Rubens Chiri/saopaulofc
Rubens Chiri/saopaulofc

Comando duplo de Cuca e Mancini tem funções bem definidas no São Paulo

Cuca é o técnico de fato enquanto Mancini observa e aconselha nos treinos e jogos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 04h30

Desde que assumiu o São Paulo, na segunda-feira, Cuca passa o tempo ao lado do coordenador Vagner Mancini. A cena é comum à beira do gramado, na hora do treino, e também na parte interna do CT da Barra Funda. A "passagem de bastão" do técnico interino para o efetivo cria uma experiência nova no clube que Cuca chamou de "comando duplo". Os dois estarão no banco de reservas para a semifinal do Campeonato Paulista, domingo, diante do Palmeiras, no Allianz Parque. 

Esse "comando duplo" tem uma divisão clara de funções. Cuca dá as ordens nos treinos, conduz as palestras dentro e fora de campo e será o técnico de fato na decisão no Allianz Parque. Ele estará na área técnica e vai assinar a súmula da partida, por exemplo. O coordenador técnico Vagner Mancini está "emprestado" para os treinamentos táticos e técnicos até o final do Campeonato Paulista. Ele observa ao lado do campo – ficará sentado no banco de reservas no Allianz Parque –, mas também tem liberdade para falar com os jogadores.

Na hora do treino, Mancini tem de estar no campo e deixar eventuais questões administrativas, que fazem parte de sua função como coordenador técnico, para segundo plano. Ao final do Paulistão, Mancini voltará a ser coordenador, função para a qual foi contratado. 

Cuca pediu que Mancini trabalhasse ao lado dele como uma forma de reconhecimento pelo trabalho do interino e também para enriquecer a fase de transição de um técnico para o outro. Ele quer manter o que deu certo conservando a presença física – e os conselhos – de Mancini diante dos atletas. 

Vale relembrar a passagem de Mancini. Ele assumiu a equipe logo após a eliminação precoce diante do Talleres na fase preliminar da Copa Libertadores. Jardine havia sido afastado do comando técnico (não demitido). Em nove jogos, Mancini acumulou três vitórias, quatro empates e duas derrotas. 

Mais do que isso: consolidou a boa fase de novas promessas, como Igor Gomes, Liziero, Luan e Antony, e deu um novo padrão tático para o time. "Nós tínhamos três caminhos. Eu poderia ficar fora, lá no camarote, só observando. Outra saída seria que eu assumisse como treinador e começasse as tomar as medidas. Nós optamos pelo terceiro caminho, mais justo e mais correto, de agregar para tentar fortalecer o São Paulo", explicou o treinador. "Teremos o conhecimento do Mancini e a presença do Cuca." 

Para a semifinal, Cuca planeja manter grande parte do time que eliminou o Ituano nas quartas de final e empatou com o Palmeiras na ida da semifinal por 0 a 0. "Percebi que eu e o Mancini temos uma visão bastante parecida do jogo. Temos ideias muito semelhantes. Acho que tem de ser mantido quase tudo. Não só para o Paulista, mas também para a sequência do ano", planeja Cuca, deixando claro que vai manter o que Mancini vinha fazendo. 

A dobradinha Cuca e Mancini é nova, mas não é um modelo inédito. Em 2003, Roberto Rojas deixou de ser preparador de goleiros e foi efetivado como treinador depois de 40 dias como interino. A diretoria não conseguiu contratar Tite para substituir Oswaldo de Oliveira e resolveu apostar em Rojas. O melhor resultado do chileno como interino havia sido uma vitória sobre o Grêmio por 2 a 1, em Porto Alegre. O ponto negativo foi a eliminação da Copa do Brasil pelo Goiás no Morumbi. 

Para fortalecer o início de gestão de Rojas, a diretoria pediu um auxílio direto de Milton Cruz, que era funcionário de longa data e de confiança da diretoria. Ele continuava como auxiliar, mas tinha força e autonomia para dividir as decisões com Rojas. Também era uma forma de "comando duplo".

A parceria funcionou. O time terminou o Campeonato Brasileiro de 2003 em terceiro lugar, o que significou o retorno à Libertadores depois de dez anos.  A dupla foi desfeita com a contratação de outro treinador em 2004. O novo nome foi exatamente Cuca, que voltou agora ao clube depois de 15 anos. 

O futebol internacional também tem exemplos de "dois técnicos". O técnico sueco Lars Lagerback, que hoje dirige a Noruega, já comandou em dupla a Islândia na Eurocopa de 2016, quando a equipe começou a ganhar relevo no futebol mundial, e a própria Suécia na Copa de 2002. "Se você trabalha sozinho, há risco de não perceber todas as possibilidades e desperdiçar alguns detalhes importantes", explicou ao Estado. 

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