PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP
PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP

Com Zidane sob desconfiança, Real Madrid aposta fichas em dérbi com Atlético

‘Pressão igual à desse clube não existe’, diz Sávio, que conquistou três Ligas dos Campeões com a camisa merengue

Guilherme Bianchini / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2019 | 04h29

Crise e liderança na tabela de classificação são duas condições que dificilmente coexistem em um clube. Mas a situação muda de figura quando se trata do Real Madrid, com a cobrança de ganhar todos os títulos que disputa e ainda apresentar um futebol convincente. Em que pese o primeiro lugar no Campeonato Espanhol, passadas seis rodadas, Zidane convive com pressão de todos os lados em sua segunda passagem pelo comando da equipe.

Para instalar a paz no Santiago Bernabéu, com ambiente instável desde a saída de Cristiano Ronaldo, nada melhor do que vencer o rival da cidade. Neste sábado, às 16h, a equipe visita o Atlético para defender a liderança e manter a invencibilidade no Wanda Metropolitano, onde tem uma vitória e um empate. O FOX Premium transmite a partida.

Os problemas se agravaram depois da derrota de 3 a 0 para o Paris Saint-Germain, na estreia na Liga dos Campeões, contra um adversário desfalcado de Mbappé, Cavani e Neymar. Nem mesmo a lembrança ainda fresca do tricampeonato europeu foi capaz de impedir as críticas. Mas o treinador acabou controlando parcialmente o incêndio com as vitórias seguintes sobre Sevilla e Osasuna, que deixaram o time no topo da tabela do Espanhol.

“Zidane voltou para acertar a equipe depois de um período conturbado, mas encontrou dificuldades que nem ele esperava. O maior desafio é resgatar a confiança de jogadores que não estão muito bem, mas já brilharam em outros momentos”, comenta Sávio, que atuou pelo Real Madrid entre 1997 e 2002, com direito a três títulos de Liga dos Campeões.

O ex-atacante também ressalta o caráter peculiar da rotina do Real. “Conheço alguns clubes de muita pressão, mas igual ao Real Madrid não existe. É um clube que respira pressão 24 horas por dia. É impressionante. No Bernabéu, se não estiver psicologicamente preparado, treme as pernas. É uma torcida muito exigente”.

Um dos maiores obstáculos para o treinador francês neste início de temporada tem sido o alto número de atletas machucados. Desde julho, o departamento médico do clube já contabilizou 13 lesões, distribuídas por dez jogadores. A culpa recai sobre o novo preparador físico, Gregory Dupont, mas Zidane alivia o profissional de críticas. “Não mudou muita coisa com ele”, declarou.

Principal reforço para a temporada 2019/20, Hazard atrasou seu processo de adaptação ao perder os três primeiros jogos da temporada por lesão muscular. Após três partidas oficiais com a camisa branca, ele ainda está em busca do nível que fez o Real Madrid desembolsar 100 milhões de euros (cerca de R$ 455 milhões) para tirá-lo do Chelsea. “Ele precisa estar 100% fisicamente para fazer a diferença”, opina Sávio.

Pré-temporada deixou sequelas

O craque belga vem sendo a única novidade no time titular em relação ao grupo de jogadores que brilhou nas conquistas recentes, mas caiu em desconfiança depois de uma temporada abaixo da crítica. Muito por conta disso, houve uma cobrança da torcida por uma reformulação mais profunda, que acabou não ocorrendo. Praticamente descartados durante a pré-temporada, James Rodríguez e Bale voltaram a ganhar espaço. 

Em meio à preferência de Zidane por jogadores tarimbados, jovens como Vinícius Júnior precisam suar a camisa para conquistar uma vaga na equipe, mesmo com total prestígio diante dos torcedores. O jovem de 19 anos marcou seu primeiro gol nesta temporada na última quarta-feira, na vitória por 2 a 0 sobre o Osasuna. Rodrygo completou o placar. “Pelo que fez no ano passado, ele merece mais chances. É um jogador que precisa de sequência e de confiança, e só o treinador pode dar isso”, analisa Sávio.

Outro ingrediente especial do clássico deste sábado é a lembrança do último encontro entre os rivais. Mesmo em se tratando de um amistoso de pré-temporada, a humilhação da goleada de 7 a 3 sofrida nos Estados Unidos, em julho, deixou feridas abertas. “Contra Atlético de Madrid e Barcelona, nem em futebol de botão dá para perder”, brinca o brasileiro, que acredita na redenção de seu ex-clube. “Vai ser muito difícil, mas como madridista palpito 2 a 1 para o Real Madrid. Um gol de Benzema, que está em fase espetacular, e outro de Bale”, arrisca.

 

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