Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Com volta de Marcelo, Brasil desafia Bélgica para chegar à semifinal

Lateral-esquerdo toma sua posição após se lesionar e deixa o time de Tite ainda mais eficiente em Kazan

Leandro Silveira, Marcio Dolzan, enviados especiais / Kazan, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 05h00

A seleção brasileira está mais forte, e desta forma parte para cima da Bélgica na partida desta sexta-feira, às 15h, (de Brasília), pelas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia. Marcelo está de volta. O lateral-esquerdo do Real Madrid toma sua posição na seleção após ficar fora por lesão. Filipe Luís, reconhecido por Tite e por todos do elenco, retorna ao banco.

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Com Marcelo, o futebol brasileiro ganha mais graça, talento e ginga em Kazan. Melhora ofensivamente. Nas duas primeiras partidas do Brasil na Rússia, a bola passou mais pelos pés do lateral do que de qualquer outro jogador do time. Ele cria jogadas, combina com Neymar e se aproxima de Philippe Coutinho.

Uma vitória nesta sexta-feira faz do Brasil um dos quatro melhores do mundo. Marcelo havia deixado o campo com dez minutos no confronto com a Sérvia, o terceiro da seleção, devido a um espasmo na região lombar. Filipe Luís entrou em seu lugar, foi bem e permaneceu contra o México. Agora, entrega a posição ao seu verdadeiro dono.

Para escolher Marcelo, Tite levou em conta a larga experiência do lateral-esquerdo do Real Madrid, ainda que, aos 30, ele seja dois anos mais novo do que Filipe Luís. Afinal, ele foi campeão de tudo pelo time espanhol nas últimas temporadas e carrega na alma a vivência de ter feito parte do grupo que disputou a Copa de 2014, no Brasil.

 

Marcelo também é visto pelo treinador como um dos líderes do grupo. Foi para ele que Tite entregou a braçadeira de capitão na estreia da seleção no Mundial, no empate por 1 a 1 com a Suíça. O lateral poderá voltar a exercer a função na sequência do torneio, caso o Brasil avance, já que o treinador vem sendo mais restritivo na distribuição da braçadeira, que só ficou com o lateral e os zagueiros Miranda e Thiago Silva, ambos duas vezes na Rússia.

A postura de Marcelo também ajudou na decisão de Tite. O treinador viu o atleta se esforçar ao máximo para ficar à sua disposição para o jogo com o México, ainda que não tenha sido usado. “Ele veio a campo, queria participar, isso mostra sua responsabilidade e comprometimento. É uma das lideranças do Brasil”, elogiou Tite.

O retorno de Marcelo dá à seleção muito mais força ofensiva. Nas duas primeiras partidas, ele foi o jogador da equipe com maior número de passes certos, 164 ao todo. A estatística fornecida pela Fifa demonstrava que a maior parte das jogadas do Brasil, pelo menos até então, passavam pelos seus pés.

Filipe Luís jogou 20 minutos a menos do que Marcelo nesta Copa, completando 99 passes certos, média menor do que a do titular. Marcelo tem ainda números melhores na frente: ele chegou duas vezes e meia a mais na área do que o colega.

Muito dessa diferença ocorre em função do estilo de jogo de cada um. Enquanto Marcelo gosta de aparecer na linha de fundo e se embrenhar pelo meio, Filipe Luís é mais conservador. Mesmo que tenha qualidade no apoio, é na marcação nos dois primeiros terços do campo que ele se sai melhor. Prova disso está nas estatísticas defensivas dos dois, com o lateral do Atlético de Madrid perdendo menos da metade das bolas do jogador do Real Madrid. Com o reserva, o Brasil ganha mais consistência defensiva.

Números à parte, ontem o técnico Tite justificou a mudança na esquerda. Segundo o treinador, Marcelo teria voltado normalmente à equipe na última partida caso estivesse em plenas condições. “Conversei com o Marcelo e com o Filipe Luís. O Marcelo saiu por um problema clínico e não voltou no jogo seguinte por um problema físico, já que ele só poderia jogar de 45 a 60 minutos”, explicou. 

Tite preferiu deixar Marcelo no banco diante do México porque havia a possibilidade de o jogo ir para a prorrogação, e ele não queria “queimar” uma substituição ao longo da partida. Descansado, o lateral acabou treinando normalmente nas duas atividades que se seguiram àquele jogo e está pronto para atuar contra a Bélgica.

Mesmo que volte para o banco, Filipe Luís ganhou elogios do chefe. “Ele jogou muito nas duas partidas”, disse Tite, que, desde as Eliminatórias, enaltece a qualidade de seus atletas pelo lado esquerdo. “Competem e, por critério, volta o Marcelo.”

ÚLTIMA CHANCE?

Para uma parte do experiente grupo que Tite levou para a Rússia, cada duelo traz a sensação de última chance de conquistar uma Copa do Mundo. Nove atletas da seleção têm 30 anos ou mais, incluindo Thiago Silva, Miranda, Marcelo e Fernandinho, todos titulares contra a Bélgica – Paulinho, Fagner e Willian têm 29. 

Thiago Silva é quem mais viu as chances passarem: está em sua terceira Copa, e foi capitão em 2014. Seu companheiro de zaga, Miranda só agora foi convocado para um Mundial. Pode ser, portanto, a primeira e única oportunidade. Já Marcelo participa de sua segunda edição, assim como Paulinho, Fernandinho e Willian. Todos têm em comum a busca pela Taça Fifa para coroar suas carreiras já consolidadas.

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