do jogo e eu nunca, jamais me senti tão bem. Arnór Yngvi Traustason assegurando nossa primeira vitória. Nunca perdemos! Não se esqueça, nunca perdemos. Mas a primeira vitória é um fato! Islândia dois, Áustria um. Obrigado por vir, Áustria!", gritou Benediktsson.

Logo depois da narração, Benediktsson voltou ao país, onde trabalha como assistente técnico do KR Reykjavik. Devido ao mau desempenho do clube nos último jogos, com cinco derrotas nos últimos seis jogos, ele e toda a comissão técnica foram demitidos. 

TORCIDA

O site da Uefa informa que cada um dos três primeiros jogos da seleção na França contaram com cerca de 10 mil islandeses nas arquibancadas. Esse número representa 3% da população total do país. Aproximando essa proporção, seria como se 6 milhões de pessoas estivessem no estádio torcendo pela seleção brasileira se considerarmos que o País é habitado por 200 milhões de pessoas. 

Ao final de cada partida, os jogadores saúdam a torcida com cânticos e palmas. Alguns chegam a abraçar e tirar fotos com os aficionados. Na sequência do triunfo sobre os austríacos, Kari Arnason afirmou que "é como ter sua família nas partidas. Eu provavelmente conheço ou reconheço pelo menos 50% das pessoas na torcida". 

FUTEBOL

A seleção islandesa é comandada por dois técnicos. Ex-jogador, o sueco Lars Lagerback começou a carreira na década de 1970 e assumiu o cargo atual em 2011. Seu maior feito foi comandar a seleção da Nigéria na Copa do Mundo de 2010. O outro treinador é Heimir Hallgrimsson, amador e que ainda trabalha como dentista. Ele se juntou a Lagerback à frente do time nacional em 2013 e seguirá como único treinador após a Euro. 

O futebol é o esporte mais popular do país, apesar de encontrar dificuldades para sua prática. A temperatura média nas épocas mais quentes é entre 10 e 13 graus Celsius, o que dificulta o crescimento da grama. Nos último anos, a confederação islandesa recebeu investimentos para construir 30 campos oficiais, sete deles fechados, e que aguentariam o ano inteiro.

Dois jogadores do elenco atual são conhecidos por atuarem em clubes internacionais. O atacante Eidur Gudjohnsen, de 37 anos, serve a seleção desde 1996, dois anos depois de se profissionalizar. Em 20 anos de carreira, já defendeu PSV Eindhoven (1995-97),  Chelsea (2000-06), Barcelona (2006-09), Monaco (2009-10) e Tottenham (2010). A mais importante peça do selecionado é Gylfi Sigurdsson, que defende o Swansea, do País de Gales mas que disputa a primeira divisão do Campeonato Inglês há cinco temporadas. Antes do time galês, Sigurdsson ainda passou por Hoffenheim (2010-12) e Tottenham (2012-14). 

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