Começa a sucessão no São Paulo

Um dia antes da decisão da Libertadores, o presidente Marcelo Portugal Gouvêa acha tempo de falar em política. Lança Juvenal Juvêncio, atual diretor de futebol e presidente no período 1988-90 para a sua sucessão. E garante que, mesmo se o título da Libertadores não vier, ele sairá do clube, em abril, como um bom presidente. Agência Estado - O senhor já pensa na eleição de abril de 2006? Gouvêa - No momento, só penso na Libertadores, mas já há articulações para a eleição. AE - O senhor apóia alguém? Gouvêa - Juvenal Juvêncio, o atual diretor de futebol. Ele entende muito do assunto e é um homem determinado. Quando tem uma idéia não desiste até vê-la em prática. Foi o idealizador da construção do Centro de Formação de Atletas. AE - O senhor foi eleito por 134 votos a 83, a maior vantagem dos últimos tempos. Isso significa que o Juvenal vai ser eleito facilmente? Gouvêa - Não. Ele é um candidato muito forte, mas política mudou no clube. E nem sei se o Juvenal vai ser o candidato. Ele é o meu candidato, mas o nosso grupo pode ter outros pretendentes. AE - O senhor seria diretor de futebol, como em 1988, quando o Juvenal era presidente? Gouvêa - Não, meu período de trabalho no clube vai terminar agora. AE - O senhor foi um bom presidente? Gouvêa - Fiz muitas coisas. Melhorei o nosso time e conseguimos voltar, por duas vezes, à Libertadores, após dez anos de ausência. E, agora, podemos ser campeões. Reduzi a nossa folha salarial em 40%. Exagerei às vezes, o time ficou pequeno demais, mas agora está de bom tamanho.Vamos renovar o contrato do Júnior, estamos conversando há um mês e meio, mas ele vai ficar. AE - E o clube continua dividido? Gouvêa - Sinto não ter conseguido unir o clube, mas as pessoas só pensam em poder. Quando eu era Oposição, nunca torci para o time perder. E eles fazem isso. AE - Ganhar a Libertadores é fundamental para ser reconhecido como um presidente vencedor? Gouvêa - Seria um plus, mas ganhamos também o Campeonato Paulista com uma bela campanha, quase fomos campeões invictos. Não tenho a intenção de entrar na história do clube, mas quando forem contar a história do clube, não podem esquecer da minha página. Construí o Centro de Formação de Atletas e ajudei na construção do Centro de Treinamentos da Barra Funda. AE - Qual foi a melhor contratação de sua gestão? Gouvêa - Foram várias boas contratações, mas a que me deu mais alegria foi a do Lugano. Foi uma idéia totalmente minha, sem conversar com ninguém, ao contrário das outras. Eu nunca fiz força para que o Oswaldo o colocasse em campo e ele venceu as desconfianças. AE - Qual a contratação que lhe causou decepção? Gouvêa - A do Falcão, sem dúvida. Tenho certeza que ele pode ter sucesso no futebol, mas o Leão não achava isso e não lhe deu oportunidades. Como eu repito que não dou palpite em escalações, ele não se firmou. AE - O que o senhor acha do Leão? Giuvêa - Ele foi campeão. É bom técnico, trabalhador e tem sorte. AE - E o Paulo Autuori? Foi uma ótima contratação. Ele dá atenção às categorias de base e isso, para nós, é muito importante. Nosso Expressinho foi derrotado pela Ponte Preta, que é líder do campeonato, mas fez uma grande partida. AE - O Autuori não era o primeiro nome de sua lista? Gouvêa - O primeiro era o Muricy e não deu certo. Antes que você pergunte quem é o segundo nome, quero lhe dizer que perdi a lista.

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